Além da pauta emergencial dos combustíveis, a assembleia-geral da Associação dos Municípios da Região Metropolitana de Porto Alegre (Granpal), realizada nesta quinta-feira (26), também abordou a preocupação dos gestores da região com a possibilidade de novos eventos climáticos extremos associados ao fenômeno El Niño.
Segundo o presidente da entidade e prefeito de Guaíba, Marcelo Maranata, estudos apresentados por especialistas indicam que há risco de repetição de episódios semelhantes aos registrados em 2023. “A gente tem um cenário preocupante que repete o que aconteceu em 2023, agora em 2026, que foram enchentes de setembro e novembro”, alertou.
De acordo com o dirigente, embora não se projete uma catástrofe na mesma magnitude da registrada em 2024, há indicativos de cheias significativas que podem impactar áreas urbanas, especialmente regiões ribeirinhas. “Todos os indicadores demonstram que a gente vai para esse caminho. Não é a calamidade, mas é uma enchente de risco no mesmo grau”, advertiu.
Outro fator que aumenta a preocupação nos municípios da região é o assoreamento dos rios, que pode acelerar o deslocamento da água e reduzir o tempo de resposta das autoridades. “Chove na cabeceira do rio e, em questão de horas, a gente já está com essa água na região metropolitana”, afirmou Maranata.
Diante desse cenário, os prefeitos discutiram a necessidade de reforçar ações de prevenção, planejamento e resposta da Defesa Civil, com foco em sistemas de alerta e monitoramento contínuo das áreas mais vulneráveis.
A assembleia também abordou a prorrogação do Fundo do Plano Rio Grande (Funrigs), considerado essencial para obras de prevenção e mitigação de desastres. O prazo atual do fundo se encerra em abril de 2027, e os gestores defendem a ampliação do período. “Não tem como fazer proteção em três anos. Cidades no mundo que fizeram proteção levaram dez anos. Então é pedir ao Governo do Estado a prorrogação desses recursos”, destacou o presidente da Granpal.
A reunião reforçou a necessidade de atuação conjunta entre municípios, Estado e União para enfrentar tanto a crise imediata dos combustíveis quanto os desafios estruturais relacionados às mudanças climáticas.