Porto Alegre,

Publicada em 12 de Março de 2026 às 17:57

Criação de empresas é resultado da desburocratização, avalia presidente da Jucis RS

Segundo Lauren Mazzardo, fatores como o aumento do turismo, efeitos da pandemia e a atração de investimentos para o RS contribuíram para a expansão do número de empresas

Segundo Lauren Mazzardo, fatores como o aumento do turismo, efeitos da pandemia e a atração de investimentos para o RS contribuíram para a expansão do número de empresas

LUIZA PRADO/JC
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Lívia Araújo
Lívia Araújo Repórter
O recorde de abertura de empresas registrado no Rio Grande do Sul em 2025 – quase 300 mil novos negócios criados - é resultado de uma combinação de fatores que vão desde mudanças no ambiente econômico até transformações no perfil do empreendedorismo no Estado. Em entrevista ao Jornal Cidades, a presidente da Junta Comercial, Industrial e de Serviços do Rio Grande do Sul (JucisRS), Lauren Mazzardo, analisa os motivos por trás do crescimento no número de novos negócios e comenta o avanço do empreendedorismo em regiões que historicamente apresentavam menor dinamismo econômico, como a Zona Sul e o Litoral Norte.
O recorde de abertura de empresas registrado no Rio Grande do Sul em 2025 – quase 300 mil novos negócios criados - é resultado de uma combinação de fatores que vão desde mudanças no ambiente econômico até transformações no perfil do empreendedorismo no Estado. Em entrevista ao Jornal Cidades, a presidente da Junta Comercial, Industrial e de Serviços do Rio Grande do Sul (JucisRS), Lauren Mazzardo, analisa os motivos por trás do crescimento no número de novos negócios e comenta o avanço do empreendedorismo em regiões que historicamente apresentavam menor dinamismo econômico, como a Zona Sul e o Litoral Norte.
Segundo ela, fatores como o aumento do turismo, os efeitos da pandemia sobre o estilo de vida da população e a atração de investimentos para o Estado contribuíram para a expansão do número de empresas. Lauren também destaca o papel da simplificação de processos para abertura de negócios e comenta o predomínio do setor de serviços nas novas empresas, inclusive na relação com a cadeia produtiva do agronegócio.
Jornal Cidades – Como a junta vê o crescimento no saldo de empresas em regiões fora do eixo Região Metropolitana–Norte, como a Região Sul ou o Litoral Norte?
Lauren Mazzardo – No nosso entendimento, o crescimento no litoral está bastante ligado à pandemia. Muitas pessoas foram morar no litoral nesse período, conheceram um novo estilo de vida e acabaram permanecendo nessas cidades. Em alguns municípios, inclusive, houve aumento populacional significativo, com mudanças até na organização de CEPs por causa do crescimento do número de habitantes. Naturalmente, muitas dessas pessoas abriram negócios ou constituíram empresas, principalmente como microempreendedores individuais, para prestar serviços. No caso da Região Sul, também percebemos uma expansão importante. Houve um crescimento de cerca de 20% no saldo de empresas em 2025 nessa região. Eu acredito que isso esteja ligado ao aumento do turismo, à inovação e a pequenas iniciativas empresariais que vêm surgindo em cidades como Rio Grande, Pelotas e municípios da Campanha.
Cidades – Em linhas gerais, o que acredita que contribuiu para o recorde na abertura de empresas registrado em 2025?
Lauren – Esse recorde é resultado de um conjunto de fatores. Houve diversas políticas públicas voltadas ao desenvolvimento econômico no Rio Grande do Sul. Um exemplo é a criação da InvestRS, agência de atração de investimentos do Estado, que contribuiu para trazer novas empresas e projetos para cá. Quando grandes empresas se instalam, elas acabam gerando um efeito em cadeia na economia, porque pequenas empresas são constituídas para prestar serviços ou fornecer produtos para esses empreendimentos. Só em 2025 foram mais de R$ 90 bilhões em investimentos anunciados no Estado, e isso certamente ajuda a movimentar o ambiente de negócios. Outro ponto importante é a simplificação e a rapidez nos processos de abertura de empresas. Hoje, o tempo médio de análise da Junta Comercial para abrir uma empresa é inferior a duas horas. Em atividades de baixo risco, com o sistema Tudo Fácil Empresas, o processo pode levar apenas minutos, pois é totalmente automatizado. Essa agilidade facilita muito para quem quer empreender. Somando isso à melhoria na análise de licenciamentos por parte dos órgãos ambientais e municipais, temos um ambiente mais favorável para que empresas escolham se instalar no Rio Grande do Sul.
Cidades – Como dialogam os dados de alta concentração de empresas no setor de serviços com a vocação do Estado para o agronegócio?
Lauren – De fato, quando analisamos os dados, percebemos que grande parte das empresas abertas são microempreendedores individuais e que o setor de serviços é predominante. Uma explicação importante é o chamado empreendedorismo por necessidade, que cresceu especialmente após a pandemia. Muitas pessoas que perderam empregos ou mudaram de atividade passaram a formalizar pequenos negócios, muitas vezes ligados a serviços. O MEI também é uma forma mais simples de formalização, com tributação reduzida e acesso a benefícios previdenciários, o que acaba estimulando esse tipo de abertura. No caso do agronegócio, muitas atividades ligadas à cadeia produtiva acabam sendo classificadas como serviços. Estamos falando de assistência técnica, transporte, processamento e apoio à produção agrícola. Ou seja, mesmo quando o negócio está relacionado ao agro, muitas vezes ele aparece estatisticamente dentro do setor de serviços. Além disso, a própria cadeia produtiva do agronegócio está cada vez mais sofisticada, com mais empresas atuando em áreas de apoio técnico, logística e inovação. Também vemos crescimento de pequenos empreendimentos ligados à agricultura familiar, que vem se fortalecendo dentro do setor.

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