Todas as Missões estão em Santo Ângelo
Santo Ângelo, a maior cidade dentre as missioneiras do Rio Grande do Sul, tem um interessante marco do período. Na Praça Pinheiro Machado, um caminho composto por 30 arcos mostra o local e data de fundação de todas as reduções jesuíticas formadas no RS, Argentina e Paraguai. Passar sob esses marcos é como caminhar sob uma linha do tempo histórica, em uma viagem no tempo que “deságua” na imponência da Catedral Angelopolitana.
A reinvenção da gastronomia missioneira
Recoluto missioneiro foi uma das atrações gastronômicas do festival Viva o RS, em Santo Ângelo
Lívia Araújo/Especial/Cidades
Erva-mate, butiá, milho, aipim, laranja, salame, churrasco e até o peixe surubim, nativo do rio Uruguai, são alguns dos ingredientes que historicamente circulam na região missioneira e marcam a confluência das culturas indígena, europeia e africana. Eles vêm se tornando matéria-prima para a criação de novos pratos e drinks, que foram as estrelas do Degusta Missões, no início do ano, e do Festival Viva o RS, que aconteceu em Santo Ângelo às vésperas dos 400 anos. O favorito da repórter foi o Recoluto Missioneiro, da masseria Anjo Santo, feito com costela bovina desfiada ao molho de vinho tinto, nhoque de mandioca seis queijos com erva-mate e farofa com amendoim; além dele, o delicioso gelato de butiá do empório Anahí.
Chama missioneira
Fogo era utilizado como forma de comunicação entre os diferentes núcleos de povoamento
Lívia Araújo/Especial/Cidades
Uma das tradições mais interessantes resgatadas Manancial Missioneiro de São Miguel das Missões é o "tatarandê", forma de comunicação com tochas que acontecia entre as reduções jesuíticas. O memorialista Valter Braga explica aos visitantes do manancial conta que, em tempos de tecnologias simples e com poluição visual inexistente, o fogo permitia transmitir mensagens de alerta, pedir ajuda ou nformações do cotidiano entre os povoamentos, distantes dezenas ou centenas de quilômetros entre si.
Turismo pedagógico
Uma das tradições escolares do Rio Grande do Sul, que marcou a história de diversos estudantes gaúchos, é a excursão às ruínas de São Miguel das Missões, que proporciona o contato, na prática, com os vestígios da própria “gênese” do Rio Grande do Sul. A visita é um rico material de apoio ao estudo e um “respiro” ao ambiente da sala de aula.
Cemitério ainda é utilizado
Jazigos contemporâneos convivem com ruínas do cemitério missioneiro em Entre Ijuís
Lívia Araújo/Especial/Cidades
Todas as reduções das missões jesuíticas tinham uma estrutura parecida, que continha obrigatoriamente uma igreja e um cemitério. Mesmo em ruínas, o cemitério no sítio arqueológico São João Batista, no município de Entre Ijuís, passou a ser utilizado pela população local a partir do século XIX, e guarda jazigos familiares que são utilizados até hoje. Apesar das leis de proteção ao patrimônio histórico, a característica específica do local fúnebre permite o uso das tumbas já estabelecidas ali.
A ferro e fogo
Monumento homenageando os trabalhos dos guaranis na fundição de ferro
Lívia Araújo/Especial/Cidades
São João Batista, redução jesuítica que hoje pertence ao município de Entre-Ijuís, vizinho a Santo Ângelo, foi marcada por uma autossuficiência econômica marcada pelo estabelecimento de uma das primeiras fundições das Américas. A atividade era possível pela descoberta do jesuíta Antônio Sepp, nas chamadas pedras-cupim, de limalhas de ferro que eram transformadas pelos trabalhadores guaranis em chaves, dobradiças e objetos litúrgicos. Nos anos 1950, o ofício foi homenageado em um painel que até hoje é atração do sítio arqueológico.
*A repórter Lívia Araújo viajou a convite do Festival Viva o RS e da Wine Locals