Porto Alegre,

Publicada em 09 de Abril de 2026 às 17:51

Bento Gonçalves tem 5,9 mil moradores em áreas de risco

Levantamento foi divulgado pelo Serviço Geológico Brasileiro e tem como objetivo definir prioridades para intevenção municipal

Levantamento foi divulgado pelo Serviço Geológico Brasileiro e tem como objetivo definir prioridades para intevenção municipal

SGB/Divulgação/Cidades
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Lívia Araújo
Lívia Araújo Repórter
Um estudo apresentado pelo Serviço Geológico do Brasil (SGB) revelou que cerca de 5,9 mil pessoas vivem em áreas de risco em Bento Gonçalves. O levantamento, divulgado em audiência pública nesta semana identificou 139 áreas suscetíveis a deslizamentos, enxurradas e inundações e integra o Plano Municipal de Redução de Riscos (PMRR), elaborado em parceria com o governo federal.
Um estudo apresentado pelo Serviço Geológico do Brasil (SGB) revelou que cerca de 5,9 mil pessoas vivem em áreas de risco em Bento Gonçalves. O levantamento, divulgado em audiência pública nesta semana identificou 139 áreas suscetíveis a deslizamentos, enxurradas e inundações e integra o Plano Municipal de Redução de Riscos (PMRR), elaborado em parceria com o governo federal.
O diagnóstico foi realizado após os eventos climáticos extremos de maio de 2024, que provocaram inundação e deslizamentos na cidade da Serra e servirá como base para orientar ações preventivas e a captação de recursos para obras no município. A partir do material, a prefeitura pretende definir prioridades de intervenção e buscar financiamento junto à União para execução de projetos estruturais. 
Os trabalhos começaram em outubro de 2024 e foram realizados em quatro etapas, finalizadas em junho de 2025. De acordo com o estudo, nove áreas foram classificadas como de risco muito alto, 61 como risco alto e 69 como risco médio, abrangendo cerca de 1,4 mil imóveis. Os principais fatores associados aos riscos são a ocupação de encostas e intervenções inadequadas no solo, somadas à ocorrência de chuvas intensas.
A diretora do Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano (IPURB), Melissa Bertoletti Gauer, em entrevista ao Jornal Cidades, afirmou que o estudo amplia o conhecimento já existente na gestão municipal. "O município já tinha conhecimento de algumas áreas de risco e, nesses pontos mais críticos, já realizamos ações. Agora, com esse trabalho mais completo, que abrange todo o território, teremos um direcionamento mais claro das intervenções necessárias", explica.
Segundo ela, o plano terá papel estratégico na busca por recursos federais. "Esse projeto vai servir para captar recursos, porque comprova tecnicamente onde estão as necessidades. Isso facilita o acesso a financiamentos para obras, principalmente aquelas de maior custo, como muros de contenção", detalha.
Entre as intervenções já realizadas, a diretora cita obras de drenagem e contenção em localidades como o Vale dos Vinhedos. "Nesses pontos mais críticos, fizemos a retirada das pessoas e executamos obras. Hoje, essas áreas já não apresentam mais risco", destaca. O estudo também indica a necessidade de novas intervenções em regiões como o bairro Zatt, onde há previsão de obras de contenção ainda dependentes de recursos. "São projetos que já estão encaminhados, mas que exigem aporte financeiro elevado e passam por processos burocráticos", explica.
Em relação às áreas mapeadas, a diretora ressalta que nem todas exigem remoção imediata de moradores. Casos de remoção definitiva são pontuais e, em geral, envolvem áreas de inundação. "Tivemos situações em localidades como Faria Lemos, em áreas de cota de inundação, onde algumas ocupações não retornaram. Mas, na maioria dos casos, são intervenções específicas", completa.
Além das obras estruturais, o plano prevê medidas não estruturais, como monitoramento, capacitação e ações preventivas. Segundo Melissa, a experiência das enchentes de 2024 levou o município a aprimorar a atuação da Defesa Civil. "Hoje, estamos mais preparados. Há um trabalho preventivo maior, com acompanhamento das previsões e orientação da população antes dos eventos climáticos", diz.
A diretora destaca que o próximo passo será a análise detalhada do documento pelas equipes técnicas do município "o mais rápido possível". "Vamos nos apropriar desse material, elencar prioridades e, a partir disso, dar início às ações e à busca por recursos. Esse plano vai nortear o município daqui para a frente", assegura.

Mais antigo distrito da cidade, Faria Lemos concentra maior número de habitantes em classificação de risco

Mapeamento identificou pontos com risco muito alto, alto, e médio em diversas áreas da cidade

Mapeamento identificou pontos com risco muito alto, alto, e médio em diversas áreas da cidade

Arte/SGB/Divulgação/Cidades
Segundo os pesquisadores do Serviço Geológico Brasileiro, os riscos identificados em Bento Gonçalves estão relacionados principalmente à ocupação de encostas e áreas suscetíveis a processos geológicos, associada a intervenções inadequadas no terreno e à ocorrência de chuvas intensas. 
Nesse sentido, o distrito de Faria Lemos, ao Norte da área urbana de Bento Gonçalves,  concentra o maior número de moradores em áreas de risco muito alto. São mais de 290 pessoas em seis setores com risco de enxurrada, deslizamentos e corrida de massa.
Em relação ao risco alto, o bairro com maior número de moradores expostos, segundo o levantamento, é o bairro Municipal, com 264 pessoas no setor mapeado com risco de deslizamento na rua José Gasperini. No bairro Zatt, na rua João Domingos, vivem 648 pessoas em área com risco médio de deslizamento.

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