Foi lacrado pela Justiça estadual, na manhã desta sexta-feira (15), o Hotel Manta, em Pelotas, depois de 69 anos de atividades. A interrupção total das atividades aconteceu após a decisão do Juizado Regional Empresarial da Comarca de Pelotas, que decretou a falência do empreendimento na quarta-feira (13). O hotel estava em funcionamento desde 1957 e, em 1973, passou a funcionar no atual edifício, na rua General Neto, no Centro de Pelotas.
A empresa tinha pedido recuperação judicial em 2025. De acordo com um relatório de atividades produzido pela empresa Von Saltiél, responsável pela administração judicial da Hotéis Manta SA, em janeiro e fevereiro de 2026, os dois empreendimentos que tiveram falência decretada, o Manta e o Tourist Parque Hotel, tinham um passivo de R$ 5,7 milhões sujeitos à recuperação judicial, dos quais 43% correspondiam a dívidas trabalhistas.
Em nota, o Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul explicou que o Juizado Regional Empresarial da Comarca de Pelotas decretou a falência das empresas João Rodrigues Manta Hotéis de Turismo Ltda. e Hotéis Manta S/A, integrantes do Grupo Manta. A medida foi adotada após a rejeição do plano de recuperação judicial pelos credores, em assembleia realizada em 28 de abril. Na mesma ocasião, também foi rejeitada a concessão de prazo para apresentação de plano alternativo.
Conforme a decisão, segundo a nota, ficou comprovada a inviabilidade da continuidade das atividades empresariais pois “o grupo devedor não demonstrou capacidade de superação da crise econômico-financeira”. Também, que a única unidade hoteleira em funcionamento registrava queda significativa nas taxas de ocupação e apresentava faturamento insuficiente para manter a operação e honrar o passivo.
Com a decretação da falência, foi mantida a administradora judicial responsável pelo processo, com atribuições para arrecadação, guarda, avaliação e posterior alienação dos bens. A decisão também determinou a suspensão das ações e execuções contra as empresas, o bloqueio de bens e contas bancárias e a publicação de edital para habilitação de créditos no prazo de 15 dias.
De acordo com o relatório da Von Saltiél, os passivos tributários do hotel também chegavam a R$ 26,5 milhões, entre inscritos na Dívida Ativa da União, débitos com a Receita Federal, parcelamentos tributários e dívidas com a prefeitura de Pelotas, como IPTU. Além disso, as empresas figuram como parte em 57 processos judiciais, que representam um passivo contingente de cerca de R$ 22,1 milhões, seja em execuções fiscais e execuções de títulos extrajudiciais.
Um edital disponível no site da empresa de leilões Zago tem a data de 21 de maio para o segundo leilão eletrônico do terreno e prédio que abriga o Manta, na Rua General Neto, 1131, no Centro de Pelotas. O lance inicial é de R$ 19 milhões, mesmo valor da avaliação do terreno. Segundo o documento, o leilão visa ao pagamento de valores referentes a dívidas com o Badesul, o Município de Pelotas e à CEEE.