Porto Alegre,

Publicada em 23 de Abril de 2026 às 18:23

Missões apostam nos 400 anos para impulsionar turismo regional

Aumento da ocupação hoteleira e novos investimentos podem alterar perfil econômico de Santo Ângelo e São Miguel das Missões

Aumento da ocupação hoteleira e novos investimentos podem alterar perfil econômico de Santo Ângelo e São Miguel das Missões

Prefeitura de Santo Ângelo/Divulgação/Cidades
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Lívia Araújo
Lívia Araújo Repórter
As celebrações dos 400 anos das Missões Jesuíticas Guaranis, que têm seu ponto culminante em 3 de maio, estão alimentando as expectativas do trend turístico dos municípios da região para consolidar o interesse e o fluxo de visitantes em cidades como Santo Ângelo e São Miguel das Missões.
As celebrações dos 400 anos das Missões Jesuíticas Guaranis, que têm seu ponto culminante em 3 de maio, estão alimentando as expectativas do trend turístico dos municípios da região para consolidar o interesse e o fluxo de visitantes em cidades como Santo Ângelo e São Miguel das Missões.
Com uma programação cultural ampliada, eventos e novos investimentos, prefeituras e o setor privado vêm constatando um aumento significativo de visitas. Para manter esse movimento - e o ingresso de recursos - para além de datas comemorativas, começam a buscar uma mobilização conjunta entre poder público, empreendedores e entidades de apoio, com foco na criação de experiências turísticas integradas e na valorização do patrimônio histórico e cultural. A estratégia busca reverter um cenário de subaproveitamento do potencial turístico da região, historicamente mais vinculada ao agronegócio, e aproveitar a visibilidade das comemorações para atrair visitantes e investimentos.
Em Santo Ângelo, o secretário de Desenvolvimento Econômico, Turismo e Inovação, Vinicius Makvitz, afirma que os 400 anos representam uma “virada de chave” para o município. “A ideia é trabalhar o turismo como um vetor do nosso desenvolvimento”, diz. Segundo ele, a cidade vem estruturando o setor em parceria com o Sebrae e o trade turístico, com iniciativas como o festival gastronômico Degusta Missões e investimentos em tecnologia, incluindo recursos de realidade aumentada em museus, por exemplo.
Os efeitos já vêm sendo percebidos na economia local. “Já abriram novos empreendimentos e outros estão surgindo, especialmente na gastronomia”, afirma o secretário. Na hotelaria, houve investimento de cerca de R$ 6 milhões, com a criação de 33 novos quartos. Em períodos de eventos, a ocupação chega a 80% ou 90%, acima da média habitual de 40% a 50%. “É um ano muito positivo, com incremento visível na movimentação”, acrescenta.
A estratégia regional é criar uma oferta turística estruturada que permita ao visitante percorrer diferentes cidades e experiências, aumentando o tempo de permanência na região. “Nós não tínhamos isso, era um turismo de passagem. Agora queremos que o turista fique pelo menos uma noite”, explica Makvitz.
Em São Miguel das Missões, onde estão as ruínas reconhecidas como patrimônio mundial, o aumento da demanda também é significativo. A secretária de Turismo, Desenvolvimento e Cultura, Rozana Fassini, destaca que o crescimento no número de visitantes acontece no cotidiano. “Temos notado um aumento significativo de visitantes, não só nos eventos, mas no dia a dia”, constata.
Um dos indicadores é o espetáculo Som e Luz, no  Sítio Arqueológico de São Miguel Arcanjo, vem registrando um aumento de cerca de 70% no público. Em quatro meses, a arrecadação já supera metade do total registrado em todo o ano anterior. “Já percebemos esse aumento também no PIB do turismo”, pontua a secretária.
A rede hoteleira acompanha essa tendência. No Tenondé Parque Hotel, principal empreendimento do município, a ocupação tem atingido entre 90% e 100% nos fins de semana. “Hoje, praticamente todos os finais de semana estão com ocupação de feriado”, afirma a gerente comercial Daiane Pacheco. Segundo ela, o fluxo inclui turistas que visitam a região pela primeira vez. “Temos recebido bastante gente nova, que não conhecia as Missões”, relata.
Apesar do avanço, o setor reconhece desafios para consolidar o turismo no longo prazo. Entre eles, estão a necessidade de ampliar a oferta de atrações, especialmente para o público jovem, e de fortalecer a integração regional. “A gente precisa melhorar e buscar inovação constante”, avalia Daiane.
Eventos têm papel central nessa estratégia. O Festival Viva o RS, que acontece neste sábado (25) em Santo Ângelo, deve reunir cerca de 30 empreendimentos e atrair até 2 mil visitantes em um único dia, combinando gastronomia, cultura e turismo, uma ação desenvolvida pelo governo do Estado em parceria com a Wine Locals. A iniciativa integra uma série de ações, voltadas à promoção da economia criativa e à valorização da identidade local.
Para gestores e empresários, o principal legado das comemorações pode ser a mudança de percepção sobre o potencial econômico do turismo. “É uma oportunidade imensa que esperávamos há muito tempo”, conclui Rozana.

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