Porto Alegre,

Publicada em 24 de Abril de 2026 às 19:13

Entidade defende passagem a R$ 7,25 em Santa Maria

Em um período de 20 meses, tarifa subiu mais de R$ 2 para o passageiro; empresas alegam que operam de forma deficitária

Em um período de 20 meses, tarifa subiu mais de R$ 2 para o passageiro; empresas alegam que operam de forma deficitária

João Vilnei/DIVULGAÇÃO/CIDADES
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Maria Vitória Marca
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No período um período de 20 meses, a passagem do transporte público de Santa Maria passou por mudanças que a colocaram como uma das mais caras do Estado. As alterações iniciaram em julho de 2024, quando a tarifa técnica - aquela que não desconta possíveis subsídios da prefeitura e representa o valor integral que seria cobrado do usuário - mudou para R$ 6,85 - e valor ao passageiro de R$ 5,00. Em março deste ano, o valor sofreu o reajuste mais recente, que a definiu a passagem de ônibus em Santa Maria a R$7,25 no dinheiro e R$ 6,65 no Cartão Cidadão
No período um período de 20 meses, a passagem do transporte público de Santa Maria passou por mudanças que a colocaram como uma das mais caras do Estado. As alterações iniciaram em julho de 2024, quando a tarifa técnica - aquela que não desconta possíveis subsídios da prefeitura e representa o valor integral que seria cobrado do usuário - mudou para R$ 6,85 - e valor ao passageiro de R$ 5,00. Em março deste ano, o valor sofreu o reajuste mais recente, que a definiu a passagem de ônibus em Santa Maria a R$7,25 no dinheiro e R$ 6,65 no Cartão Cidadão
O aumento tem gerado reclamações por parte da população municipal, com manifestações contrárias de estudantes e a tentativa de suspender o reajuste por meio de um decreto proposto pela vereadora Alice Carvalho (PSOL). O histórico de mudanças no valor da passagem demonstra uma crise no transporte público da cidade, que, desde o fim da pandemia, teve uma redução de 35% no número de usuários, segundo a Associação dos Transportadores Urbanos (ATU). 
O diretor da associação, Edmilson Gabardo, defende o ajuste do valor, uma vez que a falta de subsídios da prefeitura desde o início de 2025 tem gerado prejuízo às empresas que operam o transporte coletivo de Santa Maria. Ele ainda argumenta que o aumento da tarifa foi uma ação emergencial para que o serviço não parasse pois, na avaliação das empresas, o antigo valor não cobria os custos de manutenção, combustível e de funcionários.
O diretor também afirma que o cálculo foi feito no final de 2025, sem considerar questões atuais como o aumento no preço do combustível ocorrido por conta da guerra no Oriente Médio. Para ele, um novo reajuste deveria ser considerado por conta dessas questões.
De acordo com a associação, em torno de 11% dos usuários pagam o valor mais alto da passagem, de R$ 7,25. Grande parte dos usuários do transporte pagam R$ 6,65, seja pelo cartão cidadão ou pelo vale transporte. Além disso, 25% têm tarifa gratuita, e outros 25% têm passagem de estudantes, hoje no valor de R$ 3,82. Todas as modalidades também têm desconto na integração, isto é, quando são usadas duas passagens em menos de 30 minutos.
A ATU afirma que a prefeitura, ao não pagar a diferença entre a tarifa técnica e a pública, tem acumulado uma dívida com as empresas de transporte coletivo. Como o valor da passagem é definido pela prefeitura, determinando tanto a tarifa técnica quanto a pública, a diferença entre elas deve ser paga pelo município, argumenta Gabardo. Dessa forma, a cada passagem comprada pelo menos R$ 0,40 são adicionados à dívida, que hoje está em R$18 milhões, segundo cálculos da entidade.
Outro tema que tem gerado desconforto na cidade é a licitação do transporte público de Santa Maria. Em agosto do ano passado, o edital foi suspensa devido a um pedido de impugnação feito pelas empresas de ônibus da cidade. Foram apontados erros no contrato apresentado, tanto pela ATU quanto pelo Conselho Municipal de Transportes e Sindicato dos Trabalhadores Rodoviários. Segundo o diretor da associação, foram identificados equívocos no cálculo tarifário, na estimativa da quantidade de passageiros, na definição dos tipos de veículos a serem utilizados e nos salários dos funcionários. A previsão é que até dia 23 de junho deste ano uma nova licitação seja apresentada, que não deve contar com a participação da ATU no processo, explica Gabardo. 
Para o diretor, a crise que cerca o transporte coletivo em Santa Maria poderia ser evitada caso ele fosse tratado como um serviço essencial e um direito social. Assim, uma possível redução da tarifa depende de um orçamento de subsídios por parte do município. Segundo ele, com um investimento mensal de R$ 6 milhões da prefeitura a tarifa poderia chegar aos R$ 3,00, além de ser um valor suficiente para que as empresas mantivessem uma frota mais moderna de ônibus, equipados, por exemplo, com ar-condicionado. 

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