Porto Alegre,

Publicada em 05 de Maio de 2026 às 18:40

Estudo faz radiografia sobre ocupação em São Leopoldo

Levantamento sobre a Ocupação RedeMix revelou que 87,4% dos moradores sobrevive com menos de dois salários-mínimos

Levantamento sobre a Ocupação RedeMix revelou que 87,4% dos moradores sobrevive com menos de dois salários-mínimos

Eduarda Silva/DIVULGAÇÃO/CIDADES
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Jornal Cidades
Um estudo inédito feito em São Leopoldo revelou que 87,4% das famílias moradoras da ocupação RedeMix, no bairro Santos Dumont, sobrevivem com menos de dois salários-mínimos (sendo 45,1% com até R$ 1.500) e que a insegurança alimentar atinge 1 a cada 4 famílias que vivem no local. Os dados integram o diagnóstico do Instituto ELAborar, realizado com 580 moradores de 200 domicílios, revelando um cenário de vulnerabilidade multidimensional que envolve moradia precária, baixa renda, acesso limitado à saúde e fragilidade nos vínculos comunitários.
Um estudo inédito feito em São Leopoldo revelou que 87,4% das famílias moradoras da ocupação RedeMix, no bairro Santos Dumont, sobrevivem com menos de dois salários-mínimos (sendo 45,1% com até R$ 1.500) e que a insegurança alimentar atinge 1 a cada 4 famílias que vivem no local. Os dados integram o diagnóstico do Instituto ELAborar, realizado com 580 moradores de 200 domicílios, revelando um cenário de vulnerabilidade multidimensional que envolve moradia precária, baixa renda, acesso limitado à saúde e fragilidade nos vínculos comunitários.
A comunidade segue em processo de reconstrução após dois anos da catástrofe climática que destruiu ou danificou todas as residências do território. Os traumas persistem e a precariedade das moradias só se agravam, a cada nova chuva. Contudo, 55,6% dos entrevistados revelam que gostariam de permanecer na área.
Conduzida pelo Projeto ELAbora Mulheres e Crianças, do Instituto ELAborar, a partir de parcerias institucionais com a Unisinos e o Serviço Jesuíta de Migrantes e Refugiados (SJMR - Brasil), em cooperação com a Secretaria Municipal de Saúde de São Leopoldo, a iniciativa teve ao todo, 94 horas de trabalho técnico direto, envolvendo profissionais das áreas de Psicologia, Enfermagem, Serviço Social, Pedagogia e Comunicação.
A pesquisa mostra que a comunidade tem 580 moradores em 200 domicílios. Dos moradores, quatro em cada 10 são crianças e adolescentes. Ainda, 62% vivem no local há mais de três anos, e um dado chamou a atenção na pesquisa: 15,5% das pessoas são imigrantes venezuelanos
Para a equipe, a questão da violência é um tema sensível. No estudo, apenas 7% das mulheres responderam positivamente à pergunta direta sobre violência doméstica. Quando o questionário abriu espaço para relatos livres, o volume de depoimentos descrevendo diferentes situações de violências vividas ao longo da vida, chegando a cerca de 21% da amostra. A equipe também identificou que 57,7% das mulheres desconheciam os serviços de apoio disponíveis para casos de violência, lacuna que aponta para a necessidade de ampliar o acesso à rede de proteção, não apenas sua existência.
"Na medicina de família e comunidade, aprendemos que o sofrimento que chega ao consultório raramente é apenas individual. Quando uma mulher não nomeia como violência o que viveu, isso não é negação, é o resultado de anos de invisibilidade institucional e de condições estruturais que naturalizam a desigualdade de gênero. O papel da saúde é criar espaços de escuta que permitam que essa realidade apareça e seja enfrentada", afirma Neoma Mendes de Assis, co-fundadora e vice-presidente do Instituto ELAborar, médica especialista em Medicina de Família e Comunidade.
 O Diagnóstico e Impacto Ocupação RedeMix propõe três frentes prioritárias de intervenção na localidade: apoio técnico no processo de regularização fundiária e melhoria da infraestrutura, de acordo com as necessidades da comunidade e com compromisso ambiental; ampliação do acesso à saúde e fortalecimento das linhas de cuidado e da rede de proteção e programas de geração de renda e fortalecimento comunitário.

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