Porto Alegre,

Publicada em 11 de Fevereiro de 2026 às 14:52

Prédio que abriga serviços essenciais do Estado em Pelotas opera sob denúncia de risco elétrico e incêndio

Sindicato aponta laudo técnico que condena rede elétrica e cobra afastamento imediato de servidores

Sindicato aponta laudo técnico que condena rede elétrica e cobra afastamento imediato de servidores

Risco incêndio prédio Pelotas
Compartilhe:
Gabriel Margonar
Gabriel Margonar
A poucos metros de dois hospitais e no coração de uma cidade marcada por prédios históricos, um imóvel antigo que abriga serviços estratégicos do Estado virou alvo de denúncia por risco iminente de incêndio e choques elétricos.
A poucos metros de dois hospitais e no coração de uma cidade marcada por prédios históricos, um imóvel antigo que abriga serviços estratégicos do Estado virou alvo de denúncia por risco iminente de incêndio e choques elétricos.
O prédio onde funcionam a Inspetoria de Defesa Agropecuária (IDA), o Departamento de Inspeção de Produtos de Origem Animal (DIPOA) e a supervisão regional da Secretaria da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação (Seapi), em Pelotas, foi classificado como ambiente de risco grave e imediato em laudos técnicos colhidos pelo Sindicato dos Servidores de Nível Superior do Estado do RS (Sintergs).
A denúncia foi formalizada por meio do Ofício nº 008/2026, protocolado no dia 28 de janeiro. No documento, o sindicato pede providências urgentes e recomenda, com base em parecer técnico, o afastamento dos servidores até que um laudo conclusivo ateste condições seguras de uso da edificação.
Segundo a diretora do Sintergs, Ana Lúcia Touguinha, o imóvel, possivelmente centenário e com características de patrimônio histórico, apresenta uma série de problemas estruturais e elétricos.
“Estamos falando de quadro geral sem identificação e sem proteção, com partes energizadas expostas; fiação antiga e subdimensionada; rede que não suporta todos os aparelhos de ar-condicionado ligados ao mesmo tempo; além de extintores vencidos e ausência de sinalização adequada”, relata.
Laudos, elaborados por um engenheiro de segurança do trabalho da Fepam ainda em outubro do ano passado, apontam que a rede elétrica estaria condenada. O documento também menciona presença de cupins, botijão de GLP em local inadequado, acúmulo de água no porão e falta de acessibilidade.
No prédio trabalham atualmente cerca de 40 servidores, além da circulação diária de público externo. A Inspetoria Veterinária atende Pelotas e municípios vizinhos, emitindo guias de trânsito animal, realizando cadastros e ações de defesa sanitária. Já a Fepam atua com licenciamento e fiscalização ambiental.
“São órgãos que cuidam da saúde animal, da segurança dos alimentos e da proteção ambiental. O que questionamos é como esses mesmos órgãos não garantem condições adequadas de trabalho aos seus próprios servidores e ao público que frequenta o local”, afirma Ana Lúcia.
A dirigente classifica a situação como grave, especialmente pelo contexto local. O prédio está próximo tanto da Santa Casa de Pelotas quanto do Hospital da Universidade Federal do município; ainda assim, Pelotas não é referência em atendimento a queimados e, em casos de maior complexidade, pacientes precisam ser transferidos para Rio Grande ou Porto Alegre.
“Estamos falando de risco elétrico, possível material inflamável e circulação de público. Em caso de incêndio, a cidade não tem estrutura especializada para atendimento a queimados. Isso aumenta a nossa preocupação”, diz.
Até o momento, segundo o Sintergs, não houve resposta formal ao ofício encaminhado à Secretaria da Agricultura.
 

Governo afirma que projeto elétrico foi contratado

Em nota enviada à reportagem, o governo do Estado informou que o prédio é ocupado pela Seapi, pela Secretaria do Meio Ambiente e Infraestrutura (Sema) e pela Fundação Estadual de Proteção Ambiental (Fepam).

De acordo com o posicionamento, já foi contratado um projeto elétrico, entregue no fim do ano passado, e que atualmente passa por adequações necessárias para viabilizar a execução da obra.
A Seapi acrescenta que os servidores estão atuando em regime híbrido, como forma de evitar sobrecarga da rede elétrica, e que não há prejuízo ao atendimento ao público. O Estado, porém, não detalhou prazos para início das intervenções nem informou se há recursos já assegurados para a execução das obras.
 
 
Pelotas é conhecida pelo seu conjunto arquitetônico antigo, com imóveis inventariados que seguem normas específicas de preservação. Questionada, a prefeitura informou que possui inventário do patrimônio histórico do município, que estabelece regras de preservação, mas que não é responsável pelo uso dos prédios estaduais.
Segundo o Executivo municipal, o acompanhamento de PPCI (Plano de Prevenção e Proteção Contra Incêndio) é realizado apenas nos prédios históricos municipais. A responsabilidade pela manutenção do imóvel, portanto, é do Governo do Estado.
Enquanto isso, as atividades seguem - ainda que parcialmente - em um prédio que, segundo o sindicato, já foi tecnicamente classificado como perigoso. “Não se trata de uma reivindicação administrativa comum. Estamos falando de risco real à vida. A preservação da vida e do patrimônio público deve ser prioridade”, conclui Ana Lúcia.

PPCI é realizado somente em prédios municipais, aponta prefeitura

Prédio histórico abriga Inspetoria de Defesa Agropecuária, Dipoa e regional da Seapi

Prédio histórico abriga Inspetoria de Defesa Agropecuária, Dipoa e regional da Seapi

/Sintergs/Divulgação/Cidades

Pelotas é conhecida pelo seu conjunto arquitetônico antigo, com imóveis inventariados que seguem normas específicas de preservação. Questionada, a prefeitura informou que possui inventário do patrimônio histórico do município, que estabelece regras de preservação, mas que não é responsável pelo uso dos prédios estaduais.

Segundo o Executivo municipal, o acompanhamento de PPCI (Plano de Prevenção e Proteção Contra Incêndio) é realizado apenas nos prédios históricos municipais. A responsabilidade pela manutenção do imóvel, portanto, é do Governo do Estado.
Enquanto isso, as atividades seguem - ainda que parcialmente - em um prédio que, segundo o sindicato, já foi tecnicamente classificado como perigoso. “Não se trata de uma reivindicação administrativa comum. Estamos falando de risco real à vida. A preservação da vida e do patrimônio público deve ser prioridade”, conclui Ana Lúcia.

Notícias relacionadas