Jornal Cidades - Qual foi a motivação da Círculo Saúde em assumir a gestão do Hospital de Guaíba?
Leno Almeida - Nós somos uma instituição de 92 anos, que hoje atende mais de 150.000 pessoas no Rio Grande do Sul e quando olhamos para a oportunidade de abrir um hospital em Guaíba, olhamos para toda a Costa Doce. Assim, enxergamos a nova gestão como uma oportunidade de trazer o conhecimento que já aplicamos na Serra Gaúcha, no Litoral e na Região das Hortênsias para a Costa Doce, tanto com planos privados como por meio de parcerias com entidades públicas. É uma expansão dos nossos negócios, mas também, por sermos uma instituição sem fins econômicos, uma chance de levar mais cuidado e saúde para a população de Guaíba e arredores de grande Porto Alegre.
Cidades - Quais são os planos para o hospital?
Leno - A abertura do projeto será em fases. Obviamente, não vamos abrir o hospital na sua totalidade nesse primeiro momento, mas ele inicia em setembro com pronto atendimento 24 horas, sala de bloco cirúrgico, clínicas e com diagnóstico. Estimamos que com o crescimento da nossa carteira de clientes na região, já podemos iniciar em 2027, no primeiro semestre, a segunda fase, que é a abertura de mais salas de bloco cirúrgico e mais leitos.
Cidades - E quais serão as propostas de atendimento do hospital?
Leno - Nós somos uma instituição filantrópica, isto é, não somos nem 100% SUS, nem 60/40. Atendemos através da gratuidade. Então, 20% das nossas arrecadações em serviço de saúde são destinadas a atendimento ao SUS, porém é um serviço regulado. Então, estaremos à disposição do Governo do Estado e da prefeitura municipal para atender e ajudar a população, desafogar o SUS em eventuais filas na região.
Cidades - Qual foi o investimento para a reabertura do local? Como a empresa recebeu a estrutura do hospital?
Leno - Essa primeira fase vai custar em torno de R$8 milhões. Desde que assumimos a gestão, demorou um pouco mais para o início das obras acontecerem. O local ficou quatro anos fechado, muitas coisas não estavam funcionando mais, desde climatização, hidráulica, elétrica, equipamentos obsoletos que tivemos que pôr fora. Então, basicamente, o hospital passou por uma reforma de 100% da sua estrutura interna. Por fora, foi necessária pintura e restauração, mas internamente a estrutura requer muito cuidado. Em andares tínhamos enxames de morcego para ter uma ideia. Assim, foi preciso dedetizar todo hospital, trocar mobiliário, basicamente, está sendo feito um retrofit completo do hospital.
Cidades - Será necessário expansão da estrutura do hospital para o aumento de atendimentos no futuro?
Leno - A estrutura do hospital tem dois andares no que chamamos de material bruto, com oportunidade de expansão. Então, dos sete andares, dois ainda tem essa oportunidade de construção. Nesse momento, usaremos cinco andares para atendimento. Prevemos, num plano de negócio, que para as primeiras quatro fases precisamos utilizar a estrutura desses cinco andares apenas. Porém, ele tem essa capacidade que em um curto prazo podemos construir. Com uma obra rápida nos últimos dois andares planejamos expandir cada vez mais a capacidade. Então, sim, a estrutura hoje nos atende, mas temos também um plano de expansão futuro.
Cidades - Qual o plano de fases de negócios do Círculo Saúde?
Leno - Como somos uma operadora de saúde, a nova gestão foi pensada para crescermos nossa carteira de clientes no plano de saúde. Então, na primeira fase de abertura calculamos capacidade de atender entre 5 e 8 mil vidas e na fase dois até 12 mil pessoas, até chegarmos na fase quatro, com atendimento suficiente para 20 mil clientes, nos próximos 5 anos. Qualquer coisa acima disso, seria necessário expandir as operações, porque o hospital tem essa capacidade.
Cidades - O Círculo Saúde planeja expandir para mais municípios na Região Metropolitana?
Leno - Estamos sempre abertos a oportunidades, temos um know-how de mais de 90 anos. São poucas as instituições hoje no estado que tem essa idade. Já participamos de alguns chamados para assumir gestão de outros hospitais e sempre estaremos abertos a conversar para discutir possibilidades. Então temos interesse sim.