Porto Alegre,

Publicada em 01 de Abril de 2026 às 15:42

Raios, meteoros e até ovnis agitam rotina de observatório em Taquara

Professor Carlos Jung fundou observatório em Taquara, em 2016

Professor Carlos Jung fundou observatório em Taquara, em 2016

Observatório Heller & Jung/Divulgação/Cidades
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Lívia Araújo
Lívia Araújo Repórter
O monitoramento de fenômenos astronômicos, como meteoros e até objetos voadores não identificados (OVNIs), e ambientais faz parte da rotina do Observatório Espacial Heller & Jung, que atua desde 2016, a partir de Taquara, no Vale do Paranhana, com a coleta e análise de dados científicos. A estrutura também passou a ampliar sua atuação após os eventos climáticos severos registrados no Rio Grande do Sul em 2024.
O monitoramento de fenômenos astronômicos, como meteoros e até objetos voadores não identificados (OVNIs), e ambientais faz parte da rotina do Observatório Espacial Heller & Jung, que atua desde 2016, a partir de Taquara, no Vale do Paranhana, com a coleta e análise de dados científicos. A estrutura também passou a ampliar sua atuação após os eventos climáticos severos registrados no Rio Grande do Sul em 2024.
Segundo o coordenador do observatório, o professor Carlos Jung, o trabalho envolve diferentes frentes. “O Observatório tem por finalidade trabalhar com registro de meteoros e também asteroides, mas hoje atua de forma mais forte no monitoramento e registro de eventos climáticos”, afirma. 
O trabalho também inclui a análise de ocorrências associadas a objetos voadores não identificados (OVNIs). Jung, porém, ressalta que a maioria dos registros atribuídos a OVNIs tem explicação técnica. “As pessoas observam luzes no céu e muitas vezes são satélites ou planetas, como Vênus, dependendo da posição.” Em um trabalho recente que teve a participação do pesquisador, de 10 fenômenos analisados, apenas três não conseguiram ser explicadas por Jung. 
O observatório também desenvolve atividades educativas voltadas a estudantes, com palestras e visitas guiadas. A proposta é estimular o interesse por áreas como Física, Química e Matemática. “Se uma em cada cem crianças que participam dessas atividades se tornar cientista, já é um resultado”, afirma Jung.
A operação é baseada em um conjunto de equipamentos que inclui dezenas de câmeras e sensores. São cerca de 20 câmeras voltadas ao registro de meteoros e outras 30 dedicadas a eventos climáticos, distribuídas para cobertura de 360 graus e do céu acima do observatório. Além disso, o sistema conta com estações meteorológicas, sensores de qualidade do ar e medidores de radiação solar.
A área de abrangência ultrapassa o Rio Grande do Sul, alcançando também Santa Catarina, Paraná, Uruguai e partes da Argentina e do Paraguai. Os dados coletados são compartilhados com instituições de pesquisa, inclusive no exterior, com atualizações frequentes.
Após as enchentes e temporais de 2024, o observatório passou a intensificar o acompanhamento de eventos climáticos. Uma das iniciativas foi a instalação de câmeras para monitoramento do nível de rios na região do Vale do Paranhana, com transmissão ao vivo e acesso aberto.
“Resolvemos contribuir de forma gratuita com os municípios, gerando imagens para auxiliar as defesas civis e a população”, diz Jung. Segundo ele, o sistema permite que moradores acompanhem em tempo real a elevação dos rios. “As pessoas conseguem verificar pelo celular e isso ajudou inclusive a reduzir a insegurança em períodos de chuva.” O serviço é gratuito e mantido sem financiamento público. “O observatório não tem fins lucrativos. Todos os dados e informações são abertos ao público”, afirma o coordenador. A manutenção ocorre com recursos próprios e parcerias privadas.
Um dos eventos astronômicos de maior magnitude ocorreu em novembro de 2025, com explosão de meteoro em Santa Cruz do Sul | Observatório Heller &Jung/Divulgação/Cidades
Um dos eventos astronômicos de maior magnitude ocorreu em novembro de 2025, com explosão de meteoro em Santa Cruz do Sul Observatório Heller &Jung/Divulgação/Cidades
Além de meteoros e tempestades, o observatório registra a passagem de satélites, reentradas de lixo espacial e outros fenômenos. Em média, são identificados entre 8 mil e 10 mil meteoros por ano, além de eventos de maior porte. Um deles aconteceu em novembro de 2025, visível na região de Santa Cruz do Sul, que entrou na atmosfera a 89,7 km de altitude e explodiu a 52,8 km, com duração de 2,4 segundos. "Se a explosão fosse mais baixa, poderia ter quebrado as vidraças de toda a cidade", explica.
A estrutura deve ser ampliada nos próximos anos. Há planos de instalação de novos pontos de monitoramento na região central do Estado e em Porto Alegre, além do reforço da cobertura no Litoral Norte. A ampliação busca melhorar o acompanhamento de eventos climáticos e ampliar o acesso às imagens em tempo real. “A ideia é expandir para atender áreas onde há maior ocorrência de fenômenos e apoiar ainda mais as defesas civis”, afirma o pesquisador.

Onde observar o céu no RS a olho nu

Quanto menor a poluição luminosa, melhor a visibilidade do céu noturno

Quanto menor a poluição luminosa, melhor a visibilidade do céu noturno

LIVIA ARAUJO/ESPECIAL/CIDADES
Locais afastados de centros urbanos são os mais indicados para a observação do céu no Rio Grande do Sul. Regiões com baixa iluminação artificial permitem visualizar maior número de estrelas e fenômenos astronômicos.
Áreas da Serra Gaúcha com menor densidade urbana, zonas rurais do interior e pontos isolados do Litoral Norte e da Serra, como São Francisco de Paula e Cambará do Sul, estão entre os mais recomendados. Quanto menor a poluição luminosa, melhor a visibilidade. “Quanto mais afastado de áreas iluminadas, maior a possibilidade de observar o céu. Em locais escuros, é possível ver uma quantidade muito maior de estrelas”, explica o professor Carlos Jung.
Apagões ocasionais em cidades também demonstram esse efeito. “Quando falta luz, a população consegue ver uma quantidade de estrelas que normalmente não aparece”, afirma.

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