Porto Alegre,

Publicada em 20 de Março de 2026 às 12:35

Consórcio garante ônibus em Pelotas até a segunda-feira

Frota urbana do transporte público em Pelotas consome entre 11 mil e 12 mil litros de diesel por dia

Frota urbana do transporte público em Pelotas consome entre 11 mil e 12 mil litros de diesel por dia

Gustavo Vara/DIVULGAÇÃO/CIDADES
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Lívia Araújo
Lívia Araújo Repórter
A disponibilidade do transporte coletivo em Pelotas opera sob incerteza diante da combinação entre alta nos preços do óleo diesel e dificuldades no fornecimento por parte das distribuidoras. Embora o serviço siga funcionando - na quarta-feira, a perspectiva era de ter combustível somente até esta sexta-feira (20), mas o cenário não se confirmou -, a garantia de circulação dos ônibus tem sido avaliada “dia a dia”, segundo o Consórcio do Transporte Coletivo de Pelotas (CTCP). Em entrevista, a empresa garantiu que o serviço segue em operação até segunda-feira (23).
A disponibilidade do transporte coletivo em Pelotas opera sob incerteza diante da combinação entre alta nos preços do óleo diesel e dificuldades no fornecimento por parte das distribuidoras. Embora o serviço siga funcionando - na quarta-feira, a perspectiva era de ter combustível somente até esta sexta-feira (20), mas o cenário não se confirmou -, a garantia de circulação dos ônibus tem sido avaliada “dia a dia”, segundo o Consórcio do Transporte Coletivo de Pelotas (CTCP). Em entrevista, a empresa garantiu que o serviço segue em operação até segunda-feira (23).
O cenário se agravou ao longo da semana, quando empresas relataram receber apenas parte do volume solicitado de combustível, muitas vezes com preços distintos para entregas realizadas no mesmo período. “A gente encomenda uma carga de dez mil litros, entregam cinco e já com preço reajustado”, afirma o secretário executivo do consórcio, Enoc Guimarães. Segundo ele, há casos de notas fiscais emitidas no mesmo dia, pela mesma distribuidora, com diferença superior a R$ 1,50 por litro.
A instabilidade no abastecimento impacta diretamente a operação. O sistema consome entre 11 mil e 12 mil litros de diesel por dia, explica Guimarães, o que amplia rapidamente os efeitos de qualquer variação de preço. “Estamos falando em cerca de R$ 18 mil por dia a mais, dependendo da diferença”, detalha o secretário. Em alguns casos, o litro já chegou a ultrapassar os R$ 8, enquanto a média considerada no cálculo tarifário, em janeiro, era de R$ 5,22.
Além da alta nos preços, o consórcio relata dificuldades logísticas, como aumento expressivo no custo do frete. O transporte do combustível entre a Refap em Canoas, e Pelotas, por exemplo, teria mais do que dobrado, sem justificativa clara, elevando ainda mais o custo final da operação.
Diante desse cenário, a manutenção do serviço depende da chegada contínua de novas cargas. “Hoje temos combustível para trabalhar segunda e terça. Está sendo uma guerra diária para garantir o abastecimento”, resume o executivo. Embora exista um plano de contingência, ele só seria acionado em caso de desabastecimento total.
A situação mobilizou a Prefeitura de Pelotas, que levou o tema ao Ministério Público (MP), em uma reunião nesta quinta-feira (19) que reuniu o Executivo municipal, o CTCP e o promotor José Alexandre Záchia Alan. O prefeito Fernando Marroni aponta indícios de aumento abusivo nos preços e defende investigação. “Não há justificativa para esse nível de variação. O governo federal já tomou medidas para reduzir o custo, como a retirada de tributos e incentivo ao ICMS”, afirma.
Segundo o prefeito, algumas empresas chegaram a pagar até R$ 8,97 por litro, valor considerado incompatível com a estrutura de custos do mercado. Marroni também destaca que apenas cerca de 20% do diesel consumido no Brasil é importado, o que limitaria o impacto de fatores externos, como conflitos internacionais.
Além de acionar o MP, o Procon municipal já notificou estabelecimentos por aumentos considerados indevidos. A expectativa é que, com a apresentação de notas fiscais pelas empresas, o órgão possa avançar na apuração e, se necessário, adotar medidas judiciais contra distribuidoras. Para evitar repasse imediato ao usuário, a prefeitura sinalizou que irá subsidiar temporariamente a diferença no custo do combustível. Ainda assim, o impacto financeiro preocupa. Somente neste mês, o consórcio afirmou que já acumula prejuízo superior a R$ 180 mil devido à elevação dos preços. 
O cenário em Pelotas não é isolado. Em outras cidades gaúchas, a crise já levou à interrupção parcial ou total do transporte coletivo. Em São Leopoldo, os ônibus deixaram de circular no domingo e operaram com restrições no sábado passado. Já em Bento Gonçalves, haverá suspensão do serviço nos próximos dois domingos e redução de horários nos próximos fins de semana.
Apesar do contexto, Marroni afirma que não há, até o momento, previsão de interrupção em Pelotas. “Se houver desabastecimento, será necessário acionar um plano de contingência, mas isso ainda não aconteceu”, diz. Segundo ele, o sistema tem conseguido atender a demanda com as equipes e a estrutura atuais.

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