O nível do Rio Jaguarão, na fronteira do Brasil com o Uruguai, baixou seu nível para 4,50m na manhã desta quinta-feira (20), segundo informações da Defesa Civil de Jaguarão. Ainda assim, as chuvas que seguem caindo ainda mobilizam comerciantes de freeshops e autoridades dos lados brasileiro e uruguaio.
A oscilação ocorre após dias de chuva intensa na região. De acordo com a Metsul, o Uruguai acumulou mais de 300 milímetros de chuva entre sábado e quarta-feira, com destaque para Río Branco, vizinha a Jaguarão, onde choveu 230 mm. O fenômeno resultou da permanência de um sistema meteorológico estacionário entre o Uruguai e o Rio Grande do Sul, alimentado por ar quente e úmido vindo do Norte. O Inumet, órgão uruguaio, mantém alerta amarelo para chuvas entre 40 mm e 60 mm nesta quinta-feira para Río Branco, e a Rede de Monitoramento Hidrometeorológico do RS prevê mais 20 mm ao longo do dia em Jaguarão.
O secretário de Planejamento e Urbanismo de Jaguarão, Luiz Carlos Barreto, afirmou que a cheia afeta diretamente a economia do município, ligada ao fluxo de turistas que atravessam a fronteira para os freeshops. Segundo ele, rede hoteleira, pousadas, postos de combustível, restaurantes e lancherias sentem os efeitos da queda no movimento, assim como o comércio e os serviços informais, cuja dimensão ainda não é possível quantificar. Barreto citou também o aluguel de veículos usado para levar turistas ao Uruguai, o comércio ribeirinho e as peixarias próximas ao rio, que foram atingidas pelas águas, além do comércio informal. "Eu não vou te dizer que está um caos, porque isso é muito forte", disse o secretário, ao descrever os desdobramentos do desastre.
Barreto relatou ainda destruição na zona rural, onde a queda de um pontilhão e danos a estradas dificultam o acesso e o abastecimento do comércio local. A Prefeitura decretou situação de emergência e trabalha no preenchimento do Formulário de Informações de Desastre (Fide), documento que permite registrar danos materiais e ambientais junto à Defesa Civil Nacional. Na noite da quarta-feira, em reunião com prefeitos de municípios da região Sul do RS, o órgão definiu que terá dois postos na região, um em Pelotas, e outro na própria Jaguarão.
Prefeitura de Jaguarão decretou situação de emergência devido aos estragos da chuva
Mayara Roldan/Prefeitura de Jaguarão/Divulgação/Cidades
Donos de freeshops em Jaguarão relatam apreensão com possibilidade de alagamentos
A postura diante das chuvas varia entre os comerciantes dos dois municípios. Do lado brasileiro, o empresário Marcos Caraballat, dono do Free Shop Caraballat, relatou apreensão com a possibilidade de uma cheia histórica semelhante à de 1984, caso as chuvas se intensifiquem nos próximos dias. Segundo ele, a zona comercial de Jaguarão teve acesso restrito por determinação da Prefeitura, e o comércio uruguaio segue fechado por falta de condições de acesso, com um pequeno número de lojas que foi atingida pelas áreas. "O que a gente tem medo é que venha mais água", relatou o empresário.
Já Marcelo Ramos, dono do Suzi Free Shop, em Río Branco, adotou tom mais otimista, ao afirmar que o comércio da cidade está habituado a cheias recorrentes e que a maioria das lojas segue funcionando, ainda que com restrições pontuais de acesso. "Isso aqui é corriqueiro, o comércio se adapta, nenhum fecha. A economia não está dando essa trégua", afirmou, opinando que é importante manter uma postura positiva.
Em Río Branco, a prefeitura local contabilizava, na noite de quarta-feira (19), 132 pessoas evacuadas, entre 52 abrigadas no ginásio da UTU e cerca de 80 em casas de familiares ou conhecidos.