Um dos cartões-postais mais icônicos de Santa Maria está um passo mais perto de reabrir suas portas à comunidade. O Edifício João Fontoura Borges — conhecido como prédio da antiga Sociedade União dos Caixeiros Viajantes (SUCV), que completa 100 anos de inauguração no mês de setembro — teve seu projeto executivo de restauro interno apresentado à prefeitura.
Elaborado pela empresa Edegar B. Luz - Consultoria e Projetos de Restauro LTDA, de Porto Alegre, o documento guiará a futura licitação da revitalização dos 1.719 metros quadrados que pertencem ao município. Os estudos começaram em fevereiro de 2024, tendo investimento de R$ 320 mil, oriundo de recursos próprios do Executivo.
Mais do que plantas arquitetônicas, o trabalho funciona como um verdadeiro resgate arqueológico. Para elaborar os projetos estruturais e de engenharia, a equipe de arquitetos restauradores realizou prospecções minuciosas dentro do edifício de cinco pavimentos, que hoje se encontra interditado por problemas físicos e elétricos.
O diagnóstico envolveu a análise química das argamassas originais, testes de umidade nas estruturas e mapeamento das cores primárias das paredes e esquadrias de portas e janelas. Entre as diretrizes técnicas estabelecidas pelo estudo, está a preservação e a manutenção das características originais do elevador do prédio, considerado o mais antigo de Santa Maria.
As prospecções seguem em análise pelas equipes técnicas da prefeitura. O projeto definitivo deverá ser remetido ao município nas próximas semanas, englobando projetos complementares (elétricos e hidráulicos), memorial descritivo, orçamento e detalhamentos de acessibilidade (como a instalação de uma plataforma elevatória no acesso principal e a modernização do elevador). Somente após essa aprovação interna, o documento servirá como termo de referência base para o edital de licitação da obra.
Tombada como patrimônio histórico de Santa Maria (fachadas externas) desde 1993, a edificação com fortes influências das correntes Art Nouveau (especialmente no ferro forjado e em detalhes ornamentais internos) e do Neoclassicismo é um marco da identidade cultural da cidade. Foi construída entre 1923 e 1926 — com a pedra fundamental assentada em 20 de dezembro de 1922 — e inaugurada oficialmente em 20 de setembro de 1926. O nome dado ao edifício, João Fontoura Borges, é uma homenagem ao presidente da entidade na época.
Desapropriado pelo município em 2011, o prédio abrigou o Gabinete do Prefeito a partir de 2012, centralizando o Poder Executivo. Posteriormente, sediou a secretaria de Educação e, mais recentemente, entre 2017 e 2020, o andar térreo superior e as salas receberam a secretaria de Cultura, Esporte e Lazer, até o imóvel ser interditado devido aos riscos nas instalações elétricas e problemas na cobertura.