O mês de setembro deverá ser marcado por condições mais úmidas e elevada variabilidade das temperaturas no Vale do Taquari. É o que aponta o prognóstico elaborado pelo Núcleo de Informações Hidrometeorológicas (NIH) da Universidade do Vale do Taquari - Univates. A análise indica tendência de precipitação acima da média climatológica na região, enquanto o comportamento das temperaturas apresenta mais incerteza entre os modelos meteorológicos.
Setembro é um período de transição entre o inverno e a primavera. No Vale do Taquari, a temperatura média histórica para o mês é de 18,1° C, com médias de 23,4° C para as temperaturas máximas e de 13,7° C para as mínimas. Apesar da tendência de aquecimento característica da época, massas de ar frio ainda podem avançar sobre o Sul do Brasil, provocando quedas temporárias nas temperaturas.
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O principal sinal identificado pelo NIH para setembro está relacionado às chuvas. A média histórica do mês é de 207 milímetros, sendo setembro o mês mais chuvoso do ano na região. As projeções semanais do European Centre for Medium-Range Weather Forecasts (ECMWF) indicam predomínio de anomalias positivas de precipitação sobre o Norte e Nordeste do Rio Grande do Sul durante praticamente todo o mês, incluindo o Vale do Taquari e diferentes setores da Bacia Hidrográfica Taquari-Antas.
A tendência não significa, contudo, que haverá chuva contínua ao longo de setembro. Conforme o prognóstico, os maiores acumulados deverão estar associados principalmente à passagem de frentes frias, áreas de baixa pressão e, eventualmente, ciclones extratropicais, intercalados por períodos de tempo firme. O acumulado mensal, portanto, apresenta mais possibilidade de ficar acima da média histórica, mas com distribuição irregular das precipitações.
O comportamento das chuvas na Bacia Taquari-Antas também merece atenção. Volumes elevados registrados nas porções média e alta da bacia podem contribuir posteriormente para a elevação dos níveis do rio Taquari nos municípios localizados a jusante. Episódios de chuva persistente ou acumulados elevados em curto intervalo de tempo podem favorecer a elevação de arroios e rios, além da ocorrência de alagamentos e enxurradas, dependendo da distribuição das precipitações e das condições antecedentes da bacia.
O cenário meteorológico também é influenciado pelo El Niño, que, segundo o prognóstico, iniciou setembro estabelecido e em processo de intensificação no Oceano Pacífico Equatorial. As projeções indicam mais de 90% de probabilidade de o fenômeno atingir intensidade muito forte durante a primavera e o verão de 2026-2027, condição que favorece maior disponibilidade de umidade e pode contribuir para precipitações mais frequentes ou volumosas na Região Sul do Brasil.
A passagem de sistemas frontais, combinada à disponibilidade de calor e umidade, também poderá favorecer episódios de instabilidade, com temporais isolados, raios, rajadas de vento e eventual queda de granizo. Antes da chegada das frentes frias, os ventos do quadrante norte podem transportar ar mais quente e úmido para a região, enquanto incursões de ar frio ainda poderão provocar geadas pontuais nas áreas mais suscetíveis e de maior altitude.