Porto Alegre,

Publicada em 16 de Julho de 2026 às 18:35

Parque Tecnológico de Santana do Livramento avança e mira inauguração em 2030

Projeto foi escolhido pelo Fundo de Convergência Estrutural do Mercosul para um financiamento de cerca de US$ 6 milhões

Projeto foi escolhido pelo Fundo de Convergência Estrutural do Mercosul para um financiamento de cerca de US$ 6 milhões

Unipampa/Divulgação/Cidades
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Lívia Araújo
Lívia Araújo Repórter
Um projeto que promete transformar a economia da fronteira entre Brasil e Uruguai ganhou fôlego nas últimas semanas. O Parque Tecnológico de Santana do Livramento (Pates) teve aprovação final do Mercosul para seu financiamento e agora entra na fase de elaboração do convênio entre a Universidade Federal do Pampa (Unipampa), o Governo Federal e órgãos do bloco regional. A expectativa é que a obra seja concluída até o fim de 2029, com inauguração prevista para o primeiro semestre de 2030.
Um projeto que promete transformar a economia da fronteira entre Brasil e Uruguai ganhou fôlego nas últimas semanas. O Parque Tecnológico de Santana do Livramento (Pates) teve aprovação final do Mercosul para seu financiamento e agora entra na fase de elaboração do convênio entre a Universidade Federal do Pampa (Unipampa), o Governo Federal e órgãos do bloco regional. A expectativa é que a obra seja concluída até o fim de 2029, com inauguração prevista para o primeiro semestre de 2030.
O projeto nasceu de um edital lançado em outubro de 2023 pelo Ministério do Planejamento, voltado a iniciativas brasileiras que disputassem recursos do Fundo de Convergência Estrutural do Mercosul (Focem). Em fevereiro de 2024, um grupo de instituições articuladas em torno do ecossistema de inovação local, com a Unipampa à frente, apresentou uma proposta. Dois meses depois, veio a resposta: entre 26 projetos inscritos no Brasil, apenas oito foram aprovados, e o Pates ficou em primeiro lugar. Para o coordenador institucional do projeto, Rafael Schmidt, o resultado teve peso especial: "nunca um projeto de universidade, em toda a história do Focen, em todos os países do Mercosul, havia sido selecionado", destaca, lembrando que o fundo é historicamente voltado a obras como estradas, a exemplo da rodovia Transcampesina, tocadas por governos estaduais e municipais.
Segundo Schmidt, o financiamento do Focem soma cerca de US$ 5,99 milhões, exigindo uma contrapartida de 15%, em torno de US$ 1 milhão. Como a Unipampa não dispõe desse orçamento, o suporte veio de parcerias: a prefeitura de Santana do Livramento sinalizou R$ 1 milhão para a contrapartida financeira e doou o terreno de 1 hectare onde o parque será erguido, a 200 metros da linha de fronteira com Rivera. "É simbólico, inclusive, porque é um parque tecnológico financiado pelo Mercosul, na fronteira dos dois países", observa o coordenador. A estrutura terá 5.700 metros quadrados, com projeto verticalizado e paisagismo.
Rafael Schmidt, coordenador do projeto, espera que parque traga impacto regional e transfronteiriço | Unipampa/Divulgação/Cidades
Rafael Schmidt, coordenador do projeto, espera que parque traga impacto regional e transfronteiriço Unipampa/Divulgação/Cidades
As áreas prioritárias de atuação do parque foram definidas após oficinas com diferentes atores da região: agroindústria, energias renováveis e turismo. "São considerados também vocações econômicas da região", afirma Schmidt, que cita o polo eólico local, já na terceira fase de ampliação, e o potencial do turismo de compras, hoje o segundo maior fluxo turístico do Rio Grande do Sul, atrás de Gramado.
Para o coordenador, o impacto vai além dos limites municipais. "A gente pretende que seja regional e também um impacto transfronteiriço", diz, comparando a iniciativa ao papel histórico do Mercosul como plataforma de internacionalização de empresas. A expectativa é reverter a fuga de jovens da região, fenômeno constatado pelo IBGE nas últimas duas décadas. "A gente tem uma fuga de cérebros do interior do estado como um todo", reconhece Schmidt, que vê no parque uma ferramenta de "fixação dos talentos".
Antes mesmo da conclusão da obra, ações paralelas já estão em curso: a Unipampa começa a estruturar uma incubadora de empresas e discute a criação de um escritório de captação de projetos. O governo do Estado, por meio do Fundo do Plano Rio Grande (Funrigs), já destinou R$ 5 milhões para a implantação do Centro de Inteligência Climática, iniciativa conjunta com a Universidade Federal de Santa Maria voltada ao monitoramento de eventos climáticos extremos na região.
O caminho não foi livre de obstáculos. Uma semana após a pré-seleção do projeto, em abril de 2024, as enchentes que atingiram o Rio Grande do Sul paralisaram os trabalhos por meses, enquanto instituições e governo se voltavam à resposta emergencial. Ainda assim, o detalhamento do projeto seguiu, com apoio do Ministério da Integração e Desenvolvimento Regional e do Fomplata, banco de desenvolvimento sul-americano.

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