Porto Alegre,

Publicada em 10 de Fevereiro de 2026 às 12:13

Gastronomia missioneira é destaque de festival em Santo Ângelo

Festival Degusta Missões integra celebrações pelos 400 anos das Missões Jesuíticas e tem pratos com ancestralidade indígena

Festival Degusta Missões integra celebrações pelos 400 anos das Missões Jesuíticas e tem pratos com ancestralidade indígena

Marcus Espíndola/Divulgação/Jornal Cidades
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Maria Vitória Marca
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Com os 400 anos das missões jesuíticas, celebrados em 2026, cidades como Santo Ângelo recebem eventos que celebram o período e recordam sua relevância na cultura da região. O Festival Degusta Missões é um deles. Promovido pelo Sebrae-RS junto à prefeitura, o evento busca homenagear a herança indígena e jesuítica por meio da gastronomia.
Com os 400 anos das missões jesuíticas, celebrados em 2026, cidades como Santo Ângelo recebem eventos que celebram o período e recordam sua relevância na cultura da região. O Festival Degusta Missões é um deles. Promovido pelo Sebrae-RS junto à prefeitura, o evento busca homenagear a herança indígena e jesuítica por meio da gastronomia.
Foram nove restaurantes desafiados a criar pratos considerados missioneiros, ou seja, que misturaram insumos indígenas como a mandioca com ingredientes trazidos pelos jesuítas, como o leite. Durante os dias 25 e 29 de março, o evento se concentrará em frente à Catedral Angelopolitana, no Centro Histórico do município, com atividades culturais e o anúncio do restaurante vencedor do melhor prato missioneiro.
O festival será dividido em duas etapas: a divulgação e venda dos pratos missioneiros em cada restaurante, até o dia 24 de março, e a feira cultural em frente à Catedral Angelopolitana, entre os dias 25 e 29 de março. O Degusta Missões iniciou em 2011 e está em sua quarta edição. Em 2026, a gestora de Comércio, Bens, Serviços e Turismo do Sebrae-RS, Lisiani Uggeri Hampel, ficou à frente da edição do festival: “A cada nova edição, ele vem com novidades. É um evento que vai se moldando de acordo com o comportamento do consumidor, com as tendências de mercado e com as necessidades da região”, afirma.
A preparação para o festival iniciou no segundo semestre de 2025, com a intenção de manter as criações gastronômicas nos cardápios dos locais escolhidos por um ano. Durante o processo de criação, foram elaborados pratos salgados, doces e bebidas.
Foram selecionados desde postos de gasolina até churrascarias locais, que, com a ajuda de um chefe de cozinha especializado em gastronomia missioneira, Reinaldo de Oliveira Farah, estudaram sobre os hábitos alimentares da região durante o período das missões, os insumos utilizados, quais eram típicos do consumo indígena e como se transformaram depois da chegada dos padres jesuítas, por exemplo. “Trabalhando em cima da pesquisa sobre a gastronomia missioneira, fomos para a prática realmente. Buscamos criar releituras dos pratos que já são consumidos na região, e e que não tinham uma contextualização histórica de como surgiram”, explicou Farah.
Os pratos criados para o Degusta Missões fazem parte de uma “gastronomia híbrida”. Insumos como o butiá e a mandioca faziam parte do consumo indígena; já carnes bovinas, suínas e até mesmo a de ovelha foram introduzidas a partir da chegada de padres jesuítas, afirma o chef. Para ele, a identidade da comida missioneira surge da mistura desses ingredientes.
Restaurantes como o Ferro y Fogo Missões incluíram em seu cardápio o Ka'a Kaguy Kiri, drink alcoólico à base de xarope de erva-mate - que já era presente no cotidiano indígena - e cachaça, bebida introduzida na região o durante as missões. O mesmo acontece com o bar Rolla Chopp, com a bebida Yva Butiá Mateã, feita com sucos de butiá, gengibre e erva-mate.
Além de bebidas, os empreendimentos participantes servem pratos quentes como o Mbijú Mbopí, uma pizza à base de fécula de mandioca, salame artesanal e temperos, criada no Anahi Empório. Já no restaurante Crebom. o prato missioneiro criado foi o Mandi'o Mymba Eté, com costela bovina desfiada ao molho de cerveja preta, acompanhada de purê de mandioca.
A segunda etapa do Festival deve reunir até cinco mil pessoas, durante os cinco dias. Além da área gastronômica, a feira também inclui venda de artesanato e eventos culturais. “A feira do Degusta Missões é o momento em que o turista interage com a gastronomia local e entra em contato com a música missioneira, e pode comprar produtos locais que falam da alma e da criatividade local”, destaca Hampel.
É durante a feira que deve acontecer a votação técnica para o Degusta Missões. A votação será às cegas, sem apresentação do prato para o júri, explica a gestora. Com os 400 anos das Missões, o festival relembra a origem cultural da região e incentiva o turismo da cidade. “O grande objetivo de tudo isso é trabalhar a promoção do turismo através da gastronomia e trazer desejo no consumidor de provar aquele produto, de conhecer um pouco da sua história e a importância disso para nossa região”, reforça a gestora.

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