A história de Ijuí, no noroeste do Estado, não é muito diferente de outros municípios do Rio Grande do Sul. Com grande parte da população descendente de imigrantes italianos, alemães e poloneses, a busca por honrar as etnias que formaram a cidade é similar ao que acontece na Serra Gaúcha ou em outras regiões do País. Entretanto, a comunidade não se limita a representar apenas essas três etnias, mas diversas outras. Desde a criação da União das Etnias de Ijuí (Ueti) há 30 anos atrás, outros 13 grupos étnicos ganharam representações com equipes de canto e dança que se apresentam em eventos no município.
A Ueti nasceu em 1994 e procurava justamente manter vivo o legado dos imigrantes europeus que vieram ao Brasil. Todavia, eles não foram os únicos a imigrar para a região e, ao longo do tempo, outros grupos étnicos começaram a fazer parte da entidade, como japoneses, árabes e afros. Este movimento cultural fez com que a cidade fosse reconhecida como a Capital Nacional das Etnias, por meio de uma lei federal sancionada em 2021.
Além do reconhecimento nacional, em abril deste ano, outras três etnias foram consolidadas como sócias da Ueti: argentinos, uruguaios e franceses. A união é uma entidade sem fins lucrativos, portanto, não há cobrança de mensalidade, por exemplo. Por outro lado, o grupo, ao se associar, passa a ter compromissos com a entidade, que organiza eventos culturais importantes para a cidade como a Expofest - feira voltada ao agronegócio na qual as casas étnicas se apresentam e possuem um restaurante com pratos típicos.
Existem três formas de uma etnia estar ligada à entidade, explica o presidente, Jonas Sala. Normalmente, elas iniciam como um núcleo, no qual um conjunto de pessoas - não necessariamente pertencentes àquela etnia, ou seja, um descendente de alemão pode participar do núcleo dos italianos ou suecos - se reúne para cultivar representações culturais de uma etnia, como vestimentas, culinária e língua.
Porém, para se tornar um sócio efetivo da Ueti é preciso que o núcleo se torne uma empresa e possua uma equipe voltada à dança e ao canto típico - caso dos três novos integrantes da entidade, argentinos, uruguaios e franceses. Ainda, é possível se tornar um sócio patrimonial com a construção de um espaço cultural no parque de exposições Wanderley Burmann. Este espaço é chamado de casa étnica e serve como uma sede da etnia, onde os participantes podem desenvolver atividades como a culinária típica e outros eventos culturais. Mesmo que a construção em si seja responsabilidade do grupo étnico, quem disponibiliza o terreno é a prefeitura, que cede o espaço com renovação a cada 30 anos.
Hoje, a Ueti possui 13 sócios patrimoniais e três efetivos. Além de realizarem apresentações dentro do município, os integrantes também realizam intercâmbios culturais, explica Sala. “Nós estamos visitando os países de origem de cada etnia. Com os letos, estamos indo pela quarta vez a Letônia, no leste europeu, para participar de um grande festival de canto e dança que acontece a cada cinco anos”, conta o presidente. De acordo com ele, a próxima viagem dos letos está planejada para 2028, na qual o grupo se apresentará junto a mais de 22 mil dançarinos, em Riga, capital do país.
Em Ijuí, o principal evento organizado pela Ueti é a Expofest e atrai cerca de 150 mil pessoas, durante 10 dias de programação. Segundo Sala, a entidade consegue sobreviver durante o ano com parte do lucro do evento. Assim como por meio de Leis do Incentivo à Cultura (LIC), as quais permitem a promoção de eventos organizados pela união. Ademais, o aluguel do auditório da entidade a eventos particulares também faz parte da sua renda.
Para Jonas Sala, a entidade tem um impacto social no município. Segundo ele, são cinco mil voluntários envolvidos com as casas étnicas e, consequentemente, com um movimento cultural, uma vez que a Ueti incentiva a arte por meio do teatro e da música. “Com a Ueti conseguimos incentivar artistas locais, não só os que fazem parte da entidade, mas os que movimentam a cultura no município, como grupos de teatro e dança”, ressalta o presidente.