Porto Alegre,

Publicada em 20 de Agosto de 2026 às 12:47

Cheia do Rio Jaguarão mobiliza freeshops e prefeituras na fronteira

Em Río Branco, do lado uruguaio, parte das lojas do centro foi atingida pelas águas do rio Jaguarão

Em Río Branco, do lado uruguaio, parte das lojas do centro foi atingida pelas águas do rio Jaguarão

Município de Río Branco/Divulgação/Cidades
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Lívia Araújo
Lívia Araújo Repórter
O nível do Rio Jaguarão, na fronteira do Brasil com o Uruguai, baixou seu nível para 4,50m na manhã desta quinta-feira (20), segundo informações da Defesa Civil de Jaguarão. Ainda assim, as chuvas que seguem caindo ainda mobilizam comerciantes de freeshops e autoridades dos lados brasileiro e uruguaio. 
O nível do Rio Jaguarão, na fronteira do Brasil com o Uruguai, baixou seu nível para 4,50m na manhã desta quinta-feira (20), segundo informações da Defesa Civil de Jaguarão. Ainda assim, as chuvas que seguem caindo ainda mobilizam comerciantes de freeshops e autoridades dos lados brasileiro e uruguaio. 
A oscilação ocorre após dias de chuva intensa na região. De acordo com a Metsul, o Uruguai acumulou mais de 300 milímetros de chuva entre sábado e quarta-feira, com destaque para Río Branco, vizinha a Jaguarão, onde choveu 230 mm. O fenômeno resultou da permanência de um sistema meteorológico estacionário entre o Uruguai e o Rio Grande do Sul, alimentado por ar quente e úmido vindo do Norte. O Inumet, órgão uruguaio, mantém alerta amarelo para chuvas entre 40 mm e 60 mm nesta quinta-feira para Río Branco, e a Rede de Monitoramento Hidrometeorológico do RS prevê mais 20 mm ao longo do dia em Jaguarão.
O secretário de Planejamento e Urbanismo de Jaguarão, Luiz Carlos Barreto, afirmou que a cheia afeta diretamente a economia do município, ligada ao fluxo de turistas que atravessam a fronteira para os freeshops. Segundo ele, rede hoteleira, pousadas, postos de combustível, restaurantes e lancherias sentem os efeitos da queda no movimento, assim como o comércio e os serviços informais, cuja dimensão ainda não é possível quantificar. Barreto citou também o aluguel de veículos usado para levar turistas ao Uruguai, o comércio ribeirinho e as peixarias próximas ao rio, que foram atingidas pelas águas, além do comércio informal. "Eu não vou te dizer que está um caos, porque isso é muito forte", disse o secretário, ao descrever os desdobramentos do desastre.
Barreto relatou ainda destruição na zona rural, onde a queda de um pontilhão e danos a estradas dificultam o acesso e o abastecimento do comércio local. A Prefeitura decretou situação de emergência e trabalha no preenchimento do Formulário de Informações de Desastre (Fide), documento que permite registrar danos materiais e ambientais junto à Defesa Civil Nacional. Na noite da quarta-feira, em reunião com prefeitos de municípios da região Sul do RS, o órgão definiu que terá dois postos na região, um em Pelotas, e outro na própria Jaguarão.
Prefeitura de Jaguarão decretou situação de emergência devido aos estragos da chuva | Mayara Roldan/Prefeitura de Jaguarão/Divulgação/Cidades
Prefeitura de Jaguarão decretou situação de emergência devido aos estragos da chuva Mayara Roldan/Prefeitura de Jaguarão/Divulgação/Cidades

Donos de freeshops em Jaguarão relatam apreensão com possibilidade de alagamentos

A postura diante das chuvas varia entre os comerciantes dos dois municípios. Do lado brasileiro, o empresário Marcos Caraballat, dono do Free Shop Caraballat, relatou apreensão com a possibilidade de uma cheia histórica semelhante à de 1984, caso as chuvas se intensifiquem nos próximos dias. Segundo ele, a zona comercial de Jaguarão teve acesso restrito por determinação da Prefeitura, e o comércio uruguaio segue fechado por falta de condições de acesso, com um pequeno número de lojas que foi atingida pelas áreas. "O que a gente tem medo é que venha mais água", relatou o empresário.
Já Marcelo Ramos, dono do Suzi Free Shop, em Río Branco, adotou tom mais otimista, ao afirmar que o comércio da cidade está habituado a cheias recorrentes e que a maioria das lojas segue funcionando, ainda que com restrições pontuais de acesso. "Isso aqui é corriqueiro, o comércio se adapta, nenhum fecha. A economia não está dando essa trégua", afirmou, opinando que é importante manter uma postura positiva.
Em Río Branco, a prefeitura local contabilizava, na noite de quarta-feira (19), 132 pessoas evacuadas, entre 52 abrigadas no ginásio da UTU e cerca de 80 em casas de familiares ou conhecidos.

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