Atualizada às 19h28min do dia 18/02
O Hospital Universitário (HU) de Canoas sofrerá interdição ética parcial a partir de sexta-feira (20). O Conselho Regional de Medicina do Estado do Rio Grande do Sul (Cremers) comunicou, através de nota, o resultado de uma reunião realizada no fim desta quarta-feira sobre o risco de colapso assistencial na unidade, que é referência em gestação de alto risco para 151 municípios.
Segundo o vice-presidente do Cremers, Eduardo Neubarth Trindade, a decisão pela interdição ética parcial decorre de um agravamento progressivo identificado em sucessivas fiscalizações desde abril de 2025. Serão interditadas a Unidade de Terapia Intensiva Neonatal, o Centro Obstétrico e Sala de Parto e Alojamento Conjunto e Internação Pediátrica do Hospital Universitário (HU) de Canoas a partir das 11h de sexta-feira (20).
O prazo dado pelo Cremers busca permitir aos gestores coordenar a transferência segura dos pacientes. A partir da interdição ética, fica proibido o trabalho médico nos setores. A assistência médica deverá ser mantida exclusivamente para os pacientes já internados no momento da interdição. A interdição deverá durar até que seja comprovado o saneamento das irregularidades apontadas.
O prazo dado pelo Cremers busca permitir aos gestores coordenar a transferência segura dos pacientes. A partir da interdição ética, fica proibido o trabalho médico nos setores. A assistência médica deverá ser mantida exclusivamente para os pacientes já internados no momento da interdição. A interdição deverá durar até que seja comprovado o saneamento das irregularidades apontadas.
“Já tivemos reiteradas fiscalizações, todas encontrando deficiências. O que muda agora é a gravidade do cenário e a ausência de qualquer solução concreta. Não se vislumbra tentativa efetiva de correção”, afirma.
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De acordo com Neubarth, o ponto mais crítico está na área materno-infantil. O Conselho relata subdimensionamento de equipes, escalas incompletas e presença eventual de profissionais sem a qualificação específica exigida para setores de alta complexidade.
A interdição impediria novas admissões nos setores afetados e exigiria a transferência dos pacientes internados para outras instituições. “A partir da decisão, o local não pode receber novos pacientes. Os que estão internados precisam ser transferidos. Cabe aos gestores organizar um plano de contingência”, explica Neubarth.
O histórico descrito pelo Cremers aponta que, na primeira vistoria realizada em abril de 2025, foram identificadas 41 irregularidades. Fiscalizações posteriores, em outubro e dezembro, teriam confirmado a persistência dos problemas.
No fim de janeiro deste ano, cerca de 60 médicos residentes vinculados à Universidade Luterana do Brasil (Ulbra) iniciaram paralisação das atividades em protesto contra atrasos e falta de pagamento a preceptores, especialmente na área de cirurgia geral. Os residentes alegaram risco assistencial diante da ausência de supervisão adequada. No início de fevereiro, houve ainda restrição temporária de atendimentos na Obstetrícia.
Hospital nega veementemente colapso
Em notas divulgadas ao longo da semana, a Superintendência do HU Canoas e a Associação Saúde em Movimento (ASM), gestora da unidade, negaram com veemência desassistência ou colapso. Segundo o hospital, o episódio de 11 de fevereiro - quando plantonistas diurnos da Obstetrícia não compareceram - foi pontual e solucionado no mesmo dia, com plano de contingência e retomada integral do atendimento às 19h.
A gestão afirma que as escalas médicas foram entregues ao Cremers no dia 16 de fevereiro e que comprovam quantitativo adequado de profissionais. Também informa que uma nova empresa escalista assumirá a organização das equipes a partir de março, garantindo quadro completo até setembro.
A ASM sustenta ainda que os pagamentos aos médicos estão “rigorosamente em dia” e atribui parte das dificuldades recentes à ausência de plantonistas que teriam deixado de cumprir escalas sem aviso prévio. A entidade também ingressou com ação judicial contra o Simers, e afirma que a paralisação de residentes foi considerada inválida em decisão liminar da 2ª Vara Cível de Canoas. “O HU não enfrenta desassistência”, garante a nota.
Procurada, a Secretaria Estadual da Saúde, por sua vez, informou que Canoas possui gestão plena do SUS, sendo o município responsável pela organização e administração dos serviços, incluindo contratação e pagamento de profissionais. A secretaria afirmou que acompanha a situação “de perto”, em diálogo com o prefeito e a secretária municipal de Saúde. Já a Secretaria Municipal de Saúde de Canoas informou que não irá se manifestar sobre o caso.