Porto Alegre,

Publicada em 12 de Março de 2026 às 14:54

Praticada no RS, pesca com botos é reconhecida como patrimônio pelo Iphan

Espécie foi reclassificada como risco de extinção pela IUCN no ano passado

Espécie foi reclassificada como risco de extinção pela IUCN no ano passado

PREFEITURA DE LAGUNA/DIVULGAÇÃO/CIDADES
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Jornal Cidades
O Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) reconheceu a pesca com botos no Sul do Brasil como Patrimônio CulturalA decisão foi tomada no segundo dia da 112ª reunião do Conselho Consultivo do Patrimônio Cultural, instância deliberativa máxima do Iphan. A atividade foi inscrita no Livro dos Saberes, reconhecendo um conhecimento tradicional profundo, que revela a estreita relação que os pescadores do litoral de Santa Catarina e do Rio Grande do Sul guardam com seu entorno natural.
O Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) reconheceu a pesca com botos no Sul do Brasil como Patrimônio CulturalA decisão foi tomada no segundo dia da 112ª reunião do Conselho Consultivo do Patrimônio Cultural, instância deliberativa máxima do Iphan. A atividade foi inscrita no Livro dos Saberes, reconhecendo um conhecimento tradicional profundo, que revela a estreita relação que os pescadores do litoral de Santa Catarina e do Rio Grande do Sul guardam com seu entorno natural.
A atividade ocorre em quatro sistemas estuarinos (ecossistemas de transição entre águas doces e salgadas) localizados entre Santa Catarina e Rio Grande do Sul. A foz do Rio Tramandaí e o Complexo Lagunar Sul de Santa Catarina, junto à cidade de Laguna, são os locais de maior frequência e incidência, podendo ocorrer ocasionalmente nos estuários dos rios Mampituba, em Torres, e Araranguá (SC). A prática já é patrimônio imaterial de Santa Catarina pela Fundação Catarinense de Cultura (FCC), desde 2018.
O parecer, relatado pelo conselheiro Bernardo Issa, do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA), justificou o pedido de registro do bem por sua profundidade histórica, complexidade socioecológica e valor simbólico e afetivo. “Trata-se de um saber-fazer tradicional enraizado em territórios específicos, transmitido entre gerações e continuamente recriado pelas comunidades que dele participam”, afirma o parecer. Além disso, o texto aponta que esse registro pode ampliar os limites do patrimônio cultural para além do humano “em sintonia com as demandas socioambientais do presente e as novas éticas não-antropocêntricas de coabitação entre espécies”.

Em 2025, a União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN) reclassificou o risco de extinção dos botos-de-Lahille – a espécie envolvida na pesca colaborativa com os pescadores da região – de vulnerável para em perigo de extinção. De acordo com a entidade, as espécies são classificadas em nove grupos, conforme risco de serem extintas. Estima-se que a população mundial total desses animais é de cerca de 330 indivíduos, a maioria deles, no litoral sul do país.

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