Porto Alegre,

Publicada em 15 de Abril de 2026 às 18:21

Companhia de Ópera do RS se apresenta nas ruínas de São Miguel

Apresentação gratuita ocorre no dia 23 de abril e integra a programação dos 400 Anos das Missões Jesuíticas Guaranis

Apresentação gratuita ocorre no dia 23 de abril e integra a programação dos 400 Anos das Missões Jesuíticas Guaranis

Victória Proença/Divulgação/Cidades
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Jornal Cidades
O dia 3 de maio deste ano marca os 400 anos do início das Missões Jesuíticas no território que hoje é o Rio Grande do Sul. Para celebrar a data histórica, governo do Estado, prefeituras, entidades sociais e setor privado planejaram diversos eventos, muitos deles realizados nas próprias ruínas, como a ópera “Em Busca das Paisagens Perdidas”, em homenagem ao centenário do payador Jayme Caetano Braun (1824-1999). 
O dia 3 de maio deste ano marca os 400 anos do início das Missões Jesuíticas no território que hoje é o Rio Grande do Sul. Para celebrar a data histórica, governo do Estado, prefeituras, entidades sociais e setor privado planejaram diversos eventos, muitos deles realizados nas próprias ruínas, como a ópera “Em Busca das Paisagens Perdidas”, em homenagem ao centenário do payador Jayme Caetano Braun (1824-1999). 
Encomendado ao compositor Vagner Cunha, com libreto de Renato Mendonça e concepção e direção cênica de Carlota Albuquerque, o espetáculo chega às ruínas da Catedral de São Miguel das Missões no dia 23 de abril (quinta-feira), às 19h, após estreia no Teatro Simões Lopes Neto, em Porto Alegre, e no Festival Internacional Sesc de Música de Pelotas, em 2025 Com entrada gratuita, a apresentação é uma parceria da Secretaria da Cultura (Sedac) com a Companhia de Ópera do Rio Grande do Sul (CORS) e conta com apoio da Prefeitura de São Miguel das Missões e do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan).
Quem dará vida a Jayme Caetano Braun é o cantor nativista Pirisca Grecco, que será acompanhado pelas sopranos Carla Maffioletti, Eiko Senda, Elisa Lopes e Raquel Fortes, e a contralto Luciane Bottona. Completam o elenco o tenor Maicon Cassânego e o baixo-barítono Guilherme Roman. Outro grande destaque da estreia mundial é a bailarina Emily Borghetti no papel de “A China”. A regência será do maestro Guilherme Mannis.
O espetáculo, que integra o projeto Ópera e Formação e é a primeira encomenda de ópera contemporânea da CORS, reúne cantores líricos e artistas de destaque da música e da dança regionais. “A ópera como gênero artístico vivo dialoga com o nosso tempo e com a nossa cultura. Contar a história de Jayme Caetano Braun nos 400 Anos das Missões Jesuíticas do RS é contar a nossa própria história, falar sobre a nossa terra e a nossa cultura”, destaca Flávio Leite, presidente da Companhia.
Um dos grandes poetas regionalistas do Sul, Jayme Caetano Braun deixou um legado inestimável, atravessando todas as fronteiras, em especial para o Uruguai, Paraguai, Argentina e Bolívia. Ao longo de sua carreira, lançou diversos livros, como “Galpão de Estância”, “Brasil Grande do Sul”, “Paisagens Perdidas”, “De Fogão em Fogão” e “Potreiro de Guachos”. Também deixou sua marca na discografia e entre seus álbuns estão “Payadas”, “Troncos Missioneiros” e “Payador”. 
“Lembrar Jayme Caetano Braun quando se completam pouco mais de cem anos de seu nascimento é um acertar de contas com o passado e com o futuro. É discutir se um território se configura por índices materiais ou se ganha forma lastreado por nossas memórias pessoais. É encarar o desafio de olhar para o passado e, valendo-se de uma dobra da arte, vislumbrar o futuro. Tudo isso para dizer que a ópera ‘Em busca das paisagens perdidas’ é, como o nome mesmo previne, um movimento de ir e vir, uma jornada de redescobrimento de cheiros, sons, sabores, afetos, descobertas e dores que marcam especialmente a nossa infância, em nosso caso tendo por território o Sul", explica o libretista Renato Mendonça.
Na concepção da ópera, Mendonça e Cunha buscaram expandir o conceito de território, explorando diferentes contextos e fronteiras. “Com atenção, se ouvirá o canto do João Barreiro. E soará o idioma argentino, que nossos fronteiriços misturam naturalmente com o português. Os instrumentos indígenas, que remetem imediatamente às Missões, também ecoarão. E o silêncio, a amplitude horizontal do Pampa, a presença da água corrente, da terra prenhe, do vento transformador e do fogo de chão. E o som percutido por pés e por taquaras, alinhavados pelos ecos de nossas memórias”, adianta o compositor Vagner Cunha.
 

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