Durante a Expointer, centenas de pessoas também procuram pelas competições com cavalos, como o Freio de Ouro, para ver as disputas competitivas. São dezenas de provas diferentes, divididas pela raça do cavalo, como crioulo, mangalarga e árabe. Grande parte delas são finais de competições maiores e envolvem crianças, adolescentes e adultos. Todavia, entre os competidores, uma pequena parte são de mulheres que, apesar do aumento na participação, ainda são minoria.
Nesta edição, a prova mais conhecida do evento, a final do Freio de Ouro, contou com participação exclusiva de homens. Até esta edição, a competição recebeu apenas duas finalistas mulheres: Eliana Sussenbach Vaz e a uruguaia Soledad Ferreira. Ao todo, a Associação Brasileira de Criadores de Cavalos Crioulos (ABCCC) é responsável por três competições na Expointer, das quais apenas uma têm mulheres inscritas, a 3ª Supercopa Jovem, que ocorreu nesta quinta-feira (3). Foram 51 participantes no total, dos quais 18 são meninas, cerca de 35%. Na edição passada da Supercopa, em 2024, em torno de 39% das inscrições eram de mulheres.
Dado Azevedo, membro da diretoria da ABCCC, explica que o Freio de Ouro se tornou uma competição profissional, com etapas mais difíceis que podem afastar parte dos competidores. Segundo ele, há pouca procura feminina para competições com provas ligadas ao gado, como a paleteada e a prova de mangueira, por exigirem mais força física. "Provas com o gado exigem um pouco mais de força do ginete e por isso pode dificultar. Há mais procura feminina por outras categorias, como o Freio do Proprietário, que não envolvem outros animais além do cavalo", afirma.
Ao mesmo tempo, Azevedo afirma que a associação não planeja criar provas exclusivamente femininas por prezarem pela igualdade entre competidores. Para ele, realizar provas voltadas para o público feminino não necessariamente incentivaria sua participação, mas tiraria a oportunidade de ginetes mulheres competirem de igual para igual com homens.
Entre as 18 meninas inscritas na 3ª Supercopa Jovem está a pelotense Joana Zambrano, de 14 anos. Ganhadora do Freio de Ouro Jovem na categoria feminina em 2025, ela herdou de sua família a paixão por cavalos. Segundo ela, ainda antes dos 7 anos, realizava provas junto ao seu pai e quando completou a idade necessária para competições infantis, passou a competir por conta própria.
Joana Zambrano compete desde criança, motivada pelo pai e pelo avó. Na Expointer, a ginete faz parte das 18 mulheres inscritas na Supercopa Jovem
Fernanda Davoglio/Divulgação/Cidades
A primeira colocação em sua modalidade no Freio Jovem foi o que garantiu sua participação para a Supercopa, a qual acontece a cada dois anos. Para ela, mesmo sendo minoria, poder competir em modalidades mistas é motivo de orgulho e prova que "o mundo dos cavalos é para todos".
Segundo Joana, a falta de presença feminina não é exclusiva de provas na Expointer. Mesmo em provas fora do Rio Grande do Sul, como em São Paulo ou Rio de Janeiro, a ginete percebe o baixo número de competidoras mulheres. Entretanto, para ela, isso não afeta o seu desempenho porque, acima de tudo, deve focar em dar o seu melhor na pista. "Foco em mim e não contra quem estou competindo, homens ou mulheres. Por exemplo, este ano participei e ganhei na marcha de resistência e a maior parte dos participantes eram homens, apenas 10 ou 12 eram mulheres em um conjunto de 80 participantes. Mas, no final, eu sempre lembro que, independente das pessoas que estão correndo, eu preciso dar o meu melhor", conta.
Já Laura Fonseca, ginete de Porto Alegre, competiy contra cerca de outras 40 mulheres na Prova Feminina Combinada, com cavalos árabes. A prova é realizada pela Associação Gaúcha do Cavalo Árabe (AGCA) e acontece desde 2006, devido a procura de mulheres por competições. Na Expointer, acontecem as etapas finais da competição, com provas de velocidade.
Laura compete desde a infância, apoiada por parentes já experientes nas competições. Com 19 anos, a ginete cursa Medicina Veterinária, enquanto treina para as provas aos finais de semana. Segundo ela, competir majoritariamente com homens mais velhos a motiva. "Fico feliz quando eu consigo ter uma boa performance em competições das quais tem muita gente que vive de competir. Eu conseguir fazer uma boa prova, me deixa orgulhosa de mim, do meu cavalo e do nosso trabalho, porque conseguimos bater de frente", conta. Ainda, para ela, o que importa na competição não é necessariamente a força física da ginete e sim sua conexão com o cavalo.
Outras modalidades de prova, como as com cavalos mangalarga contam com 10 participantes femininas, de 40 ginetes no total. Um aumento de sete inscrições comparadas ao ano passado. Para Azevedo, a presença de mulheres em competições tem aumentado devido ao apoio de pais que levam suas filhas para competir com eles. Segundo ele, as provas são um local familiar e, por isso, a paixão por hipismo tem passado cada vez mais de pais para filhos.