Após uma série de reclamações de usuários sobre a redução de horários de ônibus intermunicipais, a prefeitura de Santo Antônio da Patrulha irá intervir junto ao Estado para tentar reverter o esvaziamento da oferta de viagens, especialmente nos trajetos diretos via freeway até Porto Alegre. A administração municipal busca uma reunião com a Fundação Estadual de Planejamento Metropolitano e Regional (Metroplan) para pressionar a operadora por uma revisão da grade de horários.
As mudanças, implementadas desde o início de dezembro de 2025, atingiram principalmente os serviços diretos e semidiretos nos horários de pico, como o primeiro ônibus da manhã em direção à Capital e o retorno no fim da tarde. Segundo a secretária de Administração e Finanças do município, Cleia Airoldi, são justamente esses horários que concentram as maiores queixas da população.
“Hoje, de Santo Antônio para Porto Alegre, via freeway, existe apenas um horário pela manhã, de segunda a sexta-feira. Não há nenhuma opção desse tipo aos fins de semana ou feriados. No sentido inverso, o cenário é parecido”, afirma a secretária.
De acordo com Cleia, a prefeitura já participou de reuniões com a Sogil, que opera as linhas intermunicipais na região. A empresa alega que a ampliação dos horários não seria viável por falta de demanda suficiente para cobrir os custos de operação. O município, no entanto, defende que os dados precisam ser reavaliados.
“A nossa posição foi questionar por que não testar novamente agora, depois da pandemia e da enchente. A resposta foi de que, com base nas estimativas de custo, não haveria viabilidade, mas entendemos que isso precisa ser revisto”, diz.
A redução da oferta, segundo a secretária, não é recente. Antes da pandemia, havia mais opções de viagens diretas pela BR-290. Com a crise sanitária e, mais recentemente, com os impactos da enchente de maio de 2024, novos horários foram retirados, tanto nas linhas diretas quanto nas chamadas linhas comuns, conhecidas como “pinga-pinga”, que chegam a levar cerca de três horas até Porto Alegre.
O cenário tem afetado diretamente trabalhadores e servidores públicos que se deslocam diariamente entre Santo Antônio da Patrulha e cidades da Região Metropolitana. “Temos muitos servidores que vêm de Canoas, Gravataí, Cachoeirinha e Porto Alegre. Hoje, muitos acabam vindo de carro ou utilizando o pinga-pinga, que aumenta muito o tempo de deslocamento”, relata Cleia.
O Jornal Cidades havia noticiado a situação em dezembro do ano passado. Na ocasião, a assessoria de imprensa da Sogil explicou que “os horários são praticados conforme a demanda de passageiros das linhas, como ocorre em todos os modais de atendimento” e informou que “os itinerários das linhas estão disponíveis no site da empresa”.