O Sindicato Médico do Rio Grande do Sul (Simers) organizou uma pesquisa com médicos das áreas de urgência e emergência em instituições do Litoral Norte gaúcho. As visitas conduzidas pelo Núcleo de Especialidade da Medicina de Emergência, nos meses de fevereiro e março, foram realizadas em 13 estabelecimentos de seis municípios.
Alguns pontos do documento evidenciam fragilidades, uma delas relacionada à segurança no ambiente de trabalho. Mais de 44% das respostas relataram a ausência de porteiro nas instituições, enquanto a maioria informou não haver equipe de segurança. Em contrapartida, foi apontado que 62% das unidades dispõem de câmeras de monitoramento. Além disso, 57,7% relataram episódios de violência, principalmente verbal, totalizando 15 ocorrências nos municípios de Capão da Canoa, Imbé, Osório, Torres, Tramandaí e Xangri-Lá.
Os médicos atuantes são majoritariamente PJ, representando mais de 93%, com participações de cotistas. Em relação à remuneração, 31% relataram atrasos, enquanto 65% não apontaram esse problema. A maioria indica a existência de médicos exclusivos por área e apresentaram dificuldades em algumas escalas de trabalho, especialmente nos municípios de Imbé, Tramandaí e Torres.
Na estrutura, 62% das respostas indicam superlotação nas instituições, com indicações que o problema ocorre de forma sazonal, principalmente no verão. Dentre elas, a maioria aponta a ausência de leitos de retaguarda, e alguns dos entrevistados afirmaram a inexistência de fluxos assistenciais definidos para pacientes graves.
No quesito insumos, 86% dos entrevistados afirmaram não haver escassez de medicamentos. Entre os 14% que apontaram desabastecimento, a principal demanda esteve relacionada à ausência de antibióticos. Além disso, 21% dos relatos mencionaram carência de equipamentos médicos. Não houve apontamentos referentes à falta de EPIs.