Devolver à comunidade peças que fazem parte da memória do Vale do Sinos. Esse é o grande objetivo do projeto “Restauração do acervo museológico atingido pelas enchentes em São Leopoldo”, que está reintegrando, gradualmente, um conjunto de itens ao Museu Histórico Visconde de São Leopoldo. Cerca de 80% das gravuras, pinturas e fotografias já estão de volta ao acervo da instituição. Entre elas está a obra de Ernesto Frederico Scheffel, de 1983, que representa a paisagem de Hamburgo Velho, conhecido originalmente como "Hamburgerberg".
O trabalho técnico, realizado por Ísis Fófano da Gama e demais colaboradores da Magenta Conservação e Restauração, abrange, ao todo, 72 peças, que serão entregues ao museu em condições adequadas até setembro de 2026. A restauradora comenta os desafios do projeto. “Por exemplo, um dos retratos estava bem mofado e, à primeira vista, parecia que iria ficar com muitas manchas. Mas, depois do procedimento para a remoção da parte visível das colônias de fungos, acabou não ficando, diferentemente do esperado”, comemora.
Além da obra de Scheffel, pinturas, desenhos e gravuras de artistas como Vasco Prado, João Faria Viana, Danúbio Gonçalves e João Fahrion já foram entregues ao museu. No mês de março começaram as ações de preservação das obras de Pedro Weingärtner, artista fundamental para a história da arte no Rio Grande do Sul, com previsão de entrega para maio de 2026.
No escopo do projeto, 143 peças danificadas pela enchente estão sendo restauradas, entre objetos tridimensionais, como um piano de 120 anos e instrumentos musicais, além de itens bidimensionais, tais como pinturas e retratos. Sob responsabilidade de Társis Gradaschi, da Mestres da Restauração, os objetos como, por exemplo, sombrinhas, armários e instrumentos de percussão já começam a retornar para o museu. O piano alemão Schiedmayer de 120 anos e o histórico altar de madeira branco estão previstos para julho de 2026.
A iniciativa também inclui ações de educação patrimonial em escolas municipais de São Leopoldo, visando sensibilizar o público para a história contida nos acervos documentais e de objetos, além de um livro infantil já em fase de projeto gráfico. Com previsão de lançamento para o segundo semestre de 2026, o texto é assinado por Rodrigo dMart e as ilustrações são de Samanta Flôor. O programa educativo do projeto também inclui oficinas de conservação preventiva de acervos em museus, acervos familiares e sensibilização para acessibilidade, voltadas para gestores e equipe de instituições culturais e público interessado.