Porto Alegre,

Publicada em 30 de Junho de 2026 às 18:09

Soledade ganha protagonismo no mercado nacional de pedras preciosas

Município compra os minerais e os transforma em itens voltados para a exportação

Município compra os minerais e os transforma em itens voltados para a exportação

MARLUSA MARQUES/ESPECIAL/CIDADES
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Marlusa Marques
Marlusa Marques
O setor de gemas e pedras preciosas usadas para mineração é uma fonte tradicional da economia brasileira, o que garante a abertura de novas empresas ano a ano. O Sul do país é um polo histórico desse processo, enquanto Soledade, município da região Norte do Rio Grande do Sul, se consolida como o maior em termos de transformação e exportação de pedras preciosas e semipreciosas. Esse protagonismo ocorre graças a presença de indústrias que importam matéria-prima bruta de outras regiões e países, com foco em lapidar e revender os materiais transformados.
O setor de gemas e pedras preciosas usadas para mineração é uma fonte tradicional da economia brasileira, o que garante a abertura de novas empresas ano a ano. O Sul do país é um polo histórico desse processo, enquanto Soledade, município da região Norte do Rio Grande do Sul, se consolida como o maior em termos de transformação e exportação de pedras preciosas e semipreciosas. Esse protagonismo ocorre graças a presença de indústrias que importam matéria-prima bruta de outras regiões e países, com foco em lapidar e revender os materiais transformados.
Em 2025, Soledade passou a ser reconhecida como Capital Nacional das Pedras Preciosas, mas o título acompanha sua história bem antes desse reconhecimento nacional. O município conta com duas organizações de defesa do setor, a Associação de Pequenos Pedristas de Soledade (Appesol) e o Sindicato das Indústrias de Joalheria, Mineração, Beneficiamento e Transformação de Pedras Preciosas e Semipreciosas do Estado do Rio Grande do Sul (Sindipedras), comandadas por Marco Antônio Rodrigues de Oliveira e Gilberto Luiz Bortoluzzi, respectivamente.
Gilberto está à frente do sindicato há 12 anos e explica que ele conta com a presença de associados de todo o estado, que recebem desde suporte jurídico até suporte para logística dos materiais importados e exportados, conforme a necessidade de cada empresa. São pelo menos 300 empresas associadas entre Appesol e Sindipedras e cerca de três mil trabalhadores, somados os diretos e indiretos, que estão em Soledade graças ao setor. Ainda, segundo o Sindipedras, o município concentra um índice de 75% na taxa de exportação de minerais, embora esse número já tenha chegado a 90% em períodos anteriores.
Gilberto explica que a utilização das pedras varia bastante, uma vez que enquanto algumas são usadas para industrialização, outras servem para decorar e ornamentar ambientes. As ágatas seguem sendo as que mais se destacam no município e na região, sendo as primeiras a serem exploradas em Soledade desde o começo da mineração. “A mineração praticamente inexiste em Soledade atualmente, por ser muito pequena. O foco hoje está na indústria, no comércio e na exportação das pedras”, pontua Bortoluzzi.
Entre os processos de importação e exportação, ele salienta que as pedras importadas e/ou exportadas por Soledade são de países como China, Tailândia, Malásia, Índia, Uruguai, Argentina e Peru. Em termos de continentes, os que mais se destacam são América do Norte, Ásia e Europa. No Brasil, Minas Gerais, Bahia e Espírito Santo são os principais estados em que há esse tipo de comércio. Por sinal, não é incomum que os minerais percorram mais de um país, diante de um processo de venda e revenda, até que cheguem ao destino final.
Isso beneficia ambas as partes envolvidas, como acontece em Soledade, comenta Gilberto, já que o município muitas vezes compra pedras, especialmente ágatas, do município vizinho, Salto do Jacuí, assim como ametistas, citrinos, calcitas e gipsitas, vindas da região Noroeste do estado, de Ametista do Sul, enquanto quartzos e cristais chegam dos estados do Norte do Brasil. “Foi especialmente a partir dos anos 1990 que os empresários enxergaram com mais clareza a oportunidade de centralizar o mercado das pedras em Soledade. E o que se percebe hoje é que as pedras que chegam de outros lugares são usadas para muitas finalidades: para produção de joias ou então industrialização e comercialização do material bruto", explica o presidente do Sindipedras.
Ele comenta que, como são muitas funções envolvidas para dar suporte ao setor, isso gera empregos aqui e na região também, uma vez que muitas empresas de pequeno e médio porte trabalham para revender as peças fabricadas para empresas de grande porte da cidade e que, de certo modo, têm mais facilidade em negociar com compradores maiores. “A pedra é um produto que vende todo dia. Não é um produto sazonal, que demora três, seis meses para ficar pronto. E isso é o diferencial nesse setor. Além disso, a quantidade de empresas, indústrias e produtos que se tem em Soledade chama a atenção dos clientes. Isso acarreta em economia de tempo e facilidade nos negócios”, finaliza ele.
Esculturas são produzidas por pequenos negócios e repassados para venda | Marlusa Marques/DIVULGAÇÃO/CIDADES
Esculturas são produzidas por pequenos negócios e repassados para venda Marlusa Marques/DIVULGAÇÃO/CIDADES
O Valor Adicionado Fiscal (VAF) é o indicador responsável por analisar a composição dos índices da economia municipal, conforme explica a prefeitura de Soledade. Com base nessa estimativa, é possível apontar que o setor de pedras preciosas e semipreciosas vem diminuindo a participação a cada ano. Ele representou 23,8% desse valor em 2021; 17,0% em 2022; 16,7% em 2023; 14,4% em 2024 e 10,3% em 2025. Ainda conforme essa estimativa, baseada em valores absolutos, o setor movimentou cerca de R$ 136,5 milhões em 2025.
O ano de maior relevância econômica para o setor no município foi o de 2021, com um valor que superou os anos seguintes. Já o maior crescimento recente ocorreu entre 2023 e 2024, período em que o Valor Adicionado Fiscal do setor apresentou aumento de aproximadamente 5,8%, passando de R$ 168,5 milhões para R$ 178,3 milhões, fator que pode estar associado a retomada gradual da atividade de exportação, bem como a recomposição parcial dos mercados compradores e ao reaquecimento da demanda no segmento pós-pandemia.

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