Porto Alegre,

Publicada em 09 de Setembro de 2026 às 18:31

Municípios da Serra articulam rede antigranizo para proteger safras

Projeto terá investimento de R$ 15 milhões e prevê 130 geradores de solo para mitigar prejuízos na agricultura e no meio urbano

Projeto terá investimento de R$ 15 milhões e prevê 130 geradores de solo para mitigar prejuízos na agricultura e no meio urbano

DIvulgação/Prefeitura de Caxias do Sul/JC
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Gabrieli Silva
Gabrieli Silva Repórter
Para mitigar o risco de chuvas de granizo na produção da Serra Gaúcha, o governo do Estado abriu uma nova frente de prevenção com a implantação de um sistema formado por geradores terrestres. O edital, lançado no Diário Oficial na sexta-feira (4), prevê até R$ 3,1 milhões por ano, a partir de 2027, por meio do Fundo de Desenvolvimento da Vitivinicultura (Fundovitis), para manutenção e operação dos equipamentos. Em cinco anos, o apoio estadual poderá chegar a R$ 15 milhões.

Para mitigar o risco de chuvas de granizo na produção da Serra Gaúcha, o governo do Estado abriu uma nova frente de prevenção com a implantação de um sistema formado por geradores terrestres. O edital, lançado no Diário Oficial na sexta-feira (4), prevê até R$ 3,1 milhões por ano, a partir de 2027, por meio do Fundo de Desenvolvimento da Vitivinicultura (Fundovitis), para manutenção e operação dos equipamentos. Em cinco anos, o apoio estadual poderá chegar a R$ 15 milhões.

Os recursos poderão ser usados na operação dos geradores, aquisição de reagentes, monitoramento meteorológico e manutenção preventiva e corretiva. O governo estadual poderá custear 20%, 25% ou 30% do custo anual, conforme a pontuação de cada município. O restante ficará a cargo das prefeituras, que também deverão garantir recursos para a continuidade da operação. 

A instalação inicial será viabilizada via aporte superior a R$ 8 milhões das cooperativas Sicredi Serrana, Sicredi Pioneira e Sicredi Ibiraíras. Segundo os articuladores, o edital prevê cobertura de até 20 municípios, sendo que 15 já aderiram formalmente à iniciativa, com previsão inicial de 130 a 150 geradores. O edital permite a participação de outros municípios da Serra Gaúcha, Vale do Caí e localidades limítrofes que atendam aos critérios previstos, entre eles produção vitivinícola e áreas suscetíveis ao granizo.

A articulação começou em Caxias do Sul e avançou a partir de experiências observadas em Santa Catarina. A proposta é formar uma rede regional, com os equipamentos distribuídos de acordo com a área de cobertura e a proximidade entre os municípios. Para o diretor de negócios do Sicredi Serrana, Odair Dalagasperina, a prevenção também tem impacto sobre a economia local. “Quando a gente trabalha a prevenção, está garantindo mais a renda do produtor e também o movimento da economia regional”, afirma.

A dimensão dos prejuízos recentes ajuda a explicar a busca por medidas preventivas. Dados consolidados pela Emater apontam que as chuvas intensas de maio de 2024, quando o RS foi impactado por severa enchente, provocaram R$ 108,8 milhões em perdas no meio rural de Caxias do Sul. Foram R$ 41,1 milhões em danos diretos às culturas e R$ 67,7 milhões em prejuízos à infraestrutura rural e degradação de aproximadamente 12 mil hectares de solo.

Nos episódios de granizo, os danos também foram expressivos. Em novembro de 2025, cerca de 100 propriedades rurais foram atingidas, com perdas estimadas em R$ 6,56 milhões, principalmente nas culturas de ameixa, pêssego, uva, maçã e caqui. Em julho deste ano, uma sequência de tempestades com granizo, chuva intensa e vendaval atingiu aproximadamente 30 mil famílias e gerou R$ 10,03 milhões em prejuízos públicos quantificados. O levantamento inclui R$ 3,24 milhões em perdas na agricultura familiar, R$ 677 mil em danos habitacionais e R$ 6 milhões relacionados ao colapso da drenagem pluvial no Centro.

Para o secretário municipal da Agricultura, Pecuária e Abastecimento de Caxias do Sul, Rudimar Menegotto, o impacto é especialmente elevado em culturas permanentes. “O trabalho de um ano na fruticultura pode acabar em 5 a 10 minutos. No caso da uva, o granizo destrói os galhos e compromete também a safra do ano seguinte”, afirma.

Em Bento Gonçalves, outra cidade que tem o granizo como preocupação por conta das parreiras — frágeis a esse tipo de tempestade —, o estudo preliminar prevê nove geradores para cobrir todo o território municipal. O secretário da Agricultura, Luis Carlos de Mari, destaca que os efeitos do granizo também chegam às áreas urbanas. Em agosto de 2023, um episódio atingiu propriedades rurais, empresas e residências. “O granizo é um evento localizado, mas, onde ataca, é devastador. Esse sistema vem para mitigar tanto as perdas agrícolas quanto os prejuízos nas moradias”, afirma.

Os geradores citados utilizam iodeto de prata na chamada semeadura de nuvens. A substância é liberada na atmosfera para aumentar a quantidade de núcleos de congelamento em nuvens com água super-resfriada, favorecendo a formação de partículas menores de gelo. Segundo João Luiz Rolim, especialista em modificação artificial do tempo da AGF Antigranizo, de Santa Catarina, a tecnologia reduz o custo em relação ao uso de foguetes. “O método é o mesmo, só que muda o veículo. Quando passamos dos foguetes para os geradores, o custo para o combate ao granizo caiu cerca de 20 vezes”, afirma.

O sistema não elimina o risco de granizo nem garante proteção integral.

“Nenhum método no mundo garante 100% de eficiência, nem mesmo as telas físicas”, ressalta Menegotto. Pelo edital, os municípios interessados terão 60 dias a partir da publicação para apresentar as propostas, que serão analisadas pelo Estado antes da formalização dos acordos.

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