Com o objetivo de reduzir os custos da prefeitura com carros e motoristas próprios no transporte de pacientes até o hospital de Venâncio Aires, no Vale do Rio Pardo, a Secretaria Municipal de Saúde utiliza, desde novembro de 2025, um aplicativo de transporte desenvolvido na própria cidade: o Levaa. Utilizado por meio de agendamento, o recurso conta com uma frota de motoristas independentes, que lucram em cima da tarifa cobrada no trajeto, semelhante a outros serviços de viagens.
Segundo Tiago Quintana, sócio fundador do Levaa e secretário de Governança de Venâncio Aires, o uso de carros próprios da prefeitura para essa finalidade gera um alto custo para o município, com a necessidade de seguro, manutenção e depreciação do veículo. O aplicativo evita esses problemas, utilizando motoristas parceiros no mesmo estilo de outros serviços, como a Uber. “O Levaa nasceu da ideia de trazer mais economia. A prefeitura se cadastra e, no fim do mês recebe uma fatura equivalente à quilometragem utilizada, sem se preocupar com o consumo do carro”, explica.
A economia do município com o Levaa pode chegar até 50%, de acordo com Quintana, e varia conforme o caso de cada prefeitura, ainda que, atualmente, somente Venâncio Aires utilise a plataforma, ainda em período de testes. Quintana salienta que o Levaa é usado sem custos para a prefeitura, nem substituiu o transporte tradicional com veículos próprios.
Usado principalmente para pacientes de hemodiálise, o Levaa faz o trajeto da casa dos usuários até o hospital da cidade, São Sebastião Mártir. A corrida é agendada na prefeitura por um servidor e pode ser compartilhada, levando até mais de um passageiro. No momento, elas acontecem apenas no perímetro urbano de Venâncio Aires, com valor fixo de R$4,50 por quilômetro ou R$5,50 para a zona rural. Entretanto também há a opção de viagens intermunicipais, acima de 50 quilômetros, no valor fixo de R$3,50 por quilômetro.
O aplicativo tem normas rigorosas para a adesão de motoristas parceiros. No processo, são exigidos cursos como o de primeiros socorros e boas práticas de relacionamento, para levar em consideração as exigências dos passageiros, como o uso de cadeira de rodas e dificuldades de locomoção. Outro ponto importante é o tempo de uso do veículo, que não pode ultrapassar 10 anos.
As funcionalidades do aplicativo também se diferenciam devido ao seu uso na área da saúde. O acompanhante virtual, por exemplo, permite que outra pessoa sem ser o passageiro, acompanhe a corrida por meio de um link enviado para ele. Além disso, funções como o botão de SOS e a avaliação de motoristas focam na segurança e opinião do passageiro.
O período de teste do Levaa teve início em novembro e deve continuar até abril. Após esse período, Quintana pretende levar o aplicativo para outros municípios, além de estender o uso para fora da área da saúde. “A ideia inicial foi para pacientes, mas a nossa solução pode ser utilizada em outras demandas como o transporte de servidores, entre outros. Tudo é possível fazer pelo aplicativo”, afirma.