Porto Alegre,

Publicada em 04 de Maio de 2026 às 18:53

Acervo sobre a história do Litoral Norte do RS é recuperado

Os 793 volumes que estavam presentes na Diocese de Osório trazem registros sobre 23 cidades da região desde o século XVIII

Os 793 volumes que estavam presentes na Diocese de Osório trazem registros sobre 23 cidades da região desde o século XVIII

Arquivo da Diocese de Osório/ Divulgação/Cidades
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Maria Vitória Marca
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Um projeto idealizado pela Diocese de Osório, no Litoral Norte gaúcho, restaurou cerca de 800 livros com registros geracionais de nascimentos, casamentos e óbitos. Cada livro presente no acervo da instituição contém em torno de 200 páginas que documentam acontecimentos na região litorânea e voltam até o século XVIII, sendo o registro mais antigo de 1761. O projeto foi realizado em conjunto com a empresa Lathus Sensu e chegou ao fim em abil, quando todos os livros voltaram a Osório e em torno de 200 deles foram digitalizados. 
Um projeto idealizado pela Diocese de Osório, no Litoral Norte gaúcho, restaurou cerca de 800 livros com registros geracionais de nascimentos, casamentos e óbitos. Cada livro presente no acervo da instituição contém em torno de 200 páginas que documentam acontecimentos na região litorânea e voltam até o século XVIII, sendo o registro mais antigo de 1761. O projeto foi realizado em conjunto com a empresa Lathus Sensu e chegou ao fim em abil, quando todos os livros voltaram a Osório e em torno de 200 deles foram digitalizados. 
O acervo restaurado pelo projeto abriga registros de 23 cidades do Rio Grande do Sul, recolhidos de paróquias da região. No acervo estão documentos de um dos municípios mais antigos do Estado, Santo Antônio da Patrulha, no qual se registrou a chegada dos casais açorianos enviados pela Coroa Portuguesa para colonizar o litoral gaúcho. Além disso, no século XVIII era a Igreja Católica que documentava o que hoje é feito no cartório, ou seja, certidões de nascimentos, de casamento e até mesmo de óbitos locais.
É com esses registros que os livros guardados na Diocese de Osório conseguem narrar a história da  formação do Litoral Norte sobre a perspectiva de quem vive naquela época. "É possível fazer toda a genealogia dessa região do Estado através desses livros. Culturalmente, isso é algo muito importante porque é a própria memória das famílias e das comunidades", afirma a diretora da Lathus Sensu, Lucia Silber. 
A maioria dos registros foi escrita à mão e documentam períodos históricos importantes para o Brasil, como a escravidão. Nos volumes em posse da Diocese de Osório constam desde mortes violentas de pessoas escravizadas até a libertação delas, durante o século XIX. Não só isso, mas registros detalhados sobre a chegada de imigrantes, causas de mortes, batismos, casamentos e nascimentos formam a maioria do conteúdo dos 793 volumes. 
O processo de restauração iniciou em 2022, com a iniciativa do Bispo Jaime Pedro Kohl, líder da diocese. "Eu vi vários dos livros deteriorados e que correriam sérios riscos de ser inutilizáveis. Por isso, procurei uma maneira de restaurá-los, pois sabia da necessidade de preservar esse patrimônio cultural", afirmou. 
Registros ajudam a narrar a história e a formação da região gaúcha | Arquivo da Diocese de Osório/ Divulgação/Cidades
Registros ajudam a narrar a história e a formação da região gaúcha Arquivo da Diocese de Osório/ Divulgação/Cidades
Assim, o projeto iniciou com a ajuda da empresa de promotoria cultural Lathus Sensu e captação de recursos via Sistema Pró-Cultura/RS, totalizando R$ 1,5 milhões. Foi feita uma categorização do acervo da instituição e, após isso, os volumes foram enviados a um atelier em Curitiba, onde passaram por um processo de restauração baseado em três princípios: intervenção mínima, reversibilidade e respeito à autenticidade histórica.
Durante os dois anos de trabalho, entre 2024 e 2026, foi necessário realizar a desinfecção de fungos, higienização folha a folha, até mesmo tratamento químico contra acidez e corrosão da tinta. Em muitos casos, segundo o bispo, o material estava se desfazendo, por conta do desgaste do tempo.
O local onde o acervo será armazenado na Diocese de Osório também passou por modificações. Hoje, os arquivos são guardados em uma sala com temperatura controlada, estantes especiais e um desumidificador, para que os livros continuem preservados. Além disso, em torno de 200 volumes foram digitalizados e podem ser acessados no site da instituição, já a outra parte do acervo não foi autorizada a digitalização por se tratar de informações pessoais protegidas pela Lei Geral de Proteção de Dados. Ademais, devido à fragilidade dos documentos, o manuseio direto dos livros físicos não será permitido ao público em geral.

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