A criação de um parque industrial e de um parque logístico públicos está no centro da estratégia para ampliar a atração de investimentos e estimular novos empreendimentos em Pelotas. As iniciativas fazem parte de um plano municipal de desenvolvimento elaborado em parceria com a InvestRS e incluem desde negociações com grupos privados até ações voltadas ao empreendedorismo, inovação e fortalecimento de setores considerados estratégicos para a economia local.
Segundo o secretário de Desenvolvimento, Empreendedorismo e Inovação de Pelotas, Jeferson Sigales, o documento construído no âmbito do chamado Plano de Atração de Investimentos funciona como um guia para orientar políticas públicas e prospectar investidores. “Esse documento deixa de ser apenas um documento e vira uma ferramenta, não só de gestão, mas para o desenvolvimento do território”, afirmou.
Uma das negociações mais avançadas envolve um grupo de investidores de Lajeado interessado na implantação de um empreendimento industrial e logístico na entrada da cidade, próximo à avenida Fernando Osório. A proposta prevê uma área superior a 20 hectares, com possibilidade de expansão, e capacidade para até 300 lotes industriais e logísticos. O Valor Geral de Vendas (VGV) estimado por Sigales seria de até R$ 80 milhões.
De acordo com o secretário, o município aguarda a apresentação de estudos de impacto econômico do projeto para discutir possíveis incentivos previstos no programa Pelotas Empreendedora, legislação que substituiu o antigo Desenvolve Pelotas. “Não é apenas algo da iniciativa privada, é algo da iniciativa privada com o estímulo do governo local”, destacou.
No caso específico das iniciativas do poder público, nesta sexta-feira (8) houve uma reunião envolvendo a pasta do Desenvolvimento, além da Secretaria de Urbanismo e a Superintendência Regional do Banrisul. As localizações para estes investimentos ainda estão sendo definidas, tendo como estudos para o Parque Industrial uma área localizada na Sanga Funda, e para o Parque Logístico, que também pode abrigar indústrias, uma área de 5,5 hectares próxima à Fenadoce, voltada à instalação de empresas do setor logístico, com acesso direto à rodovia BR-392 e possibilidade de expansão para áreas industriais adjacentes.
Segundo o secretário, a proposta inclui obras de urbanização, pavimentação e iluminação em uma região próxima ao parque da Ceasa. O município busca recursos estaduais e federais para viabilizar o empreendimento e já iniciou tratativas com instituições financeiras como Banrisul e BRDE.
O plano de atração de investimentos também prevê ações voltadas a micro e pequenos empreendedores, inovação e desenvolvimento de cadeias produtivas locais. Entre as medidas em andamento está a reestruturação do atendimento ao empreendedor dentro da secretaria, com foco em capacitação e acesso a programas públicos.
Após uma viagem a Brasília, no início de abril, o município iniciou articulações para implementar novos programas em parceria com o Ministério do Empreendedorismo e negocia com o Sebrae o retorno do programa Cidade Empreendedora. Outra frente é a regulamentação da Lei Municipal de Inovação, aprovada em 2025.
A legislação prevê a criação do Conselho Municipal de Inovação e de um fundo voltado ao financiamento de projetos tecnológicos. “Pelotas foi uma das últimas cidades com mais de 200 mil habitantes do Sul do país a ter uma lei de inovação”, observou o secretário. A expectativa da prefeitura é que o fundo esteja em funcionamento até o final do ano.
Entre os setores considerados prioritários pelo plano municipal estão as cadeias agroindustriais, a economia criativa e a saúde e biotecnologia. Neste último segmento, o município aposta na ampliação do ecossistema ligado ao Pelotas Parque Tecnológico, onde está em construção um hub de saúde e biotecnologia com investimento superior a R$ 20 milhões, incluindo recursos da Finep.
Sigales afirma que o objetivo é transformar a produção científica local em negócios de impacto. “A gente detém um alto capital intelectual e científico e estamos no processo de transformação para tecnologias que vão desaguar em indústria”, disse. Segundo ele, cerca de 50 startups ligadas à inovação já atuam no ecossistema local.