Porto Alegre,

Publicada em 07 de Abril de 2026 às 19:00

Iphan aprova estudo para a região do Passo dos Negros, em Pelotas

Local, próximo ao Canal São Gonçalo, reúne vestígios pré-coloniais de 1 mil anos atrás e que ajudam a contar a história da cidade

Local, próximo ao Canal São Gonçalo, reúne vestígios pré-coloniais de 1 mil anos atrás e que ajudam a contar a história da cidade

UFPel/DIVULGAÇÃO/CIDADES
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Jornal Cidades
O Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) aprovou a execução do projeto de pesquisa arqueológica no Passo dos Negros, estudo que irá investigar mais de 2 mil anos de ocupação humana no território, em Pelotas. Coordenado pela Universidade Federal de Pelotas (UFPel), com apoio do Escritório Técnico da Fronteira Sul do Iphan-RS, localizado na cidade, a pesquisa integra arqueologia, antropologia, arquitetura, geografia, ecologia e saberes populares, e está prevista para durar 16 meses.
O Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) aprovou a execução do projeto de pesquisa arqueológica no Passo dos Negros, estudo que irá investigar mais de 2 mil anos de ocupação humana no território, em Pelotas. Coordenado pela Universidade Federal de Pelotas (UFPel), com apoio do Escritório Técnico da Fronteira Sul do Iphan-RS, localizado na cidade, a pesquisa integra arqueologia, antropologia, arquitetura, geografia, ecologia e saberes populares, e está prevista para durar 16 meses.
O Passo dos Negros reúne vestígios pré-coloniais, coloniais e industriais sobrepostas, caracterizando-se como sítio multicomponencial (locais ocupados por mais de uma vez, por grupos e em períodos diferentes). Pesquisas anteriores já identificaram fragmentos líticos de quartzo associados a grupos construtores de cerritos, com datações de cerca de mil anos atrás.
Com o novo projeto, a equipe vai atuar na área compreendida entre o arroio Pelotas, o Canal São Gonçalo  e as zonas de ocupação urbana. O objetivo do estudo é identificar e cadastrar os sítios arqueológicos existentes no local, com expectativa de reconhecimento de vestígios associados a ocupações Guarani, à atividade charqueadora e à presença da comunidade negra, tanto no período de escravização quanto após a abolição.
O cadastramento de um local enquanto Sítio Arqueológico ocorre a partir do atendimento aos critérios estipulados por uma portaria do Iphan e o seu reconhecimento ocorre por meio da homologação do cadastro no Sistema Integrado de Conhecimento e Gestão (SICG), cabendo ao Centro Nacional de Arqueologia (CNA) do Iphan a responsabilidade de homologar os dados referentes ao patrimônio arqueológico no SICG.
A pesquisa teve início oficial em 16 de março, com a etapa de campo. A equipe técnico-científica responsável é coordenada pelo arqueólogo Cláudio Baptista Carle, professor do Departamento de Arqueologia da UFPel, e conta com pesquisadores das áreas de arqueologia e antropologia, além de representantes da Organização Não-Governamental (ONG) Cuidando de Nós, ligada à própria comunidade do Passo dos Negros. Estudantes de graduação e pós-graduação da UFPel também integram o grupo.
Um dos aspectos centrais do projeto é a participação direta dos moradores. A população do Passo dos Negros atua como “comunidade pesquisadora”, envolvida nas atividades de campo e laboratório. A pesquisa se soma ao trabalho já desenvolvido pelo Mapeamento Arqueológico e Cultural dos objetos, lugares, manifestações e pessoas de referência às sociedades tradicionais indígenas e afro-brasileiras na região Sul do Estado do Rio Grande do Sul, que estuda a região desde 2022. A investigação é voltada para a história da ocupação na fronteira entre o Brasil e o Uruguai, e gerou a base científica (textos, imagens e dados) que fundamenta as novas pesquisas.
Passo dos Negros é considerado “patrimônio fundador” da cidade de Pelotas. O local é mais antigo que a cidade e se apresenta na memória dos locais e dos vestígios que fazem dele um sítio arqueológico. Lá foram abrigadas importantes estruturas do desenvolvimento econômico de Pelotas, como o Engenho Pedro Osório (moinho de arroz) e indústrias ligadas ao agronegócio e ao setor frigorífico.

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