Porto Alegre,

Publicada em 09 de Março de 2026 às 18:47

Crescimento do Litoral Norte do RS aquece a abertura de empresas

Expansão demográfica, redução da sazonalidade e iniciativas de apoio ao empreendedorismo ajudam a explicar o avanço regional

Expansão demográfica, redução da sazonalidade e iniciativas de apoio ao empreendedorismo ajudam a explicar o avanço regional

Prefeitura de Balneário Pinhal/Divulgação/Cidades
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Lívia Araújo
Lívia Araújo Repórter
O Litoral Norte do Rio Grande do Sul registrou crescimento no saldo entre abertura e extinção de empresas em 2025, indicando uma expansão do empreendedorismo na região. No período, foram abertos 12.114 novos CNPJs nos 21 municípios litorâneos, enquanto 7.559 empresas encerraram atividades, resultando em um saldo positivo de 4.555 empreendimentos. Em comparação com 2024, o avanço foi de 12%. Já na abertura de novos negócios, foram 12.114, alta de 23,8% em relação ao ano anterior.
O Litoral Norte do Rio Grande do Sul registrou crescimento no saldo entre abertura e extinção de empresas em 2025, indicando uma expansão do empreendedorismo na região. No período, foram abertos 12.114 novos CNPJs nos 21 municípios litorâneos, enquanto 7.559 empresas encerraram atividades, resultando em um saldo positivo de 4.555 empreendimentos. Em comparação com 2024, o avanço foi de 12%. Já na abertura de novos negócios, foram 12.114, alta de 23,8% em relação ao ano anterior.
A constatação vem de um levantamento realizado pelo Jornal Cidades com base em dados fornecidos pela Junta Comercial, Industrial e de Serviços do Rio Grande do Sul (JucisRS) e é tema da série de reportagens iniciada nesta segunda-feira (9).
O resultado ganha ainda mais relevância quando comparado à população regional, que era de 376.306 habitantes no último censo. O saldo equivale a cerca de um negócio para cada 82 habitantes, um dos índices mais elevados do Estado. Em média, cada município apresentou um saldo positivo de 216,9 empresas, com aproximadamente 576,8 novos negócios abertos ao longo do ano.
Para especialistas e gestores públicos, o crescimento está ligado a mudanças estruturais no perfil da região, especialmente o aumento da população residente ao longo de todo o ano. Tradicionalmente marcada pela forte sazonalidade do turismo de verão, a economia litorânea vem passando por um processo gradual de transformação.
De acordo com o assistente de relacionamento do Sebrae Litoral Norte, Lucas Moraes, a redução dessa sazonalidade é um dos fatores que ajudam a explicar a abertura de novos empreendimentos. “O litoral sempre teve uma dinâmica muito concentrada na alta temporada. As empresas faturavam no verão e se sustentavam no restante do ano. Agora, essa sazonalidade tem diminuído e o empreendedor precisa estruturar o negócio para funcionar durante todo o ano”, afirma.
Segundo Moraes, esse movimento está associado ao aumento do número de moradores permanentes, impulsionado principalmente após a pandemia, quando o trabalho remoto ampliou a possibilidade de viver fora dos grandes centros urbanos. “Hoje existe mais gente morando e consumindo na região. Isso cria novas demandas e abre espaço para negócios que não dependem exclusivamente do turismo de verão”, explica.
A mudança também tem alterado o perfil dos empreendimentos. Embora setores tradicionais, como alimentação, comércio de praia e serviços ligados ao turismo, ainda tenham forte presença, novas atividades começam a ganhar espaço, especialmente nas áreas de saúde, bem-estar e serviços permanentes.
“Um exemplo é o crescimento de clínicas, academias e negócios voltados à saúde. Esse tipo de serviço sempre foi uma demanda importante, porque muitas pessoas deixavam de morar no litoral por falta de acesso a atendimento médico. Com mais serviços disponíveis, a região se torna mais atrativa para residência permanente”, observa Moraes.
O setor imobiliário também exerce influência nesse processo. Com o aumento da procura por moradia permanente no litoral, cresce a demanda por serviços, comércio e infraestrutura urbana, criando um ambiente mais favorável à abertura de empresas.
Outro desafio apontado pelo Sebrae é o desenvolvimento de atividades econômicas que mantenham a movimentação durante todo o ano. A diversificação do turismo é uma das estratégias discutidas na região, com iniciativas voltadas a atrativos naturais, eventos e experiências fora da temporada de verão.
“Quando o turismo se limita apenas ao verão, a economia fica muito concentrada. O desafio é criar atrativos em outras épocas, seja com eventos, turismo de natureza ou esportes. Isso ajuda a manter o comércio ativo e sustenta os empreendimentos ao longo do ano”, destaca Moraes.
 

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