A inclusão da Rodovia Transcampesina no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) passou a ser tratada como possibilidade concreta após uma reunião realizada em Brasília, no dia 20 de maio, entre prefeitos da região da Campanha e o ministro da Integração e do Desenvolvimento Regional, Waldez Góes. O encontro reuniu representantes do Consórcio Público Intermunicipal de Desenvolvimento Econômico dos Municípios da Bacia do Rio Jaguarão (Cideja), deputados federais e lideranças regionais para apresentar ao governo federal o andamento do projeto e defender a inclusão da obra entre os investimentos prioritários da União.
A articulação foi intermediada pelos deputados federais gaúchos Paulo Pimenta e Dionilso Marcon. Durante a audiência, os prefeitos exibiram vídeos sobre as condições das estradas atualmente utilizadas na região e destacaram o impacto da futura rodovia para pequenos produtores rurais e para a logística regional. Participaram da reunião os prefeitos de Aceguá, Marcus Aguiar; Hulha Negra, Fernando Campani; Candiota, Luiz Carlos Folador; Pedras Altas, Viviane Albuquerque; Ronaldo Madruga, de Pinheiro Machado, além do vice-prefeito de Bagé, Beto Alagia.
A Transcampesina é uma demanda defendida há mais de 15 anos por municípios da Campanha. O projeto prevê cerca de 162 quilômetros de extensão, ligando Aceguá, Hulha Negra, Candiota, Pedras Altas, Pinheiro Machado, Herval e Bagé, conectando a fronteira com o Uruguai aos municípios da Campanha gaúcha. Segundo as lideranças regionais, a rodovia deverá funcionar como corredor logístico para o escoamento da produção agropecuária, além de melhorar o deslocamento de moradores em áreas rurais.
Reunião com seis prefeituras da Campanha aconteceu no Ministério do Desenvolvimento Regional, com o ministro Waldez Góes
Prefeitura de Bagé/Divulgação/Cidades
Coordenador técnico do grupo responsável pelo projeto, o prefeito de Hulha Negra, Fernando Campani, afirma que parte da estrutura financeira já está assegurada por bancos ligados ao Mercosul. Conforme o gestor, o Fundo para a Convergência Estrutural do Mercosul (Focem) financiará o projeto executivo e a execução da obra, enquanto o Fonplata custeia o anteprojeto e os estudos técnicos de viabilidade sem necessidade de reembolso. "Em 60 a 90 dias, o anteprojeto deve estar concluído e, a partir disso, vamos para a licitação do projeto executivo junto com a execução da obra", prometeu Campani.
O primeiro trecho previsto contempla aproximadamente 52 quilômetros entre Aceguá e Hulha Negra, passando pela região da Colônia Nova até a entrada de Candiota. Segundo Campani, o traçado atravessa áreas de agricultura familiar e pequenas propriedades rurais. Outro segmento, entre Candiota e Herval, deve contar com financiamento internacional do CAF e recursos da bancada gaúcha. Já o trecho complementar até Bagé, pontua Campani, poderá ser contemplado pelo PAC, após a articulação do Cideja.
O vice-prefeito de Bagé, Beto Alagia, afirma que a estimativa de custo da obra gira em torno de R$ 200 milhões. Segundo ele, a inclusão no PAC é considerada decisiva para garantir a execução integral da rodovia. "O ministro pediu que os prefeitos encaminhassem os projetos ao ministério, e a expectativa é de inclusão no PAC. Saímos de Brasília bastante otimistas", declarou.
A proposta apresentada ao ministério destaca três argumentos centrais para justificar a obra, segundo Campani. O primeiro é o impacto econômico regional, especialmente para cadeias produtivas como leite, soja, milho e arroz, que enfrentam dificuldades de escoamento em períodos de chuva devido às estradas de terra. O segundo é a conexão logística com o Porto do Rio Grande e com a fronteira uruguaia. O terceiro é o potencial de integração internacional da região a rotas bioceânicas ligadas à Argentina e ao Chile. "A Transcampesina muda a vida da região literalmente da noite para o dia", pontuou Campani. "Ela permite uma integração econômica regional, fortalece a conexão internacional e cria um eixo estratégico de desenvolvimento."
Atualmente, a estrada já é utilizada diariamente por produtores rurais, caminhões de transporte de grãos e leite, ônibus escolares e moradores do interior. Em Hulha Negra, segundo Campani, mais de 300 crianças dependem diariamente do trajeto para chegar às escolas. A expectativa dos municípios é iniciar a execução dos primeiros trechos já em 2027 e consolidar, até 2030.