Porto Alegre,

Publicada em 19 de Janeiro de 2026 às 17:47

Artesanato em lã ovina oportuniza renda no interior gaúcho

Emater afirma que 91 artesãos de 16 municípios gaúchos buscam renda a partir da atividade, Campanha gaúcha é destaque

Emater afirma que 91 artesãos de 16 municípios gaúchos buscam renda a partir da atividade, Campanha gaúcha é destaque

TÂNIA MEINERZ/JC
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Jornal Cidades
O artesanato em lã ovina é uma tradição que atravessa gerações no Rio Grande do Sul. Uma das regiões que concentra o maior número de pessoas dedicadas à arte é a Campanha gaúcha, com 91 artesãos em 16 municípios, segundo levantamento realizado pela Emater entre 2024 e 2025.
O artesanato em lã ovina é uma tradição que atravessa gerações no Rio Grande do Sul. Uma das regiões que concentra o maior número de pessoas dedicadas à arte é a Campanha gaúcha, com 91 artesãos em 16 municípios, segundo levantamento realizado pela Emater entre 2024 e 2025.
Em Lavras do Sul, por exemplo, oito artesãos mantêm viva a cultura, unindo o saber das mãos, o valor da lã e o orgulho de pertencer a uma região onde a Ovinocultura é símbolo de identidade. Com mais de quatro décadas de fundação, a Associação Tecelagem Lavrense está entre as iniciativas dedicadas à arte em lã.
O trabalho realizado por iniciativas como a Tecelagem Lavrense contribui ainda para dar um novo significado à lã. Nas mãos das artesãs, o que antes tinha pouco valor comercial se transforma em matéria-prima para o artesanato, gerando renda, identidade e novas oportunidades no meio rural. “Um quilo de lã suja, que valeria R$ 2,00, eu beneficio e consigo tirar R$ 1.500,00. Eu pago a minha faculdade com o meu trabalho com a lã. Isso foi um sonho realizado, que custei para alcançar”, celebra Andressa dos Santos Soares, vice-presidente da associação.
Caçapava do Sul é outro município com tradição na ovinocultura. É lá que está localizada a Fazenda Santa Marta, onde o trabalho começa no campo e chega até a novelaria, onde a lã se transforma em renda e arte.
O casal Marta Teixeira e Jorge Dias trabalha com um rebanho de cerca de 300 ovinos da raça Ideal, selecionados a partir do melhoramento genético e do controle rigoroso da qualidade da lã. Através da micronagem, que mede a finura da fibra da lã e determina o valor do produto, conseguem garantir uma lã bem valorizada no mercado. Cerca de 85% da produção é dedicada à exportação, principalmente para o Uruguai. O restante é processado na propriedade, dando origem aos fios da Novelaria Santa Marta. Um dos diferenciais do negócio é o tingimento natural, feito com plantas nativas encontradas na propriedade. O processo artesanal valoriza cada etapa e transforma o fio em matéria-prima para peças exclusivas.
Apesar da tradição em transformar a lã ovina em peças artesanais ser mais comum na Campanha, o trabalho com a matéria-prima tem se expandido para outras cidades do Rio Grande do Sul. Este é o caso do Arteirar, grupo de Três Coroas que conta com o apoio da Emater, da prefeitura e de outros parceiros locais. Mesmo com o município entre os menores produtores de ovinos do Estado, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), as raízes de alguns integrantes na Serra e na Campanha despertaram o interesse em transformar o material em produtos únicos. 
Atualmente o Arteirar reúne 11 artesãos, que encontram na atividade uma forma de manter vivas as tradições e dar novo significado à lã ovina. “Para mim, isso representa os valores gaúchos da nossa terra. Me criei nesse meio. Lá se fazia o baixeiro, pois a gente usava muito os cavalos, era necessário, assim como as cobertas de lã, tudo no tear. A mãe fazia e eu acompanhava. Participei dessa época. Então representa muito família, pois fez parte da minha infância”, lembra o artesão Leandro Ferreira Pereira.
Assim como a Tecelagem Lavrense e a Novelaria Santa Marta, o Arteirar oportuniza a geração de renda e a valorização de raízes, mas principalmente colabora para a autoestima dos participantes e para fortalecer os laços entre os artesãos e suas famílias. “Esse é um espaço de aconchego, para atender e suprir necessidades, principalmente emocionais. E a arte, para mim, tem esse viés de possibilitar às pessoas, naquele momento, não sofrer tanto com a sua dor, mas ver possibilidades através dela”, avalia a artesã Márcia Hugentobler Huff.

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