Porto Alegre,

Publicada em 30 de Março de 2026 às 18:14

Acampamento de indígenas em Imbé gera polêmica

Prefeitura reclama de entulhos deixados no local por parte das comunidades que se instalaram em área durante o verão

Prefeitura reclama de entulhos deixados no local por parte das comunidades que se instalaram em área durante o verão

Ivan de Andrade/Prefeitura de Imbé/Divulgação/Cidades
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Maria Vitória Marca
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O município de Imbé, no Litoral Norte, recebe, todos os anos, durante a temporada de verão, famílias indígenas de diversas tribos que se abrigam na cidade para vender artesanato de produção própria. A prefeitura disponibiliza um espaço na ERS-786, na entrada da cidade, onde são instaladas estruturas com banheiros, acesso a energia elétrica e água para a estadia das famílias. Entretanto, reclamações por parte do município têm acontecido desde 2022, referentes ao acúmulo de resíduos deixados no local após a partida das pessoas.
O município de Imbé, no Litoral Norte, recebe, todos os anos, durante a temporada de verão, famílias indígenas de diversas tribos que se abrigam na cidade para vender artesanato de produção própria. A prefeitura disponibiliza um espaço na ERS-786, na entrada da cidade, onde são instaladas estruturas com banheiros, acesso a energia elétrica e água para a estadia das famílias. Entretanto, reclamações por parte do município têm acontecido desde 2022, referentes ao acúmulo de resíduos deixados no local após a partida das pessoas.
Edison Quadros, secretário municipal de Governo, garante que os acampamentos devem continuar acontecendo anualmente, no mesmo espaço, e que não há resistência por parte da prefeitura em realizar a limpeza da área. Neste ano, em torno de 30 a 40 famílias se abrigaram no município, cada uma com até cinco integrantes, um total de de 150 a 200 pessoas, explica o secretário. Segundo ele, a estadia da população indígena normalmente inicia em dezembro e dura até o início de março, porém, há uma variação dependendo da movimentação daquele ano. Além disso, Quadros explica que nem todas as comunidades chegam no mesmo momento ou retornam às suas aldeias no mesmo mês.
Assim, a quantidade de indígenas presentes se altera durante esses três meses. Para ele, receber essas famílias virou uma tradição do município. “A população aguarda o ano todo pelos acampamentos. É uma atração turística nossa, característica do município”, afirma. A prefeitura, no entanto, não sabe precisar qual valor gasta por temporada tanto para receber as famílias quanto para realizar a limpeza do espaço. 
O Jornal Cidades verificou que há registros de reclamações da prefeitura com matérias publicadas em veículos de imprensa e no site oficial do município em anos passados. Nelas, há relatos sobre os resíduos deixados pelas famílias após o período de acampamentos, que são acompanhadas por falas de integrantes do Executivo municipal.
Em notícia publicada no site da prefeitura em 10 de março de 2025, o prefeito Ique Verdovato reclama que as famílias não comunicaram a partida à gestão municipal naquela oportunidade, deixando os resíduos para trás. "Teríamos caçambas para ajudá-los a recolherem todo o lixo, mas simplesmente vão embora e deixam esse caos, essa cena feia para que a gente resolva”, disse, em conteúdo postado no site da prefeitura. Ele complementou dizendo que existe uma área licenciada para descarte de lixo que poderia ser utilizada para levar o entulho produzido. “Mas essa ajuda, infelizmente, sempre é negada, pelo fato deles resolverem ir embora sem comunicar a prefeitura, deixando todo o lixo produzido para que o município limpe e arque com esse custo", disse o chefe do Executivo.
A reportagem entrou em contato com o prefeito nesta segunda-feira (30). Verdovato afirmou que não há reclamações por parte do governo municipal, ressaltando que as "matérias citadas narram fatos", que seriam a saída das famílias indígenas e a retirada dos resíduos deixados por elas por parte do município. O chefe do Executivo também adiciona que as reclamações partem da comunidade de Imbé e não da prefeitura em si
O secretário, que falou pela prefeitura, entende que os resíduos deixados não podem ser transportados pelas famílias abrigadas no local, por serem grandes estruturas de madeira, pedaços de lona e outros itens usados par a montagem do acampamento. Ele também explica que a maior parte das reclamações parte da população e não do governo municipal. Já a limpeza do espaço é feita pela prefeitura, por meio da secretaria de Limpeza Urbana, utilizando maquinários e uma equipe de funcionários, em um processo que o secretário descreve como rápido e fácil. 

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