Natural de Agudo, na região central do Rio Grande do Sul, a pesquisadora Jeung Hee Schiefelbein transformou um interesse de infância em carreira científica ao participar da descoberta de uma nova espécie de réptil pré-histórico encontrada em sua cidade natal. Doutoranda em Biodiversidade Animal na Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), ela assina o estudo que descreve o rincossauro Isodapedon varzealis.
O envolvimento com a paleontologia começou ainda na graduação em Ciências Biológicas, quando Jeung Hee realizou estágios no Centro de Apoio à Pesquisa Paleontológica (Cappa). A partir daí, seguiu com pesquisas na área, passando pelo trabalho de conclusão de curso, mestrado e agora no doutorado. “Eu sempre soube que na minha cidade havia fósseis e pensava se um dia conseguiria trabalhar com isso”, relembra.
Filha de um agricultor e de uma cuidadora de idosos, hoje aposentada, a pesquisadora cresceu em contato com o ambiente rural da região. A descoberta recente tem um significado especial por estar diretamente ligada a esse território. “Esse material é da região onde eu moro, perto da casa dos meus pais. Foi muito gratificante poder estudar algo tão próximo da minha realidade”, afirma.
O interesse pela paleontologia está associado à possibilidade de compreender o passado remoto da Terra. “É fascinante pensar que onde hoje temos cidades e estradas, há milhões de anos existia um ambiente totalmente diferente, com outros animais e outro clima”, diz.
Para a pesquisadora, além do avanço científico, a descoberta também pode gerar impactos locais. “Esses achados trazem visibilidade para o município, incentivam o turismo e até o comércio, porque as pessoas passam a se interessar pela história da região”, destaca.