Lúcia Brunelli, Lea Jankovska e Andrea Vincze. Estes são apenas três dos diversos nomes que formam a 22ª edição do Festival Internacional de Folclore de Nova Prata. Neste ano, com o tema “pão e rosas”, o evento busca rememorar a luta pelos direitos das mulheres e destacar não só a necessidade de igualdade, mas também a de trazer a presença feminina em movimentos culturais. Nesta edição, mulheres de todo o mundo participam de todas as partes do festival, desde a organização, com a organizadora e coreógrafa brasileira, Lúcia Brunelli, em grupos de dança folclóricos internacionais, com a dançarina Lea Jankovska da Macedônia do Norte, e até do júri, com a húngara Andrea Vincze.
O festival transforma a cidade em um ponto de encontro para oito grupos de dança internacionais e outros sete grupos nacionais. Durante cinco dias, de 2 a 6 de setembro, Nova Prata terá uma programação cultural extensa, com apresentações gratuitas na Praça da Bandeira e espetáculos no Ginásio Alcides Tarasconi para o Campeonato Mundial de Danças Folclóricas da Federation of International Dance Festivals (FIDAF). Ao mesmo tempo, também serão realizadas feiras gastronômicas, de artesanato, da agroindústria e do livro no centro do município.
O tema “pão e rosas”, conta Brunelli, perpassa por todos os setores do festival. Mesmo que ele não influencie a escolha dos grupos internacionais ou as apresentações de danças, o tema é tratado na decoração do evento, na escolha de autoras destacadas na feira do livro e em toda a ambientação da cidade. Segundo ela, o título desta edição faz referência à lenda portuguesa “O Milagre das Rosas”, a um poema de James Oppenheim e à greve das operárias têxteis em Massachusetts. A ideia é relembrar a luta feminista por direitos iguais junto à necessidade de levar lazer e cultura a trabalhadores, explica.
“O tema se baseia na lenda do Milagre das Rosas, uma tradição histórico-religiosa portuguesa que dá início à idealização da mulher caridosa que leva pães aos pobres. Ao mesmo tempo, esta lenda tem muito a ver com o movimento feminista “pães e rosas”, o qual pediu pelo manifesto dos direitos trabalhistas e civis das mulheres. O nome do movimento surge tanto da lenda quanto do poeta americano James Oppenheim, o qual escreveu que corações não se formam só de pão, mas também de rosas”, conta a organizadora.
De acordo com Brunelli, as rosas significam a arte, o lazer, a cultura e a beleza, enquanto o pão significa a dignidade e melhores condições de trabalho. “Para termos uma vida plena enquanto mulheres trabalhadoras, as operárias da época do movimento reivindicavam as duas coisas, elas precisavam de salários melhores, mas também outras coisas que transformassem sua sobrevivência em algo belo”, afirma a coreógrafa.
Ainda, Brunelli destaca a importância do festival para a cidade. De acordo com ela, por Nova Prata ser a única cidade na América Latina a receber uma etapa do Campeonato Mundial de Danças Folclóricas da FIDAF, turistas procuram pelo município para acompanhar a programação. Na competição, participam os oito grupos internacionais, selecionados por terem ganho outros festivais da federação, que se apresentam no Ginásio Alcides Tarasconi e lotam o local nos cinco dias de evento.
Dançarina da Macedônia do Norte participa pela primeira vez
Grupo Ensemble Studio fez treinos cinco vezes por semana para participar do evento
Lea Jankovska/Divulgação/Cidades
O Festival Internacional de Folclore de Nova Prata receberá cerca de 500 dançarinos internacionais, que buscam pela vitória no Campeonato Mundial de Danças Folclóricas da FIDAF. Entre eles está Lea Jankovska, dançarina do Ensemble Studio Folklore da Macedônia do Norte há 10 anos.
A artista conta que participa desde a infância no grupo de dança folclórica como um hobby. Hoje, com 20 anos, Jankovska trabalha profissionalmente como optometrista, realizando exames oculares e prescrições médicas. Foi como dançarina que pôde viajar o mundo e conhecer diferentes culturas.
Desde o início de sua participação no grupo já conheceu diversos países como Coreia do Sul, Emirados Árabes, Espanha e conhecerá o Brasil pela primeira vez pelo festival de Nova Prata. "Eu danço neste grupo há mais de 10 anos e preciso dizer, este é um dos festivais mais importantes que vamos participar.", conta.
Para o festival, o Ensemble Studio Folklore vem intensificando sua rotina de treinos. O grupo realiza treinos cinco vezes por semana por cerca de uma hora,. Para ela, o festival é uma chance de poder manter a dança folclórica viva."Como um país menor e menos conhecido, é importante representarmos a Macedônia do Norte para que mais pessoas conheçam o quão bonita nossa cultura é", afirma Jankovska.
Jurada do campeonato valoriza autenticidade das apresentações
Jurada da Hungria realizará sua segunda participação no festival
Andrea Vincze/Divulgação/Cidades
Além de dançarinos, turistas, coreógrafos e organizadores, o Festival Internacional de Folclore de Nova Prata também reúne jurados internacionais para julgar técnica, figurino, música, coreografia e, acima de tudo, autenticidade. Entre os jurados, está Andrea Vinzce, representante nacional da Fidaf para a Hungria, que explica os principais fatores para levar em consideração em uma coreografia e apresentação de dança folclórica.
Segundo ela, hoje os grupos não devem só representar suas culturas e sua história por meio da dança, mas também, de certa forma, adaptá-las para o século 21. "Os grupos apresentam várias peças de dança em frente ao público, para que eles possam mostrar o seu melhor talento, e não só por meio das coreografias, mas também mostrando como eles podem adaptar sua herança folclórica no palco, no melhor estilo do século XXI ", explica.
Ainda, a jurada destaca que, ao julgar os competidores, ela procura ser mais crítica em pontos diferentes para cada grupo, de acordo com suas especialidades. Isto é, caso o grupo foque mais na técnica do que na criatividade, Vinzce avaliará mais os termos técnicos. O mesmo caso o grupo procure fazer uma coreografia que preza mais pela autenticidade do que pela técnica.