Desde criança, o proprietário da Bella Mata Apiário e Meliponário, Vinícius Gomes, faz parte do mundo das abelhas. Em 2002, participou pela primeira vez de um seminário de apicultura e meliponicultura, aos 14 anos. Hoje, aos 38, cria 15 espécies de abelhas nativas e preside a Associação de Apicultores e Meliponicultores de Caraá (Apimel Caraá), no Litoral Norte gaúcho. Foi lá que ocorreu, nesta quarta-feira (17), o primeiro envase de mel de abelhas-sem-ferrão 100% realizado no Rio Grande do Sul. E esse primeiro lote, primeiro beneficiamento com inspeção federal do produto, que vai acontecer depois da autorização do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), pertence a Gomes.
Gomes possui uma média de 350 colmeias em produção em uma área de mata nativa de mais de 60 hectares. "A produção anual de mel de abelhas nativas ultrapassa 250 quilos. E agora vou poder aumentar a produção, montar novos meliponários", conta com alegria. "Estamos fazendo história, colocando a meliponicultura em um novo patamar, e a nossa associação está aberta a novos sócios que queiram se regulamentar", convida Gomes.
Vinícius Gomes afirma que produção anual de mel de abelhas nativas ultrapassa 250 quilos
VINICIUS GOMES/ARQUIVO PESSOAL/CIDADES
A meliponicultura, ou criação de abelhas-sem-ferrão, é uma atividade essencialmente ligada à agricultura familiar no Rio Grande do Sul, com 60% das propriedades rurais com menos de 11 hectares e 61% dos meliponicultores com Declaração de Aptidão ao Pronaf (DAP). Estes e outros dados foram levantados por pesquisa realizada pelo Departamento de Diagnóstico e Pesquisa Agropecuária da Secretaria da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação, em parceria com a Emater/RS-Ascar.
Segundo a publicação, a meliponicultura é uma atividade desenvolvida por 16.209 famílias gaúchas, seja para autoconsumo, exploração comercial ou apenas com a presença de colônias nas propriedades rurais. A maior concentração de famílias está localizada na mesorregião Noroeste Rio-grandense, que já possui uma tradição e destaque de longa data na produção de mel de Apis mellifera.
Na prática da meliponicultura, a atividade que envolve o maior número de famílias é a coleta de mel, registrada em mais de 80% dos estabelecimentos, e a produção de colmeias, que envolve 57% dos meliponicultores. Destacam-se também atividades como educação ambiental (37%), polinização (35%), coleta de própolis (27%) e paisagismo (28%). Entre os que coletam mel, a média de produção é de 22 quilogramas por ano, com uma coleta anual, normalmente.
Os maiores benefícios da atividade, na opinião de meliponicultures e extensionistas, são a contribuição dos meliponíneos na polinização de culturas e o fato de a cultura do mel ser uma prática ambientalmente sustentável e que contribui para a conservação da biodiversidade. O uso medicinal dos produtos foi destacado ainda por quase 90% dos meliponicultores como um potencial.