O prefeito de Santa Maria, Rodrigo Décimo, apresentou nesta sexta-feira (19) para lideranças locais e regionais as áreas que poderão receber o novo Aeroporto Regional de Santa Maria, durante um encontro realizado no LabCriativo.
O empreendimento deve custar entre R$ 200 milhões e R$ 300 milhões e tem como objetivo permitir a operação de aeronaves de maior porte na região central do Rio Grande do Sul, hoje limitada pela estrutura da pista compartilhada com a Base Aérea de Santa Maria, que funciona como o Aeroporto Regional Brigadeiro Cherubim Rosa Filho, no bairro Camobi. A escolha da área deve ocorrer até o fim deste ano, com início das obras previsto para 2029 e conclusão estimada para janeiro de 2032.
A motivação para o novo aeroporto está na limitação técnica da pista atual, dimensionada décadas atrás para receber caças, que são aeronaves leves, e hoje incompatível com jatos comerciais de maior porte, como o Boeing 737 e o Airbus A320. Atualmente, a operação civil em Santa Maria depende de aeronaves modelo ATR-72, de menor capacidade, o que encarece o custo por passageiro em rotas de maior distância. "É a mesma coisa que nós irmos de ônibus de Santa Maria a Porto Alegre, e ir de Kombi de Santa Maria a Porto Alegre", explicou Décimo, ao descrever a desvantagem econômica das aeronaves menores em rotas mais longas, em entrevista ao Jornal Cidades.
Pista do atual aeroporto, compartilhado com base da Aeronáutica, só tem capacidade para receber aviões de menor porte
Marcelo Oliveira/DIVULGAÇÃO/CIDADES
O cenário se agravou após o encerramento, em agosto de 2025, da rota entre Santa Maria e o Aeroporto de Viracopos, em Campinas (SP), operada pela Azul Linhas Aéreas. A companhia, em processo de recuperação judicial, comprometeu-se a reduzir em 30% sua malha no Brasil, afetando ao menos 19 cidades. A ligação com Florianópolis, da Voepass, também foi descontinuada após suspensão da companhia pela Anac por questões de segurança operacional.
Atualmente, Santa Maria conta apenas com voos regulares para Porto Alegre, três vezes por semana, com custo médio de R$ 530 por trecho. Apesar da redução da malha, o município já demonstrou potencial de mercado: entre 2021 e 2024, o movimento de passageiros cresceu quase 80%, passando de 25,9 mil para mais de 46 mil usuários por ano, segundo dados da apresentação da prefeitura.
Seis áreas estão em análise para receber empreendimento
Áreas potenciais para instalação do aeroporto foram examinadas por técnicos da SAC e do ITA durante a semana
Guilherme Brum/PMSM/Divulgação/Cidades
Diante das limitações da pista atual, a prefeitura chegou a estudar, junto à Secretaria de Aviação Civil (SAC), o reforço estrutural da pista compartilhada com a base aérea, opção orçada em cerca de R$ 150 milhões. A comparação com o custo de um aeroporto novo levou à decisão de avançar para um empreendimento independente. "Com o investimento desta montante, é melhor nós investirmos um pouco mais e fazermos um aeroporto civil", justificou Décimo.
A definição do novo local segue um processo técnico conduzido pela SAC em parceria com o Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA). Dentro de um raio de 43 quilômetros do centro de Santa Maria, foram identificadas inicialmente 36 áreas potenciais, das quais seis foram selecionadas como prioritárias após filtragem técnica.
As seis áreas — quatro na região Oeste, em direção a São Pedro do Sul; uma na região Sul, em Arenal; e outra na região Leste, no distrito de Arroio do Só — passaram por vistorias de campo entre os dias 15 e 18 de junho, com voos de drone, coleta de solo, inspeção visual e análise de impacto de trânsito. O relatório técnico consolidado deve ser entregue em setembro, e a escolha definitiva da área cabe ao município.
Segundo o prefeito, todas as seis áreas são tecnicamente viáveis, e a escolha final vai considerar também fatores locais, como compatibilidade com o plano diretor e proximidade de rodovias. "Pode ser que tecnicamente exista uma área que seja a melhor, mas que não esteja de acordo com o que o Plano Diretor enxerga como área de desenvolvimento. Então a gente pode escolher aquela que, quem sabe, não seja a melhor tecnicamente, mas que seja boa o suficiente", explicou Décimo.
O custeio da obra deve combinar recursos da própria SAC com articulação política junto ao governo federal, em parceria com prefeitos da região central e lideranças empresariais — movimento que motivou a reunião desta sexta-feira. De acordo com Décimo, o maior impacto no custo da obra é o de terraplanagem, e a variação no valor se dará a depender da área escolhida, que poderá demandar mais ou menos intervenções no terreno.
Segundo o cronograma apresentado pela prefeitura, a etapa de estudo de áreas e priorização já está em curso desde novembro de 2025 e segue até setembro deste ano; a escolha da área pelo município ocorre entre outubro e dezembro de 2026; e etapas como estudo de viabilidade técnica e ambiental, licenciamento, desapropriação de áreas e projeto básico se estendem até 2029, quando a execução da obra deve começar, com conclusão prevista para janeiro de 2032.