O terreno escolhido para sediar o Parque Tecnológico de Santana do Livramento (Pates), que será construído com recursos de um convênio entre a Unipampa e o Mercosul, ocupa uma localização simbólica: fica a apenas 200 metros da linha divisória com Rivera, no Uruguai, em uma região central da cidade, próxima à Praça Internacional e vizinho ao Parque do DAE (Departamento de Água e Esgotos do município). Segundo o coordenador institucional do projeto, Rafael Schmidt, a proximidade não é acidental: o empreendimento busca fortalecer a integração econômica entre os dois países na fronteira.
Com 10.000 metros quadrados - 1 hectare - e doado pela prefeitura de Santana do Livramento à Universidade Federal do Pampa (Unipampa), o espaço vai abrigar uma edificação de 5.700 metros quadrados, projetada de forma verticalizada para otimizar o aproveitamento do terreno. "Vai haver todo um trabalho de paisagismo, de valorização ali", descreve Schmidt, que classifica o anteprojeto de engenharia já concluído como "muito bonito e icônico".
Estrutura terá 5.700m², em área de 1 hectare doada pela prefeitura de Livramento
Unipampa/Divulgação/Cidades
A iniciativa espelha um movimento que já avança do lado uruguaio da fronteira. Em 2021, Rivera criou por lei seu próprio parque tecnológico, que atualmente avança para a fase de implantação após concluir a etapa de projeto. Foi justamente esse avanço do vizinho que impulsionou as instituições brasileiras da região a buscarem um caminho equivalente. Como resume Schmidt, "o Uruguai conseguiu avançar", enquanto Santana do Livramento "ainda estava procurando formas" de acompanhar o desenvolvimento do lado uruguaio, até garantir, em 2024, o financiamento do Fundo de Convergência Estrutural do Mercosul (Focem).
Schmidt explica que a região já concentra um turismo de compras consolidado, com Santana do Livramento como o segundo destino turístico com maior fluxo de visitantes do Rio Grande do Sul, atrás apenas de Gramado. O desafio, segundo ele, é ampliar esse fluxo para outros segmentos: "que esse turista venha para valorizar, por exemplo, a enogastronomia, o turismo cultural, o turismo de natureza, o rural", explica. Esse cenário fez do turismo um dos três eixos prioritários definidos para o parque, ao lado da agroindústria e das energias renováveis — áreas que, para Schmidt, "são consideradas também vocações econômicas da região", mas que ainda demandam inovação e maior agregação de valor.