A Unisinos lançou, nesta quinta-feira (27), o Observatório da Escola de Gestão e Negócios (EGN) e seu primeiro produto, o Radar RS – Radar de Desempenho Municipal, ferramenta que reúne dados de 497 municípios gaúchos em uma única plataforma. Desenvolvido pelo Núcleo de Excelência Competitividade, Economia Regional e Internacional (CEI) da Unisinos, o Radar cruza 41 indicadores distribuídos em seis dimensões — saúde, educação, segurança pública, socioeconômica, meio ambiente e finanças públicas — para diagnosticar o desempenho de cada município e apontar onde estão concentradas suas principais fragilidades e potencialidades.
Um dos principais diferenciais da ferramenta é contextualizar cada município em relação à mediana de sua própria Região Funcional de Planejamento (RF), e não a um ranking estadual único. O Radar se baseia na divisão do RS em nove RFs, que agrupam os 28 Conselhos Regionais de Desenvolvimento (Coredes) segundo critérios de semelhança econômica, social e ambiental. Segundo o coordenador do CEI, Marcos Lélis, essa escolha evita distorções que apareceriam ao colocar lado a lado municípios de perfis muito diferentes. "O radar funciona como uma lanterna: ele aponta onde estão os problemas e, a partir daí, é preciso aprofundar a investigação", resumiu o pesquisador.
Segundo Lélis, a ideia da ferramenta surgiu a partir de um projeto de planejamento territorial do BRDE para o Rio Grande do Sul, quando pesquisadores do CEI perceberam a falta de instrumentos próprios para os municípios acompanharem sua posição em relação a outras cidades da região. A equipe levou cerca de oito meses para estruturar a metodologia e consolidar a base de dados do Radar.
A ferramenta também pondera os resultados pelo porte populacional de cada cidade, permitindo verificar se o desempenho está acima, dentro ou abaixo do esperado para aquele número de habitantes. A coordenadora do curso de Ciências Econômicas da Unisinos, Camila Orth, destacou que esse ajuste é necessário porque municípios pequenos costumam concentrar as melhores posições no ranking, o que exige um filtro que mostre se o bom resultado se sustenta mesmo quando o tamanho da população é levado em conta. Segundo Lélis, cidades maiores tendem a ter uma gestão mais complexa, o que também é considerado nessa análise.
A decana da EGN, Patrícia Cabral, afirmou que o Radar é o primeiro produto do novo Observatório, criado para reunir pesquisas até então dispersas na Universidade e transformá-las em subsídio para decisões de gestores públicos, empresas e organizações. Segundo ela, o espaço não pretende substituir outras iniciativas acadêmicas, mas funcionar como ponto de conexão entre pesquisadores de diferentes áreas a partir dos dados levantados na plataforma.
Além da comparação regional, o Radar disponibiliza o valor original de cada indicador, sua fonte e a série histórica dos últimos cinco anos. Segundo a Unisinos, essa rastreabilidade é um dos pilares metodológicos da ferramenta, já que todos os dados têm origem em bases públicas.
Os dados do Radar serão atualizados anualmente, e a expectativa da Universidade é que o Observatório passe a produzir também boletins temáticos, relatórios e dashboards derivados das informações levantadas pela plataforma. O lançamento reuniu lideranças acadêmicas e regionais e contou com apoio do Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo Sul (BRDE). O acesso à ferramenta é gratuito e pode ser feito pelo endereço radar-cei.pages.dev.