Porto Alegre,

Publicada em 31 de Agosto de 2026 às 18:26

Criadores da Metade Sul do RS retomam protagonismo da lã na Expointer

Apelo à sustentabilidade valoriza venda da matéria-prima natural das ovelhas e faz produtores lucrarem mais com o produto

Apelo à sustentabilidade valoriza venda da matéria-prima natural das ovelhas e faz produtores lucrarem mais com o produto

Lívia Araújo/Especial/Cidades
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Lívia Araújo
Lívia Araújo Repórter
Criadores de ovinos da Campanha, da Fronteira Oeste e da região Sul do Rio Grande do Sul apostam na retomada do protagonismo da lã durante a Expointer, reunindo produtores de raças laneiras e de duplo propósito, como a Ideal e a Merino Australiana. O apelo da sustentabilidade e a valorização de uma matéria-prima de maior valor agregado se somam à produção de carne, que garante versatilidade e renda complementar às propriedades.
Criadores de ovinos da Campanha, da Fronteira Oeste e da região Sul do Rio Grande do Sul apostam na retomada do protagonismo da lã durante a Expointer, reunindo produtores de raças laneiras e de duplo propósito, como a Ideal e a Merino Australiana. O apelo da sustentabilidade e a valorização de uma matéria-prima de maior valor agregado se somam à produção de carne, que garante versatilidade e renda complementar às propriedades.
A retomada ocorre porque o mercado mundial passou a valorizar fibras naturais diante da preocupação ambiental com o descarte têxtil e o acúmulo de microplásticos, enquanto programas de certificação técnica melhoram a formação de preço da lã gaúcha. Para acompanhar a demanda por carne sem perder o potencial têxtil dos rebanhos, raças como a Ideal se consolidaram como de duplo propósito ao longo das últimas décadas.
Vice-presidente da Associação Brasileira de Criadores de Ideal (ABCI), o zootecnista Vlads Paim Miranda explica que a raça, de origem australiana, passou por adaptações desde os anos 1970, quando a expansão das lavouras de arroz e a chegada de raças de corte pressionaram a ovinocultura gaúcha. Hoje, diz, o objetivo é manter um animal de porte mediano, que produza lã fina sem perder volume de carcaça. "Não existe lã e carne na mesma bolsa, o propósito da raça Ideal é fazer o meio-termo", afirma.
Miranda destaca que a valorização recente é resultado de um mercado mais exigente com qualidade. A lã Ideal, negociada há pouco tempo na faixa de R$ 7 a R$ 8 o quilo, hoje chega a cerca de US$ 6,20 (cerca de R$ 32) no mercado uruguaio, primeiro destino de exportação da fibra produzida no Estado. O Rio Grande do Sul conta com cerca de 10 mil ovelhas Ideal registradas, com produção estimada em 300 mil quilos de lã por safra, concentrada em Alegrete e Sant'Ana do Livramento, na Campanha. "Agora temos que buscar uma produção maior, com uma qualidade maior, um produto com melhor rendimento", resume.
Já o criador Manoel Francisco Zirbes Rodrigues, à frente de uma cabanha com mais de 70 anos em Alegrete, na Fronteira Oeste, aposta na raça Merino Australiana. "É conhecido como o produtor da melhor lã, a maior qualidade de lã é dessa raça", diz. O quilo bruto é vendido entre R$ 30 e R$ 45, conforme a finura, com produção média de 3 a 5 quilos por ovelha; seu rebanho soma cerca de 2 mil quilos de lã por ano.
O Programa de Certificação da Lã Gaúcha, conduzido pela Associação Brasileira de Criadores de Ovinos (Arco), já certificou quase 600 mil quilos de lã em quatro safras: 120.130 quilos em 2022/23, 190.661 em 2023/24, 139.116 em 2024/25 e 121.523 em 2025/26. Em 2024, propriedades certificadas registraram alta de 52,8% no valor líquido da lã e de 65,1% na receita por ovelha ante o ano anterior. Os preços de referência variam conforme a micronagem, de US$ 10 por quilo para lã de 18 micra a US$ 2,40 para 31 micra.
A ABCI também leva à Expointer uma linha de vestuário produzida com lã de ovelha, no seu estande. A entidade promove o Concurso Melhor Velo Industrial, prova de esquila que avalia quantidade, qualidade e rendimento da lã após a lavagem, com julgamento de jurados uruguaios e que acontecerá nesta quarta-feira (2).
Por ter sangue Merino, a lã da raça Ideal atinge classificação de até 19 micras. Fibra proteica natural, a lã se decompõe em até dois anos e pode virar adubo orgânico, ao contrário do acrílico, sintético, que persiste por séculos e se fragmenta em microplásticos. A raça também garante volume maior de carne, com boa habilidade materna das ovelhas e alta sobrevivência dos cordeiros.

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