Porto Alegre,

Publicada em 03 de Setembro de 2026 às 14:51

Produtores de cidades distantes driblam desafios na Expointer

Queijaria Fendt, de São Borja, trouxe estoque de 600kg de produtos para venda em Esteio

Queijaria Fendt, de São Borja, trouxe estoque de 600kg de produtos para venda em Esteio

Lívia Araújo/Especial/Cidades
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Lívia Araújo
Lívia Araújo Repórter
Reunindo agroindústrias do setor de alimentos e bebidas, além de estandes com o comércio de plantas e artesanato, o Pavilhão da Agricultura Familiar é o espaço mais visitado da Expointer ao longo dos anos. A oportunidade de mostrar seu trabalho - e vender seus produtos - torna a participação na feira, que acontece anualmente em Esteio, na região metropolitana de Porto Alegre, algo almejado pelas empresas e, muitas vezes, representa um desafio logístico e econômico, especialmente para empresas e produtores dos municípios mais distantes da Capital.

Reunindo agroindústrias do setor de alimentos e bebidas, além de estandes com o comércio de plantas e artesanato, o Pavilhão da Agricultura Familiar é o espaço mais visitado da Expointer ao longo dos anos. A oportunidade de mostrar seu trabalho - e vender seus produtos - torna a participação na feira, que acontece anualmente em Esteio, na região metropolitana de Porto Alegre, algo almejado pelas empresas e, muitas vezes, representa um desafio logístico e econômico, especialmente para empresas e produtores dos municípios mais distantes da Capital.

Por isso, é mais rara a participação de representantes dos municípios da Fronteira Oeste, como São Borja, que fica a 600km de distância de Esteio, ou Santana do Livramento, a cerca de 500km da Capital. Outras cidades próximas à Argentina, como Uruguaiana e Itaqui, nem chegaram a enviar agroindústrias, ao contrário de municípios do Noroeste ou das Missões, como Três de Maio, a 460 km do Parque de Exposições Assis Brasil, que marcou presença na feira.
A Queijaria Fendt, de São Borja, participa pela primeira vez da Expointer. Segundo Daniela Fendt, responsável pela agroindústria, a distância sempre foi um obstáculo: "a gente sempre veio como visitante na Expointer. Antes a gente não veio porque não se sentia preparado", relembra. Com apoio do Sebrae e da Emater/RS-Ascar, a produtora conseguiu se organizar para vir à feira este ano.
Fundada em dezembro de 2019, a queijaria recebeu em 2024 o selo Arte em parte de seus produtos, o que permite a venda fora do município de origem. Para os nove dias de feira, a agroindústria ajustou a produção e trouxe cerca de 600 quilos de queijo a Esteio. Entre os itens estão o queijo de iogurte, carro-chefe da produção, o colonial, o lindeiro - receita autoral -, doce de leite com menos açúcar e manteiga feita com creme de leite de vacas da raça Jersey.
Daniela também é uma das fundadoras de uma associação que reúne quatro queijarias do Pampa. Com apoio do Sebrae, o grupo já fez a primeira reunião e escolheu a diretoria. "A gente está fazendo essa associação para unir forças e estar mais presente nas feiras", afirma.
Francisco Bonaparte, da destilaria Coração de Fogo, de Três de Maio, estreia na Expointer com aguardentes e licores | Lívia Araújo/Especial/Cidades
Francisco Bonaparte, da destilaria Coração de Fogo, de Três de Maio, estreia na Expointer com aguardentes e licores Lívia Araújo/Especial/Cidades
Também estreante é a Destilaria Coração de Fogo, de Três de Maio, tocada pela família de Francisco Bonaparte desde a décadas de 1930, mas ainda não havia participado da Expointer. Para a feira, o produtor um levou grande volume de mercadoria, apostando em licores como de chocolate com baunilha e no lançamento de um licor de ervas batizado de Eredità, com sabor próximo ao Fernet, produto com a melhor venda em seu estande.
Mas, apesar da expectativa, as vendas ficaram próximas às registradas na região de origem. "Tem bastante concorrente, todo mundo tem que vender seus produtos. A expectativa que era formada, na realidade não está sendo (como a gente esperava)", admite.
Mateus de Rossi, de Três de Maio, esgota as mil peças em madeira que leva três meses para preparar | Lívia Araújo/Especial/Cidades
Mateus de Rossi, de Três de Maio, esgota as mil peças em madeira que leva três meses para preparar Lívia Araújo/Especial/Cidades
Outro expositor de Três de Maio, o artesão Mateus de Rossi, participa da Expointer pela quarta vez e não tem do que se queixar. Ele produz tábuas de churrasco, gamelas e outros acessórios em madeira, de forma artesanal, com acabamento em lixa, polimento e resina para vitrificação, além de gravações a laser com nomes e marcas personalizadas.
De Rossi relata que o trabalho com madeira não é uma tradição muito difundida em Três de Maio, sendo ele uma exceção. A atividade, seu ofício há seis anos, nasceu da lembrança de um bisavô marceneiro que ele não chegou a conhecer, mas de quem, segundo familiares, herdou as mãos escurecidas pelo trabalho.
Ao longo das quatro edições, o artesão formou uma clientela fiel, que já aguarda a Expointer para novas encomendas. "Eu venho carregado e volto pra casa com praticamente nada, e esse é o objetivo", diz. A preparação das peças leva cerca de três meses, e cerca de mil peças foram levadas à feira com a expectativa de serem todas vendidas, o que aconteceu nas outras edições de que Rossi participou.
Para Tailaine Cupsinski, de Santana do Livramento, esforço vale a pena pela exposição | Lívia Araújo/Especial/Cidades
Para Tailaine Cupsinski, de Santana do Livramento, esforço vale a pena pela exposição Lívia Araújo/Especial/Cidades
Ainda que custos logísticos, de estoque e providências burocráticas sejam desafios para produtores e artesãos, é um ponto em comum que estar na Expointer é uma oportunidade a não ser perdida. Para a viticultora Tailaine Cupsinski, que percorreu mais de 500km entre Santana do Livramento e Esteio com seu estoque de sucos e vinhos, “pra vir de longe a gente gasta bastante. Mas vale a pena expor os produtos que a gente se esforça para elaborar. Então, estar aqui já é um grande feito”, conclui.

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