Porto Alegre,

Publicada em 11 de Março de 2026 às 18:10

Serviços, turismo e inovação impulsionam novas empresas no Sul gaúcho

Região registrou a constituição de 19.242 CNPJs em 2025, número 22,5% maior que em 2024. Pelotas concentra maior volume

Região registrou a constituição de 19.242 CNPJs em 2025, número 22,5% maior que em 2024. Pelotas concentra maior volume

Lívia Araújo/Especial/Cidades
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Lívia Araújo
Lívia Araújo Repórter
A Zona Sul do RS apresentou um dos desempenhos mais expressivos na abertura de empresas em 2025. Levantamento realizado pelo Jornal Cidades, com base em dados da Junta Comercial, Industrial e de Serviços do Rio Grande do Sul (JucisRS), mostra que a região Sul do RS, formada por 22 municípios, teve o segundo maior aumento no saldo de novos negócios do Estado no ano passado.
A Zona Sul do RS apresentou um dos desempenhos mais expressivos na abertura de empresas em 2025. Levantamento realizado pelo Jornal Cidades, com base em dados da Junta Comercial, Industrial e de Serviços do Rio Grande do Sul (JucisRS), mostra que a região Sul do RS, formada por 22 municípios, teve o segundo maior aumento no saldo de novos negócios do Estado no ano passado.
A região registrou a constituição de 19.242 novas empresas em 2025, número 22,5% maior que em 2024. Quando considerado o saldo, indicador que mede a diferença entre empresas abertas e extintas, o resultado também foi positivo: 5.857 empresas a mais do que o volume de 13.385 negócios encerrados no ano passado, representando um aumento de 20% em relação ao ano anterior.
O desempenho ocorre em um cenário geral de expansão do empreendedorismo no Estado. Em 2025, o Rio Grande do Sul registrou saldo positivo de 111.829 empresas, resultado histórico impulsionado principalmente por microempreendedores individuais (MEIs) e negócios do setor de serviços.
Na região Sul, o perfil segue essa tendência. Do total de empresas abertas na região, 85,5% são MEIs, enquanto 71,6% atuam no setor de serviços, área que concentra grande parte das novas iniciativas empreendedoras.
Apesar do desempenho positivo no conjunto regional, o levantamento também mostra que nove municípios registraram queda no saldo de empresas. Ainda assim, várias cidades apresentaram crescimento expressivo, o que impulsionou o desempenho regional. Entre elas estão Tavares, Amaral Ferrador, Arroio Grande e Pinheiro Machado, todas com aumento superior a 100% no saldo de novos negócios.
Entre os maiores centros econômicos da região, Pelotas liderou a expansão. O município registrou saldo de 3.185 empresas, crescimento de 34% em relação a 2024, e concentra 49,6% dos negócios iniciados no ano passado. Rio Grande também apresentou resultado relevante, com 1.395 novos negócios no saldo, aumento de 18%.
Para a presidente da Agência de Desenvolvimento da Zona Sul e secretária estadual de Relações Institucionais, Paula Mascarenhas, o desempenho regional é resultado de um conjunto de fatores que envolvem cooperação entre municípios, investimentos públicos e fortalecimento do ambiente de empreendedorismo.
Segundo ela, a região vem trabalhando há anos em estratégias de desenvolvimento conjunto, o que contribui para criar condições mais favoráveis à atividade econômica. “Os municípios têm entendido que o desenvolvimento precisa ser regional. Não adianta cada cidade buscar soluções isoladas. A criação da agência nasce justamente dessa compreensão”, afirma.
A articulação regional, ainda recente, busca fortalecer a promoção econômica da região e ampliar a atração de investimentos, inclusive por meio de parcerias com a InvestRS. Outro fator apontado por Mascarenhas é a retomada de investimentos ligados ao complexo portuário de Rio Grande e à infraestrutura regional. “O contexto do polo naval e os investimentos no porto, especialmente em obras de drenagem e logística, acabam impactando toda a região. Isso gera entusiasmo, atrai olhares e cria um ambiente mais propício para novos negócios”, explica.
Além disso, investimentos estaduais em infraestrutura, saúde e educação também contribuem para melhorar o ambiente econômico regional.
A atuação de instituições de apoio ao empreendedorismo também aparece como elemento importante nesse processo. O gerente regional Sul do Sebrae RS, Ciro Vives, destaca que a região vive um ciclo de retomada após anos de dificuldades, especialmente depois do declínio do polo naval na última década.
Segundo ele, a região reúne hoje diversas oportunidades em áreas como turismo, inovação, economia do mar e serviços. “A região Sul tem uma combinação muito forte de ativos econômicos: turismo, universidades, hubs de inovação, porto, agronegócio e potencial logístico. Esses elementos vêm se somando e criando novas oportunidades para o empreendedorismo”, afirma.
Vives ressalta ainda que a expansão do setor de serviços, especialmente nas áreas de alimentação, turismo e economia digital, tem impulsionado a criação de novos negócios. Entre os fatores estruturais que favorecem esse movimento estão o fortalecimento de ecossistemas de inovação, a ampliação de salas do empreendedor e programas voltados à melhoria do ambiente de negócios, como o Cidade Empreendedora.
Apesar do cenário positivo, o especialista aponta desafios importantes para sustentar esse crescimento, como a necessidade de reter talentos formados nas universidades da região. “Pelotas e Rio Grande recebem estudantes de todo o país, mas muitos acabam saindo após a graduação. Um dos desafios é criar oportunidades para que esses profissionais permaneçam e empreendam aqui”, afirma.
Mesmo com essas limitações, os dados de 2025 indicam que a Zona Sul vem consolidando um novo ciclo econômico, marcado pela diversificação das atividades e pela ampliação do número de empreendedores.

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