Porto Alegre,

Publicada em 25 de Março de 2026 às 18:24

Trem do Pampa tem a primeira maquinista de turismo do RS

Com 21 anos de experiência no ramo turístico, Adriana Munhoz faz parte da equipe que lançou o trajeto na fronteira, em 2024

Com 21 anos de experiência no ramo turístico, Adriana Munhoz faz parte da equipe que lançou o trajeto na fronteira, em 2024

/Gabriela dos Santos/Divulgação/Cidades
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Maria Vitória Marca
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Neste mês de março, além da comemoração do Dia da Mulher, o Trem do Pampa teve sua primeira viagem de trem conduzida por uma maquinista. O marco é conquistado por Adriana Munhoz, a coordenadora de operações do projeto na fronteira, que se voluntariou a aprender sobre condução, trilhos e tudo que envolve as viagens feitas com o veículo. A profissional não é apenas a primeira maquinista do atrativo turístico de Santana de Livramento, mas a primeira mulher a conduzir um trem voltado ao turismo em todo o Estado.
Neste mês de março, além da comemoração do Dia da Mulher, o Trem do Pampa teve sua primeira viagem de trem conduzida por uma maquinista. O marco é conquistado por Adriana Munhoz, a coordenadora de operações do projeto na fronteira, que se voluntariou a aprender sobre condução, trilhos e tudo que envolve as viagens feitas com o veículo. A profissional não é apenas a primeira maquinista do atrativo turístico de Santana de Livramento, mas a primeira mulher a conduzir um trem voltado ao turismo em todo o Estado.
A trajetória de Adriana com o turismo começa muito antes do o marco atingido este ano. Ao todos, são 21 anos de experiência no ramo, ela conta. Antes de fazer parte da equipe do Trem do Pampa em sua cidade natal, Santana do Livramento, a maquinista trabalhava com a rede hoteleira em Gramado, na Serra Gaúcha. Foram 12 anos entre idas e vindas da Região das Hortênsias e a praia de Porto de Galinhas, em Pernambuco, onde foi transferida para trabalhar em uma rede de resort. "Trabalhei 12 anos desde em hotéis boutiques de Gramado até grandes resorts, com quase mil apartamentos no Nordeste. Nesses anos, criei conhecimento sobre como proporcionar uma experiência turística completa seja para um passageiro de trem ou para um hóspede", afirma Munhoz.
Em 2024 ela voltou a Santana do Livramento. Adriana recebeu a proposta da Giordani Turismo para trabalhar com o recém inaugurado Trem do Pampa. Foi com essa oportunidade que a maquinista decidiu retornar a sua cidade natal, algo que antes nem imaginava fazer
Mesmo que no começo da carreira a maquinista nunca tenha imaginado que atuaria na profissão, o interesse sobre a profissão veio junto ao cargo no projeto Trem do Pampa. Foi trabalhando mais diretamente com a via férrea e com os outros maquinistas que Munhoz se interessou cada vez mais por tudo que envolvia a viagem de trem. "Quando comecei a conhecer um pouquinho mais sobre a máquina senti a necessidade de conhecer um pouquinho mais sobre esse universo. Foi isso que me despertou a vontade de levar para a diretoria a intenção de me certificar como maquinista", explica. 
Para se tornar maquinista, Munhoz precisou fazer o Regulamento Operacional da via férrea que ela ia percorrer. O percurso feito pelo Trem do Pampa tem 22 quilômetros e viaja entre as estações de Santana do Livramento e Palomas, o que leva em torno de 1h20. Hoje, depois do Regulamento, provas técnicas e teóricas, Munhoz acumula mais de 150 horas no trajeto do projeto turístico. 
A maquinista acredita que, durante seus 21 anos de carreira, precisou aprender a conquistar o seu espaço como mulher. "Para nós, mulheres, é sempre diferente, mais difícil. Já passei por situações de ir para reuniões com uma mesa cheia de homens e não ser levada em consideração ou não conseguir ter um posicionamento. Mas sou uma mulher decidida e aprendi a me posicionar de uma forma para conquistar o meu espaço", conta. 
Para ela, o título de primeira maquinista de trens turísticos do RS é uma conquista. O marco, segundo Amanda, deve impulsionar mulheres a buscarem espaços diferentes, pouco convencionais e que historicamente foram liderados por homens. "Acredito que muitas mulheres que sonham ou que têm vontade de fazer coisas diferentes não se sentem encorajadas, e esse título é uma forma de encorajamento", complementou.

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