Porto Alegre,

Publicada em 23 de Junho de 2026 às 17:50

Além da uva e do vinho: um raio-x do turismo de Bento Gonçalves

Município da Serra Gaúcha apresenta oportunidades no setor do enoturismo, mas também se destaca por receber visitantes em feiras de negócios, eventos corporativos e busca ganhar notoriedade internacional

Município da Serra Gaúcha apresenta oportunidades no setor do enoturismo, mas também se destaca por receber visitantes em feiras de negócios, eventos corporativos e busca ganhar notoriedade internacional

MIOLO/DIVULGAÇÃO/CIDADES
Compartilhe:
Carol Zatt
Carol Zatt Repórter freelancer
Referência como capital do setor vitivinícola e polo moveleiro do país, além de ter a economia industrial como expoente, Bento Gonçalves é um destino turístico reconhecido por visitantes brasileiros e do continente sul-americano. O município da Serra Gaúcha tem atrações para todos os gostos e épocas do ano, embora os estabelecimentos estejam focados em receber a alta temporada no próximo mês. 
Referência como capital do setor vitivinícola e polo moveleiro do país, além de ter a economia industrial como expoente, Bento Gonçalves é um destino turístico reconhecido por visitantes brasileiros e do continente sul-americano. O município da Serra Gaúcha tem atrações para todos os gostos e épocas do ano, embora os estabelecimentos estejam focados em receber a alta temporada no próximo mês. 
Segundo a secretaria de Turismo, o lazer ainda é responsável por levar mais de 90% das pessoas à região. A maioria dos turistas vem do próprio estado e de cidades do Sudeste brasileiro. Entre os visitantes estrangeiros, países vizinhos do Mercosul são os mais representados.
O enoturismo, naturalmente, aparece em destaque com o Vale dos Vinhedos (principal referência nacional do setor) e a rota Cantinas Históricas na região Norte da cidade, que apresentará um novo roteiro unificado em 1º de julho, mas a Igreja São Bento e o pórtico, ambos em formato de pipa, a Maria Fumaça, espetáculos como a Epopeia Italiana, o Caminhos de Pedra e a Via Gastronômica são outros atrativos. 
A cidade também é um destino importante de eventos corporativos, que mantêm os negócios fora da alta temporada, e de feiras como a Expobento, Fenavinho, Movelsul, Feira Internacional de Fornecedores da Cadeia Produtiva de Madeira e Móveis (Fimma), dentre outros. Maior evento multissetorial do país, com 520 marcas expositoras participantes, a 34ª ExpoBento e a 21ª Fenavinho chegaram ao fim em 14 de junho, somando mais de 282 mil visitantes (superando o público da edição anterior), alcançando movimentação superior a R$ 60 milhões.
O secretário municipal Henrique Nuncio destaca ainda o turismo de aventura, de esporte e religioso como possibilidades para atrair turistas. “Nós estimamos que o setor (de turismo) por si só represente um terço da economia, 32% a 35% do bolo econômico de Bento Gonçalves. Mas, com números, a gente não consegue precisar isso, porque a questão dos vinhos está muito ligada à indústria. Hoje, 70% das nossas vinícolas, as de médio e pequeno porte, têm no turismo a principal fatia do seu faturamento”, explica.
Nuncio avalia que, além da beleza natural e dos atrativos, os visitantes se encantam com a limpeza urbana, com a segurança e a baixa criminalidade. “É um dos fatores que mais impactam na decisão do destino turístico. Em Bento, o crime contra o turista é zero”, diz, enaltecendo o trabalho da Guarda Municipal de patrulhamento e de inteligência da secretaria de Segurança com o cercamento virtual.
Atualmente, a média de pernoite na rede hoteleira da cidade é de 2,15. Nuncio confirma que um dos focos da secretaria no momento é aumentar esse número. Segundo ele, não há competição por turistas com Gramado e Canela, por exemplo, pois ele entende que os destinos são complementares.
Para Maitê Dall’Onder Michelon, membro do Conselho de Turismo da Fecomércio-RS que respondeu à reportagem diretamente de um evento de hotelaria no Texas, é possível crescer muito. “Na verdade, a nossa grande dificuldade é promoção, tornar Bento e região mais conhecidas nacionalmente e internacionalmente. Esse é o nosso maior gargalo, porque é um destino estruturado, com hotéis, restaurantes, quatro estações do ano bem definidas, mais de 40 atrativos permanentes e experiências diversificadas para permanecer sete dias”, afirma.
Diretora do Bento e Região Convention & Visitors Bureau e da Rede Dall'Onder, Maitê narra que seu diferencial é ter um centro de eventos com hospedagem, capacidade para duas mil pessoas, um hotel em frente ao outro e ter uma ação comercial forte e proativa para já ter recuperado os parâmetros normais de movimento diante da enchente de 2024. “Realmente, fizemos um trabalho agressivo de promoção para captação de eventos e clientes para poder chegar a esse nível. Fizemos um esforço muito grande e conseguimos, mas o setor em si da região não voltou ainda à normalidade. Está perto disso, não está muito longe”, esclarece.
Reconhecida pela atuação em Gramado, outra rede hoteleira que opera na cidade, a Laghetto, chegou no município em 2011, motivada pelo reconhecimento como um destino estratégico na Serra Gaúcha. “A cidade já reunia indicadores relevantes para a hotelaria, como fluxo turístico consistente, vocação para o turismo de experiência, calendário de eventos, presença de feiras setoriais e forte conexão com o universo do vinho e da gastronomia. Esses fatores contribuíram para posicionar Bento como uma praça com potencial”, relata Paolla Vitaca, supervisora de marketing regional da rede. Em 2019, a Laghetto ampliou a presença com outra unidade na cidade. 

Notícias relacionadas