O comércio e os serviços de Santa Vitória do Palmar, no extremo Sul do RS, podem acumular até R$ 20 milhões em prejuízos indiretos em decorrência do apagão provocado por um ciclone extratropical que atingiu o município em 6 de agosto de 2026, segundo o presidente da Associação Comercial e Industrial (ACI) de Santa Vitória do Palmar, Marco Petruzzi. Um levantamento preliminar da entidade já contabiliza cerca de R$ 8 milhões em perdas imediatas.
O temporal, com rajadas de vento de até 90 km/h, danificou torres de transmissão e deixou o município sem energia por mais de 110 horas, levando a Prefeitura a decretar Situação de Emergência – Nível II, na terça-feira (11). Segundo Petruzzi, os pequenos comércios de bairros e praias, sem capital para investir em geradores, foram os mais afetados, com perda de produtos perecíveis em mercados, padarias e açougues. De acordo com o dirigente, mais de 80 geradores foram vendidos no município durante a crise, e houve registros pontuais de aumento abusivo de preços, mas sem caráter generalizado.
A associação, que reúne cerca de 300 estabelecimentos comerciais, foi procurada pela Prefeitura para elaborar uma estimativa de danos a ser anexada ao pedido de reconhecimento da emergência. Petruzzi afirmou que os R$ 8 milhões correspondem às perdas mais diretas, como estoques e produtos perecíveis, enquanto o impacto indireto, que inclui a queda de vendas e redução de capital de giro dos estabelecimentos, pode chegar a R$ 20 milhões.
"Nós não vamos ter capital de giro para repor as nossas mercadorias", disse Petruzzi, ao citar que comerciantes também são prestadores de serviços e tiveram outras fontes de renda comprometidas pela falta de energia.
CEEE Equatorial e Axia Energia mobilizam cerca de 60 profissionais na reconstrução de duas torres da linha de transmissão que tombaram com ciclone
CEEE Equatorial/Divulgação/Cidades
Segundo o dirigente, empresas de maior porte, que em parte já contavam com geradores próprios, sofreram menos impacto nas vendas, mas tiveram aumento nos custos, caso do maior supermercado do município, que passou a gastar cerca de R$ 18 mil por período com óleo diesel para o gerador.
A Associação Comercial orienta os empresários a negociar prazos "ponto a ponto" com fornecedores e credores, além de lançar, com a Prefeitura, uma campanha de incentivo ao consumo local. "É para esse momento que a comunidade também se sensibilize e compre, de preferência, as nossas empresas e os nossos comerciantes locais", afirmou Petruzzi.
Segundo a assessoria de comunicação da CEEE Equatorial, o ciclone danificou 26 torres de transmissão que atendem Santa Vitória do Palmar e Chuí, das quais 24 pertencem à Axia Energia, e duas são da própria distribuidora. Duas delas ficam sobre a Lagoa Mirim, área que, segundo Petruzzi, foi contornada na construção da linha para preservar a Estação Ecológica do Taim. A reconstrução reúne cerca de 60 profissionais das duas empresas, e depende do clima para o uso de helicóptero no içamento das estruturas.
Para reduzir os impactos enquanto os reparos avançam, a distribuidora mobilizou 16 geradores, entre 30 e 550 kVA, distribuídos a serviços essenciais como hospital, escolas, postos de saúde e prédios públicos dos dois municípios, além de dois veículos com antenas Starlink para conectividade às prefeituras.
O presidente da ACI também afirmou que a Prefeitura estuda alternativas para evitar novos apagões, como baterias estacionárias junto a parques eólicos da região e fornecimento complementar de energia do Uruguai, pontuou.