Fechado desde 2011 por problemas estruturais, o prédio do Centro Municipal de Cultura Inah Emil Martensen (CMC), localizado na Rua Marechal Floriano, no Centro Histórico DE Rio Grande, avança para uma nova etapa no processo de recuperação. A prefeitura trabalha na contratação da empresa responsável pela elaboração do projeto de reforma do imóvel, um dos mais emblemáticos do patrimônio cultural do Município.
Construído entre o final do século XIX e o início do século XX, o edifício é reconhecido pela arquitetura em estilo eclético, com marcante presença de elementos greco-romanos distribuídos em seus três volumes. Ao longo de sua trajetória, o imóvel teve diferentes funções públicas: foi adquirido em fevereiro de 1974 pelo Poder Legislativo Municipal para sediar a Câmara de Vereadores, função que desempenhou até a transferência para o Palacete Poock, na rua General Vitorino. O casarão foi construído com porão alto, em estilo eclético, e volume central recuado buscando libertar-se dos padrões rígidos de alinhamento que caracterizam os períodos colonial e imperial.
A partir de 1985, passou a abrigar o Centro Municipal de Cultura (CMC), consolidando-se como espaço de promoção artística, educativa e de preservação da memória local. Antes do fechamento, o CMC era palco de uma intensa programação, com exposições, oficinas, ações de educação patrimonial, apresentações musicais e atividades voltadas à comunidade. O local também abriga o Núcleo de Pesquisa Arqueológica, referência no Rio Grande do Sul por ser o mais antigo em funcionamento mantido por uma prefeitura, com atuação contínua ao longo dos anos.
No processo de recuperação do imóvel, a atual etapa integra a participação do município de Rio Grande no Novo PAC Seleções Patrimônio. Quatro empresas já se apresentaram e estão interessadas em elaborar o projeto de reforma. Atualmente, todas passam pelo processo de análise técnica e documental. Após a conclusão dessa etapa e o cumprimento dos trâmites legais, será definida a empresa responsável pelo desenvolvimento do projeto. Posteriormente, avança-se para a captação de recursos que viabilizem a execução das obras.
Anexo ao prédio principal do Centro Municipal de Cultura está o espaço que abriga o acervo arqueológico municipal, com mais de 5 mil peças catalogadas, entre materiais coloniais e pré-coloniais, como fragmentos cerâmicos, artefatos líticos e vestígios ósseos. O acervo passa por um processo de adequação às normativas vigentes, especialmente em relação à documentação e ao acondicionamento, e também será contemplado nas melhorias estruturais previstas.