Porto Alegre,

Publicada em 12 de Janeiro de 2026 às 18:42

Tarifa zero em ônibus de Canoas pode se tornar permanente

Prefeitura estima custo mensal de até R$ 5,5 milhões para manter isenta a cobrança de passagem nos coletivos municipais

Prefeitura estima custo mensal de até R$ 5,5 milhões para manter isenta a cobrança de passagem nos coletivos municipais

Vinicius Thormann/Prefeitura de Canoas/JC
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Gabriel Margonar
Gabriel Margonar
A gratuidade no transporte coletivo de Canoas, criada como resposta emergencial às enchentes de maio de 2024, iniciou 2026 em um novo patamar: o de política pública em avaliação para se tornar permanente. Embora a prefeitura tenha prorrogado o passe livre até 28 de fevereiro, o debate agora não gira mais em torno de novas extensões, mas sobre se o município terá condições fiscais e institucionais de manter o modelo de forma definitiva.
A gratuidade no transporte coletivo de Canoas, criada como resposta emergencial às enchentes de maio de 2024, iniciou 2026 em um novo patamar: o de política pública em avaliação para se tornar permanente. Embora a prefeitura tenha prorrogado o passe livre até 28 de fevereiro, o debate agora não gira mais em torno de novas extensões, mas sobre se o município terá condições fiscais e institucionais de manter o modelo de forma definitiva.
A decisão ocorre em um momento de forte pressão sobre as contas públicas. Canoas enfrenta um déficit estimado em cerca de R$ 450 milhões em 2025 - valores que ainda serão confirmados - e mantém despesas contingenciadas, o que torna o subsídio ao transporte um dos principais pontos de atenção do orçamento.
Mesmo assim, o prefeito Airton Souza afirma que os dados de uso do sistema e o impacto social sustentam a continuidade do programa. “Estamos trabalhando com as secretarias de Trânsito, Governo e Fazenda para fazer os ajustes necessários, porque o desejo do governo é tornar a tarifa zero definitiva. Ao mesmo tempo, a população ainda não se recuperou financeiramente da enchente”, diz. Segundo ele, muitas famílias ainda enfrentam dificuldades para recompor bens básicos e despesas do dia a dia, o que torna o custo da passagem um fator de exclusão.
Os números ajudam a explicar por que o programa passou a ser tratado como política estrutural. Antes da tarifa zero, em maio de 2024, o transporte coletivo de Canoas registrava cerca de 268 mil usuários por mês. Em 2025, a média subiu para aproximadamente 1 milhão de passageiros mensais, chegando a 1 milhão e 319 mil em dezembro. No acumulado do ano passado, mais de 15,8 milhões de embarques foram registrados, segundo dados da prefeitura.
Na avaliação do Executivo, esse salto mostra que a gratuidade ampliou o acesso ao sistema e mudou o padrão de deslocamento na cidade. “Se houvesse tarifa hoje, ela estaria em torno de R$ 5,50. Para famílias com três, quatro ou cinco filhos, isso inviabiliza até atividades simples. A tarifa zero amplia o direito de circular pela cidade”, afirma Souza.
O principal entrave para a consolidação do modelo é o custo. Segundo o prefeito, o subsídio mensal do transporte coletivo gira entre R$ 5 milhões e R$ 5,5 milhões. Considerando o período entre maio de 2024 e dezembro de 2025, isso representa um desembolso acumulado estimado entre R$ 100 milhões e R$ 110 milhões para a manutenção da tarifa zero.
Para acomodar esse gasto em um cenário de aperto fiscal, o município afirma ter feito cortes em outras áreas. “Cortamos aluguéis de veículos e imóveis, revisamos contratos e ajustamos despesas. Isso gerou uma economia de cerca de R$ 10 milhões por mês”, diz o prefeito. “Se o transporte custa algo em torno de R$ 5 milhões, a conta fecha dentro desse esforço de contenção”.
Agora, a continuidade da tarifa zero após fevereiro dependerá da formalização dessas fontes de financiamento e de contrapartidas das empresas concessionárias, como a renovação da frota. A prefeitura também negocia apoio do governo federal para estruturar o modelo - visto que a União também sinaliza interesse nesta política. “Existe vontade política e existem dados que sustentam a decisão. A expectativa é definir isso até meados de fevereiro”, finaliza Souza.

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