Porto Alegre,

Publicada em 30 de Julho de 2026 às 17:38

Pet Terapia auxilia crianças e idosos em tratamentos longos de saúde

Mais de 700 pacientes internados no Hospital São Vicente de Paulo tiveram contato com animais desde o início do programa

Mais de 700 pacientes internados no Hospital São Vicente de Paulo tiveram contato com animais desde o início do programa

Camila Guedes /Divulgação/Cidades
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Maria Vitória Marca
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Em 2026, o projeto de terapia assistida por animais, ou pet terapia, da Universidade de Passo Fundo completa 10 anos. Em uma década, a iniciativa colaborativa entre a faculdade de veterinária da UPF e o Hospital São Vicente de Paulo atendeu mais de 700 pacientes em sessões com cães, ovelhas, porquinhos da índia ou até mesmo serpentes. Os atendimentos acontecem duas vezes por semana e são voltados para quem passa por tratamentos longos, em sua maioria crianças ou idosos, a fim de auxiliar na ansiedade, nos sentidos motores e na adesão do tratamento.  
Em 2026, o projeto de terapia assistida por animais, ou pet terapia, da Universidade de Passo Fundo completa 10 anos. Em uma década, a iniciativa colaborativa entre a faculdade de veterinária da UPF e o Hospital São Vicente de Paulo atendeu mais de 700 pacientes em sessões com cães, ovelhas, porquinhos da índia ou até mesmo serpentes. Os atendimentos acontecem duas vezes por semana e são voltados para quem passa por tratamentos longos, em sua maioria crianças ou idosos, a fim de auxiliar na ansiedade, nos sentidos motores e na adesão do tratamento.  
Criado em 2016, a pet terapia da UPF une estudantes da medicina veterinária com profissionais da saúde para criar uma interação descontraída entre o paciente e o animal terapeuta. Entretanto, a sessão de terapia é a última etapa de um longo processo. Primeiro, estudantes de veterinária, junto à coordenadora do projeto Giseli Ritterbush, analisam a saúde do animal, que passa por consulta, exames de sangue e vacinação. Também é analisado o comportamento do pet e caso apresente reatividade ou medo de estranhos ele não segue para a escala de sessões. Ainda, as duas equipes se juntam para entender a compatibilidade do animal escalado para a semana com os pacientes presentes no hospital. 
“A equipe do Hospital São Vicente de Paulo direciona quem são os pacientes que podem participar das nossas sessões. Então tem a liberação médica e a família do paciente assina um termo de consentimento para que ele participe. A partir daí, organizamos o encontro com o pet. Fazemos um cruzamento de informações entre o perfil do paciente e o terapeuta. Se é uma criança ativa escolhemos um pet disposto para brincar. Se for uma criança com um pouco mais de restrição de movimento, escolhemos um pet que seja mais calmo e vai ficar no colo recebendo carinho. Assim, temos o melhor aproveitamento da sessão, onde, além da socialização, o paciente e a família podem esquecer da doença, mesmo que por alguns minutos.”, conta a coordenadora. 
Durante estes dez anos mais de 50 animais atuaram como terapeutas, entretanto, hoje, o projeto conta apenas com cachorros. São 12 ao todo, escalados semanalmente para sessões de 45 minutos que acontecem nas quartas e sextas-feiras. Entre eles há filhotes, como o vira-lata Black de 9 meses, adultos, cachorros de grande porte, como o Galgo Inglês Óreo, de pequeno porte, como a Lulu da Pomerania Manteguinha, além de animais sem raça definida. Qualquer animal aprovado nas análises pode participar do projeto, explica a professora, para mais informações os tutores podem entrar em contato com a equipe do Hospital Veterinário pelo telefone (54) 3316 8163. 
Ao todo, já foram realizadas cerca de 1.300 sessões, em torno de 130 por ano. Neste período, o principal impacto da terapia nos pacientes tem sido a adesão ao tratamento, afirma Ritterbush. Pacientes que participam do projeto se mostram mais motivados a continuar com o tratamento, além de apresentarem melhora na ansiedade. Ainda, a professora explica que ao realizarem os encontros ao ar livre, eles geram um estímulo motor ao paciente e pode ser o principal exercício físico daquela criança ou idoso. 
“Pelas nossas observações, junto com pesquisas científicas, percebemos uma melhora significativa na ansiedade do paciente internado, também uma redução de dor, mais disposição e maior adesão aos tratamentos. Tudo em função desse momento de descontração e socialização com a equipe médica e com o animal terapeuta. Com a pet terapia, o paciente pode lembrar do cachorrinho que tem em casa, pode jogar bolinha, escovar o pêlo, pode andar pelo pátio. Com as sessões ao ar livre, conseguimos tirar o paciente do leito hospitalar para ver o sol e brincar com o cachorro, às vezes é o único estímulo motor que ele vai ter naquela semana. Este momento faz muita diferença para eles. Às vezes a criança está com dificuldade de se alimentar e quando sabe que vai ter sessão, ela almoça porque precisa estar forte para brincar com o cachorro de tarde. Eu entendo que a pet terapia ela não substitui o tratamento, mas potencializa o cuidado. Acredito que isso resume um pouco do que temos trabalhado nos últimos tempos”, ressalta a coordenadora. 

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Programa recebeu visita especial da Ovelha Chanel para sessões com pacientes da oncológia pediátrica

Programa recebeu visita especial da Ovelha Chanel para sessões com pacientes da oncológia pediátrica

Camila Guedes/Divulgação/Cidades
Em 10 anos de projeto, a pet terapia fez parte do tratamento de centenas de pacientes. . Entre elas, a professora Giseli Ritterbush destaca algumas que marcaram mais a equipe. 
Para Ritterbush, o relato mais marcante é de uma paciente adulta que já estava internada no local há 4 meses. Durante o período de tratamento, a paciente não se comunicava mais, nem com as filhas nem com a equipe médica. Assim, foi oferecida uma sessão de pet terapia na tentativa de motivá-la a continuar com o tratamento. A professora conta que no primeiro contato entre a paciente e o cachorro, ela começou a conversar com o animal. "Assim que ela viu o cachorro começou a conversar com ele. As filhas dessa paciente estavam acompanhando a sessão e se emocionaram muito, porque estavam há quatro meses sem ouvir a voz da mãe", conta.
Outra paciente que marcou a coordenadora do curso, foi a tutora da atual terapeuta Amora. Ela conta que a paciente finalizava seu tratamento de câncer, quando adotou uma cachorra vítima de maus tratos. Amora a acompanhou durante todo o seu tratamento e suas visitas ao hospital motivaram a tutora a continuar. "Quando convidamos a tutora da Amora para participar do projeto, ela ficou muito emocionada. Contou que a cachorra a ajudou muito a se recuperar durante o tratamento dela. Era a Amora que fazia com que ela tivesse ânimo de levantar para dar uma voltinha pelo pátio", relata a professora.
Ainda este ano, o projeto também contou com uma participação especial, da Ovelha Chanel, que possui mais de 700 mil seguidores no Instagram. Foram duas sessões especiais, realizadas com crianças da oncologia do hospital. Durante o encontro, os pacientes puderam brincar com a ovelha, alimentar, fazer carinho e também pentear o pelo dela.

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